quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Pablo Neruda, o "grande conhecedor" de vinhos chilenos ...


Vai aqui mais uma historinha sobre vinhos, na linha que minha querida amiga Angela sugeriu.


Esta, quem conta é Jorge Amado, em seu divertidíssimo livro Navegação de Cabotagem - como ele diz, trata-se de "apontamentos para um livro de memórias que jamais escreverei".


Segundo ele, o grande poeta chileno Pablo Neruda esteve em visita ao Brasil, em 1957. Jorge Amado encarregou-se de recebê-lo e de arrumar hospedagem para ele na casa de amigos, na cidadezinha de Miguel Pereira, estado do Rio.


O poeta era um grande conhecedor de vinhos, um connaiseur, como dizem os entendidos - e um grande apreciador dos vinhos chilenos, é claro. Segundo ele, o vinho chileno era o melhor do mundo. Superior mesmo aos franceses !


O casal que hospedou o poeta não estava com as finanças lá muito bem das pernas ... Dispunham de algumas garrafas dos melhores vinhos chilenos, mas não eram o suficiente para aplacar a sede de Neruda. Depis de bebidas todas elas, o dono da casa se viu em apuros. Como abastecer a adega com aquelas maravilhas caríssimas que o poeta tanto elogiava e apreciava ?


Quem quebrou o galho foi o próprio Jorge Amado. Junto com o anfitrião, dirigiram-se a um pequeno armazém de secos-e-molhados, ali mesmo, em Miguel Pereira, compraram várias garrafas de vinhos brasileiros e e encheram com ele as garrafas vazias dos chilenos que haviam bebido.


Pois o grande poeta e grande connaiseur bebeu satisfeito o vinho brazuca nas garrafas chilenas - e continuou elogiando, extasiado, as maravilhas do vinho chileno ...


É, meus amigos, esse negócio de se apresentar como conhecedor de vinhos é fogo !

Vinho bom e barato !!

Pessoal, olha aqui uma dica espertíssima, soprada pelo meu velho amigo Antonga (atenção : eu disse velho amigo, jamais amigo velho).

O supermercado Pão de Açucar aqui da avenida Santo Amaro (será o mesmo em todas as lojas ? não sei ) está vendendo o bom vinho chileno Ventisquero por R$ 24,90. Se você comprar mais do que três garrafas, o preço cai para R$ 19,90.

O Ventisquero pode ser encontrado nas versões varietais (ou seja, feitas de um único tipo de uva) cabernet sauvignon, carmenère e syrah. É um vinho honesto, boa companhia para as refeições do dia-a-dia.

Também há o Ventisquero Queulat, feito com pinot noir, e eles têm também uma linha Reserva - mas estes já são um pouco mais caros.

Vamos pra lá, vale a pena !

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Vinho branco gelado, vinho tinto à temperatura ambiente - certo ?

Certo, coisa nenhuma ...

A tal da temperatura ambiente, como se sabe, é boa para os vinhos tintos europeus - lá na Europa !

Imagine a gente no verão do Rio de Janeiro, ou mesmo em alguns noites quentes em São Paulo, tomando um vinho tinto à temperatura ambiente de 28 ou 30 graus .... Vai parecer purgante, né ?

O tema da temperatura ideal para os vinhos é sempre muito controvertido. Se a gente vai fuçar na literatura especializada, encontramos dezenas de tabelas diferentes, às vezes quase contraditórias.

Vou tentar, então, botar um pouco de ordem nessa bagunça (ou aumentá-la ainda mais, sei lá ...), registrando aqui as minhas preferências pessoais :

  • Vinhos brancos - gosto deles a uma temperatura aproximada entre 8 e 10 graus. Coloco na geladeira sempre com antecedência, às vezes até um dia antes, para ter certeza de que vão estar geladinhos como eu gosto.
  • Espumantes - mais frios ainda, a uns 7 ou 8 graus.

Tanto para os espumantes como para os brancos, vale a pena colocá-los em um balde de gelo, para manter a temperatura e não deixar que eles esquentem depois de abertos. O balde deve ter bastante água, com as pedrinhas de gelo boiando. Só não vale é botar no congelador - a redução da temperatura de forma muito rápida faz mal ao vinho. No caso dos espumantes, eles podem perder ou ter bem reduzida a sua perlage - as famosas bolinhas do champanhe ...

