quinta-feira, 31 de março de 2011

Crônicas de Mendoza - Balanço Final

Para encerrar este capítulo da viagem a Mendoza, resta fazer um rápido resumo do melhor e do pior que encontramos por lá :

Tenho dois destaques altamente positivos.

O primeiro foi o almoço maravilhoso na Terrazas de Los Andes, num lugar lindo, com um serviço perfeito, comida ótima e vinhos muito bons. Além de tudo, a harmonização foi muito bem planejada e executada, com cada passo sendo cuidadosamente descrito pelo maître que nos atendia.

O segundo destaque fica por conta dos espetaculares vinhos da Viña Cobos, que nos seduziram completamente.

Só consigo pensar em um único destaque negativo : o decepcionante almoço nas Bodegas O. Fournier, que, apesar dos vinhos excelentes, frustrou nossas expectativas com um atendimento descuidado e sem qualquer preocupação com a correta harmonização.

Ouras recomendações a quem se interessar a ir a Mendoza : não perca a Sala de Aromas da Belasco de Baquedano e não deixe de ver o pôr-do-sol na Bodegas Septima.

No mais, a viagem foi pra lá de perfeita : bons vinhos, lugares bonitos, comidas interessantes - e companhia muito, mas muito divertida !

Que venha agora a próxima - Chile ? Toscana ? Borgonha ?

Um brinde à Guillermina, à Adriana, ao Adalberto, à Cláudia, ao Sebastian, ao Chico - e um especial, é claro, à Tereza !

quarta-feira, 30 de março de 2011

Crônicas de Mendoza - Parte 10 - Belasco de Baquedano


A última vinícola que visitamos nesta nossa inesquecível jornada foi a Belasco de Baquedano, também de propriedades de investidores espanhóis, e também localizada em Lujan de Cuyo.

O grande destaque da Belasco de Baquedano - aliás, foi o que nos levou até ela - é a sua Sala de Aromas : uma área especial, onde há dezenas de pequenos postes metálicos suportando umas caixas cilíndricas de acrílico. A brincadeira consiste em curvar-se, aproximar o nariz da boca da caixa de acrílico e girar a manopla que a "destampa". Sai de lá de dentro um aroma específico, muito intenso, que deve ser associado a um dos aromas que a gente normalmente atribui aos vinhos - frutas (morango, framboesa, pêssego), flores (violeta, rosa, jasmim) ou outros (fumo, manteiga, capim).

Atrás de cada postezinho há uma placa identificando o aroma - mas a graça está, obviamente, em cheirar antes de ler a tal placa, e tentar identificar o aroma. É muito divertido - inclusive pelo fato de a gente perceber que não é muito fácil fazer essa adivinhação correta. É a tal da memória olfativa sendo exercitada - algo que ajuda muito na apreciação do vinho.


Almoçamos na vinícola, em um belo restaurante, todo envidraçado, tendo os vinhedos ao redor. Ocorreu aqui o mesmo desleixo que tínhamos registrado na O.Fournier - não houve propriamente harmonização, os garçons se limitavam a colocar os vinhos da bodega sobre a mesa, enquanto os pratos eram servidos.

Todos os vinhos da Belasco de Baquedano são feitos à base de malbec.

Provamos um Rosa de Argentina Malbec Rosé 2008, para dar início aos trabalhos ...

Depois, passamos aos tintos - Loan 2009, AR Guentota 2007 e Swinto 2008. Todos eles de puro malbec, todos eles corretos, nenhum deles encantador. O Swinto, top de linha da vinícola, foi o que mais nos agradou - mas definitivamente nada que mereça grande destaque, especialmente depois das coisas estupendas que andamos bebendo por aqui estes dias ...

Terminamos a refeição com um vinho estranho chamado Antracita Malbec Vendimia Tardia, um vinho doce que tem um certo sabor de "vinho do porto" - e não nos agradou nem um pouco.

Enfim,a visita vale mesmo - e eu recomendo fortemente - pela tal Sala de Aromas, e nada mais.

Adriana e Cláudia, provando que são mesmo as musas da socialização, fizeram uma nova amiguinha por lá.

terça-feira, 29 de março de 2011

Crônicas de Mendoza - Parte 9 - Viña Cobos


Meus amigos, quem lê este blog sabe que eu não costumo valorizar demais os tais pontos que são dados a cada vinho pelos sábios Robert Parker, Wine Spectator e outros menos cotados. Como diz meu amigo Mario Trano, do blog MondoVinho, o melhor mesmo é beber cada vinho e chegar às suas próprias conclusões.

Mas, convenhamos, às vezes eles têm razão, né ?

Nosso próximo ponto de parada, na viagem a Mendoza, foi na mitológica Viña Cobos, também localizada em Lujan de Cuyo, a poucos quilômetros de distância do centro da cidade. A vinícola é bonita, o espaço destinado aos visitantes é elegantíssimo e a degustação foi conduzida com extremo profissionalismo pela Mariana, gentil e atenciosa.

A Cobos tem quatro linhas de vinhos bem marcadas.

A linha mais básica é a Felino, composta por quatro rótulos : Chardonnay, Merlot, Malbec e Cabernet Sauvignon. Provamos um Felino Chardonnay 2009 e um Felino Merlot 2009.  O Chardonnay estava cremoso, rico em aromas - pêssego, pêras maduras, maçãs - e foi um bom começo. O Merlot já foi a primeira das boas surpresas da visita : aromas de cerejas e frutas negras, taninos elegantíssimos e suaves - e vejam que se trata de um vinho bem novo, de apenas dois anos.

A linha seguinte é a Bramare, com três rótulos : um Malbec e um Cabernet Sauvignon dos vinhedos de Lujan de Cuyo e um Malbec do vinhedo do Valle de Uco. Bebemos, encantados, um Bramare Cabernet Sauvignon 2008. No nariz, frutas negras e toques de aromas terciários como madeira e tabaco. No paladar, uma delícia ! Um vinho estruturado e aveludado, macio, macio ...

A terceira linha é a Bramare Marchiore Vineyard, com rótulos de Chardonnay, Malbec e Cabernet Sauvignon, colhidas nesse vinhedo exclusivo da vinícola. Infelizmente - ou desafortunadamente, como se diz por lá, a degustação não incluía estes rótulos ... Que pena !

E o topo, o ápice da linha, são os vinhos chamados simplesmente de Cobos. São dois rótulos - o Malbec e o Corte Único, este feito com malbec e cabernet sauvignon. Provamos apenas o primeiro, um Cobos Malbec 2007 - e chegamos à conclusão de que, neste caso, o Robert Parker tem razão ... Ele deu 99 pontos a este vinho. Foi, sem dúvida, o melhor vinho que tomamos nesta nossa viagem. Um vinho elegante, estruturado, complexo. Ah, sim - e também gostoso !

Segundo a simpática Mariana, o Cobos Malbec é um vinho que não deve ser servido para acompanhar as refeições, mas sim depois das refeições - na hora de prolongar o bate-papo entre amigos e saborear cuidadosamente este vinho espetacular.

Podemos concordar ou não com a Mariana, mas que o vinho é realmente espetacular, disso não resta nenhuma dúvida !

A má notícia - o Cobos Malbec custa cerca de 600 reais por aqui ... Comprei duas modestíssimas garrafinhas na vinícola, ao preço de 240 reais cada uma. A boa notícia - o Felino não custa mais do que 60/70 reais nas lojas brasileiras. Vale a pena, e muito. Como se diz, é uma excelente relação custo/benefício.
Vejam a satisfação do Sebastian retirando-se com suas aquisições !

Crônicas de Mendoza - Parte 8 - Bodega Septima


A visita à Bodega Septima, em Lujan de Cuyo, teve um toque diferente das demais : o programa lá consistia em ver o entardecer do alto do belo terraço da vinícola - naturalmente, degustando uma tacinha ou outra, que ninguém é de ferro ...

A bodega pertence aos espanhóis da Codorníu, a grande fabricante dos espumantes (cavas) espanhóis da Catalunya. O prédio, sóbrio e elegante, tem a fachada toda em pedras, que harmoniza com o agreste da paisagem.


Fomos recebidos em um restaurante muito bonito, já com uma simpática e refrescante taça de Maria Codorníu Extra Brut, um espumante feito pelo método tradicional, com chardonnay e pinot noir. O restaurante tem uma parede toda envidraçada que dá para o belíssimo terraço, cheio de sofás e cadeiras confortáveis, de onde se descortina o imenso vinhedo que se estende ao redor da vinícola.