  • Vinhos tintos leves - são os vinhos mais ligeiros, do dia-a-dia. Gosto deles bem frios, a uma temperatura aí de uns 14 graus. Tenho em casa uma pequena cave doméstica, e mantenho-a sempre nessa temperatura.

Uma boa alternativa, para quem não tem a tal cave, é botar o vinho na geladeira, na parte mais baixa (que é menos fria), umas duas horas antes de servir. Muitas vezes, em restaurantes, Tereza e eu tivemos que enfrentar, impávidos, as caras tortas de alguns garçons, quando pedimos para colocar a garrafa de vinho tinto em um balde de gelo ...

  • Vinhos tintos encorpados - aqueles vinhos especiais, feitos pra guardar, que a gente toma de vez em quando, em uma ocasião também especial. Estes devem estar um pouco menos frios - a literatura chega a falar em 20 graus, mas eu acho demais. Uns 16 ou 17 graus, para mim, já está OK.

E os vinhos rosés ? Bom, como eu não gosto muito de vinho rosé, tendo a achar que tanto faz ... Vai ficar sem graça do mesmo jeito ....

Brincadeiras à parte, o vinho rosé deve seguir a temperatura do vinho branco, bem geladinho ...

Mais uma vez - o que está escrito aí acima não são regras. São somente a minha opinião. Que tal você provar e tirar as suas próprias conclusões ?

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A Copa dos Copos - Parte 17 - Finalíssima !

Finalmente, a Finalíssima !

É, ninguém acreditava mais, mas nós conseguimos, já no final do ano, chegar à grande final da nossa Copa dos Copos - França e Itália !

Pois é, na nossa Copa dos Copos a zebra não teve vez - o confronto final era meio óbvio, desde o início, é ou não é ? França e Itália são - pelo menos na minha opinião - os produtores dos melhores vinhos do mundo ...

A França, eterna campeã da modalidade, só podia mesmo sair na frente - foi logo marcando alguns golaços com seu ataque poderoso formado pelas sub-regiões da Borgonha : Chablis, Côte de Nuits, Côte de Beaune e Côte Chalonnaise.

A defesa italiana é formada pelos incríveis vinhos produzidos na região norte do país : o Piemonte, o Veneto, a Lombardia e o Alto Adige - mas não puderam conter o rolo compressor da Borgonha.

Do outro lado do gramado, os três atacantes do sul da Itália - Calábria, Sicília e Puglia - defrontam-se com a melhor defesa do mundo - a linha bordalêsa, formada pelas fantásticas sub-regiões de Bordeaux : Médoc, Pauillac, Margaux e Pomerol.

No meio-do-campo, a supremacia é italiana - os doces, suaves Sauternes e Banyuls, da França, não podem fazer frente ao brilho da linha média italiana, formada na Toscana : Chianti Classico, Brunello di Montalcino e Vino Nobile de Montepulciano.

O goleiro italiano - Vin Santo - está quase desfalecido com tanto trabalho, ao passo que o magnífico goleiro francês - Champagne - quase não tem trabalho ...

É, na nossa Copa dos Copos não há mesmo lugar para zebra. O campeão, que até a Mãe Diná seria capaz de prever, é - sem sombra de dúvida ! - a França.

Allons, enfants de la Patrie ...

E a classificação final da nossa inesquecível Copa dos Copos ficou assim :

  • Campeão : FRANÇA
  • Vice : Itália
  • Terceiro : Portugal
  • Quarto : Argentina
  • Quinto : Espanha
  • Sexto : Alemanha
  • Sétimo : Nova Zelândia
  • Oitavo : Austrália
E quer saber ? Pode beber, sem susto, vinhos de qualquer um desses lugares - com certeza você estará bem servido, e poderá sempre compartilhar aqui com os amigos as suas prórpias experiências !

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Est ! Est !! Est !!!

Minha querida amiga Angela, leitora e apoiadora deste blog desde sempre, sugeriu que eu registrasse aqui algumas historinhas sobre vinhos - sabe como é, aquele tipo de história que pode render uma conversa divertida no jantar com amigos, entre uma taça e outra.

Aqui vai a primeira dessas historinhas :

Na província italiana do Lazio, próximo da cidade de Roma, produz-se um vinho branco chamado Est ! Est !! Est !!! É um vinho feito a partir das uvas malvasia e trebbiano, bastante comuns por ali. O vinho em si não tem nada de especial - é só um bom vinho branco, refrescante, desses de se tomar geladinho em uma tarde de verão à beira da piscina.

Bacana mesmo é a historinha que dá ao vinho esse nome tão curioso ...

Segundo a lenda (ou será História ?), um bispo alemão tinha de vir até Roma. Como era chegado em um bom vinho, ele encarregou um funcionário seu de vir na frente, identificando as localidades onde se produziam vinhos de qualidade. Sempre que encontrasse um bom vinho, o tal funcionário deveria pregar uma plaqueta na entrada da vinícola com a palavra latina EST - seria um sinal para o bispo, que vinha mais atrás, de que ali havia um vinho que poderia ser bebido ...

Parece que ao chegar nesta pequena propriedade no Lazio, o rapaz se encantou tanto com o vinho que era produzido por lá que não se conteve - escreveu na plaqueta EST ! EST !! EST !!!

Será que o tal bispo se encantou com o vinho tanto quanto seu jovem funcionário ? Não sabemos ... Eu, de minha parte, não achei nenhuma maravilha - mas a historinha é boa, convenhamos !

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Jantar chique - 20 anos de casamento !

Esta semana, Tereza e eu completamos inacreditáveis 20 anos de casamento !

Acho que o melhor elogio que eu posso fazer ao meu casamento é este - não tenho, nem de leve, a menor sensação de que já se passaram 20 anos ... Afinal, são 20 anos de cumplicidade, companheirismo, amor, solidariedade e compreensão mútua - enfim, uma delícia !

A comemoração, evidentemente, tinha de ser um jantar especial, com um vinho especial ...

Voltamos ao Bela Sintra, um elegante e caro restaurante português de São Paulo. Já estivemos jantando por lá outras vezes, e a verdade é que a comida nunca chegou a nos empolgar. Em matéria de restaurantes portugueses em Sampa, continuamos fiéis ao maravilhoso Antiquarius.

Bem, os pratos - de maneira quase óbvia - tinham de ser de bacalhau, a especialidade da casa.

E o vinho, claro, não poderia deixar de ser português. Optamos por um vinho do Alentejo, chamado Herdade do Peso Colheita, de 2005. As uvas que entram neste vinho são algumas das mais típicas do Alentejo : aragonés e alfrocheiro. Um vinho de boa acidez, com taninos bastante marcantes, mas finos e elegantes, sem nenhum amargor.

E a combinação com o bacalhau foi ótima ! Os sabores dos pratos eram muito marcantes - muito azeite, alho, cebolas - e o vinho fazia o seu papel, realçando os sabores e enchendo a boca com muito corpo e muita personalidade.

Em suma - boa comida, bom vinho, e excelente harmonização (ainda que continuemos a preferir o Antiquarius ...), com um serviço simpático e cordial.

Pelo preço que pagamos, desconfio que a gente só retorna lá na comemoração dos 40 anos ...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Quanto é um "preço razoável" para um vinho ?

Taí - essa é uma perguntinha realmente difícil de responder ...

Segundo o enólogo americano Robert Parker (que talvez seja o sujeito que mais entende de vinhos no mundo inteiro), não há nenhuma justificativa razoável, do ponto de vista dos custos, para que um vinho custe mais do que 10 dólares a garrafa - seja qual for o vinho !

Por outro lado ...

Semana passada, dia 3 de novembro, em um leilão de vinhos em Hong Kong, foram vendidas três garrafas de um vinho francês chamado Chateau Lafite-Rotschild, produzidas há mais de 150 anos, na região de Bordeaux, na França.

Cada uma das garrafas saiu pelo precinho módico de R$ 400.000. Sim, é isso mesmo - um misterioso investidor (especula-se que tenha sido um chinês) gastou cerca de R$ 1.200.000 para comprar três garrafas de um vinho mitológico, de 150 anos - e existe uma enorme probabilidade de que esse vinho esteja simplesmente estragado lá dentro das tais garrafas.

O que isto significa ?

Simplesmente, o óbvio - um vinho (como qualquer outra mercadoria) vale exatamente aquilo que um comprador está disposto a pagar por ele. Se um maluco endinheirado está disposto a pagar R$ 400.000 por uma garrafa de vinho provavelmente imbebível - então, essa garrafa vale esse preço ...

Moral da história : não há regras na hora de definir o preço de um vinho. Você tanto pode comprar um belo vinho por 30 reais, como está sujeito a comprar uma zurrapa qualquer por 200 reais.

A saída é experimentar, trocar informações com os amigos, ler as publicações especializadas, ler os blogs de vinhos da Internet (como este aqui, é claro !) e ir, aos poucos, formando a sua própria opinião - que é a única que realmente conta !

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

E o que é que os checos bebem ?

Cerveja !!

Sim, para compensar a falta de bons vinhos, os checos bebem ótimas cervejas !

A República Checa será, talvez, o país onde são produzidas algumas das melhores cervejas do mundo.

Não que as brasileiras fiquem muito atrás - nossas Brahmas, Antarcticas, Originais e Serramaltes são facilmente comparáveis às deles, e entram fácil, fácil na lista das melhores do mundo - pelo menos, na minha modesta opinião, eu que não sou um grande bebedor de cervejas.

Mas as deles são muito boas !

Para começo de conversa, eles produzem lá a Pilsner Urquell, considerada por muita gente boa como a melhor cerveja do mundo.




Estivemos visitando a fábrica da Pilsner Urquell, na cidadezinha de Plsen. É uma fábrica linda, com uma tremenda estrutura para receber turistas como nós. O bacana é que eles têm uma planta de produção industrial, moderníssima, ao lado da bem preservada estrutura mais antiga, com os tanques de cobre. A gente pode ver direitinho como era e como é, hoje, o processo de produção da cerveja. Só ficamos meio decepcionados com a degustação : esperávamos beber cerveja até cair no chão, mas eles se limitaram a um copinho por pessoa ... Enfim, nada é perfeito !











Em Praga, visitamos também o Monastério Strahov - local que abriga duas belíssimas bibliotecas medievais, e que abriga também uma cervejaria, a St. Norbert - é, esses monges sempre entederam bem das coisas boas da vida ...




Estivemos também em um local maravilhoso - a cervejaria U Fleku, também em Praga. É uma cervejaria fundada em 1499. Sim, é isso mesmo : um ano antes de Cabral aportar por estas bandas, os checos já estavam lá, sentados nas longas mesas coletivas da U Fleku, bebendo a cerveja local.




E que cerveja ! Preta, forte, encorpada - deliciosa ! Ao longo desses 500 anos, eles resistiram a todas as propostas inovadoras de distribuição : continuam produzindo e vendendo sua cerveja apenas lá mesmo, na própria cervejaria. Os garçons passam carregando enormes bandejas com aqueles canecões de meio litro e repondo a cerveja na frente dos clientes sedentos.


Além disso, eles vendem por lá umas comidinhas toscas - por exemplo, um pescoço de porco, seja lá o que for isso, que sai da cozinha como uma enorme bola de carne com uma faca espetada no topo. A gente se sente um verdadeiro Obelix, sentado em uma bodega medieval.

E o que isso tem a ver com vinhos ?

Bem, a rigor, nada. Mas, já que os vinhos por lá eram medíocres, nós nos acabamos mesmo com aquelas belas e saudosas cervejas ....

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Há vinhos na República Checa ?

Na nossa recente viagem ao Leste da Europa, Tereza e eu nos defrontamos com essa angustiante pergunta - há vinhos na República Checa ?

Bem, a resposta é : sim e não.

Sim, pois de fato alguns vinhos são produzidos por lá. A produção não é gigantesca, mas os checos possuem uma longa tradição : os primeiros vinhedos foram plantados na região da Boêmia por volta do século IX.

Hoje, 95 % do que eles produzem vem da região da Morávia. São principalmente vinhos brancos, produzidos com as uvas müller-thurgau, riesling, pinot blanc, mas também há muitos vinhos tintos, produzidos com uvas locais, como a frankovká, a zweigeltrebe e a portugieser. Em praticamente todos os restaurantes checos você vai encontrar os vinhos da Morávia na carta.

E não, pois os vinhos checos são pra lá de medíocres ... Qualquer vinho argentino de segunda categoria, comprado no super-mercado da esquina, é superior a esses vinhos da Morávia.

E eles ainda têm o hábito, bem europeu, de tomar o vinho à temperatura ambiente. Como nós fomos pra lá em Agosto e pegamos tempos bem agradáveis e temperaturas quentes, bebemos vinhos medíocres e quentes ... argh !!

Em suma, deixa pra lá. Por sorte esses vinhos checos não costumam chegar às nossas prateleiras locais !

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Vinho Verde com Paella - salve, Guillermina !

Aqui entre nós, nunca fui muito fã dos famosos vinhos verdes de Portugal. Para mim, eles sempre tiveram um sabor rascante demais, ácido demais - nunca me encantaram.

Acontece que meus queridos amigos Adalberto e Guillermina estiveram a passeio em Portugal, junto com a Adriana e o Sebastian.

Pois a Guillermina voltou de lá encantada com os tais vinhos verdes ... Eles são produzidos na região do Minho, bem ao norte do país, e ninguém sabe explicar com muita precisão porque é que eles têm esse nome de vinho verde. Uma teoria diz que é por conta da região do Minho, extremamente verde - explicação fraquinha , né ? Outra teoria diz que eles são sempre feitos de uvas ainda verdes - o que simplesmente não é verdade. Uma terceira teoria diz que como eles são vinhos feitos para serem bebidos bem jovens, jamais devem envelhecer, ou amadurecer - daí serem sempre verdes ...

A verdade é que eles devem mesmo ser bebidos muito jovens. Tanto que os vinhos verdes do Minho nem sequer costumam trazer a safra estampada no rótulo - subentende-se que eles são, naturalmente, da colheita do ano anterior. Para nós, aqui no longínquo Brasil, isso pode significar algum risco, é claro : quem garante que o vinho que estamos comprando na prateleira da loja seja realmente do ano anterior ? Só bebendo, e observando o aspecto visual do vinho : ele deve ser bem clarinho, límpido, com pálidos reflexos esverdeados. Se estiver amarelado, melhor deixar pra lá.

Enfim, no último feriado, fomos para a casa da Guillermina e do Adalberto, em Itu, comer uma daquelas maravilhosas paellas que ela perpetra. E - óbvio ! - aproveitamos para saber se a tal paixão da Gui pelos vinhos verdes fazia sentido.

Fazia, sim !

Provamos dois rótulos diferentes.

O primeiro deles foi o Muralhas de Monção, de cor brilhante e acentuado aroma de pêssego. Um vinho macio e fácil de beber, mas bem seco e com muita acidez (olha aí o meu preconceito contra o vinho verde aflorando de novo ...)

O segundo foi um Alvarinho Deu-La-Deu (adoro os nomes dos vinhos portugueses !), também brilhante e límpido, e com muito menos acidez do que o primeiro.

Para o meu gosto pessoal, o segundo harmonizou maravilhosamente com a paella. A mineralidade dos frutos do mar combinou bem com acidez do vinho, e os sabores extravagantes do açafrão casaram com os seus toques frutados.

Enfim, continuo não sendo um grande apreciador, mas tenho que admitir - com os frutos do mar, em uma tarde quente de verão, eles vão muito bem, sim, senhor ...

Ah, sim - outra vantagem dos vinhos verdes é que eles são relativamente baratos, para vinhos europeus. O Muralhas de Monção saiu por cerca de 40 reais a garrafa, e o Deu-La-Deu, um pouco mais conceituado, saiu na faixa de 65 reais.

Os dois foram comprados na Cia. do Whisky, na loja do Brooklin, aqui em Sampa.