Imaginávamos que teríamos uns petiscos para a degustação - uns queijinhos,uns salgadinhos. Pra nossa surpresa, era muito mais do que isso : uma refeição completa, com muitos pratos para compartilhar, Nós, que tínhamos almoçado tarde no Cavas Wine Lodge, nem pudemos apreciar tudo devidamente ...

E os vinhos ? Bem, provamos um Septima Rosé Malbec 2009, e depois um Septima Malbec 2009. Nenhum dos vinhos nos encantou - são vinhos normais, para todo dia, com preços equivalentes, mesmo no mercado brasileiro.

O melhor vinho da bodega, na minha opinião, é o Septima Noche Pinot Noir - que não foi servido na degustação, e pode ser encontrado no Brasil por preços ao redor de 70 reais.

Resumo da ópera - se os vinhos em si não justificam a visita à Septima, a vista do pôr-do-sol do alto daquele terraço justifica, e muito ! Um espetáculo pra ser aplaudido - a gente só não aplaudiu por que, em geral, estávamos com uma taça de vinho em uma das mãos ...



Um espumante ao cair da tarde ...

sexta-feira, 25 de março de 2011

Crônicas de Mendoza - Parte 7 - Cavas Wine Lodge


Bem,  o Cavas Wine Lodge não é uma vinícola - é, na verdade, um hotel, belamente situado no centro de uma grande área coberta de vinhedos. Decidimos almoçar por lá por conta das boas referências que tínhamos ouvido e também por efeito do belo site na web - confira  clicando aqui.

O local é realmente belíssimo - nada mais estimulante do que dar um passeio por entre as parreiras carregadas de cachos de malbec, depois de uma alentada refeição, regada, naturalmente, a muito vinho bom.
Guillermina, feliz da vida, entre os cachos de malbec

Não que a comida em si estivesse estupenda - não estava, estava just OK. Mas o lugar é bonito, o serviço é excelente, e os vinhos estavam no ponto.



Bebemos um Alta Vista Premium Torrontés 2010 - já disse por aqui que a torrontés foi um encantamento, uma descoberta pra lá de auspiciosa nesta nossa viagem. Ainda nas entradas, passamos a um La Flor Sauvignon Blanc 2010, da vinícola Pulenta, que estava do mesmo nível.





Na hora dos tintos, elegemos um Brioso 2007, um vinho assinado por Susana Balbo, a enóloga da casa Domínio del Plata. Susana é uma das mais importantes enólogas argentinas dos dias de hoje, e uma incansável lutadora pela promoção mundial dos vinhos argentinos. Se você colocar o nome dela no Google, vai encontrar centenas e centenas de entradas relevantes.

O Brioso é um blend de cinco uvas, à base de cabernet sauvignon e malbec. Um bom vinho, que reúne a potência e a estrutura da cabernet à fruta (sempre presente !) da malbec.

Terminamos tudo com um delicioso La Celia Late Harvest 2008, dourado brilhante, que brilhava ainda mais debaixo do sol forte do final da tarde entre as parreiras.

Saúde !

Crônicas de Mendoza - Parte 6 - Achaval Ferrer


Next stop : Achaval Ferrer, a conceituada vinícola que produz vinhos feitos excusivamente de malbec - são bem conhecidos no mercado brasileiro, e bem caros por aqui ...

A visita à vinícola foi ótima - especialmente porque tivemos a chance, meio rara, de ver o pessoal trabalhando. Eles estavam selecionando as uvas manualmente - um processo que é complementar ao desengace ou desengaço, processo mecânico feito por grandes máquinas que separam os bagos das uvas dos engaços - ou seja, os ramos e talos dos cachos.


A degustação ficou um pouco abaixo da nossa expectativa : os vinhos em geral estavam bons e corretos, mas sem o brilho que se espera de garrafas que custam tão caro para os nossos pobres bolsos brazucas.

Começamos a brincadeira com um Achaval Ferrer 2009, o vinho mais básico da vinícola. Visivelmente, o vinho não estava ainda pronto : taninos agressivos lhe davam um excesso de adstringência que amarrava a boca. Aliás, de forma geral, não gosto dessa idéia de comprar um vinho que deve ainda permanecer na garrafa por alguns anos antes de ser bebido. Claro que há alguns vinhos chamados de guarda que devem passar por esse processo para serem enriquecidos, melhorados - mas, se eu cismar de comprar um desses e abri-lo imediatamente, o vinho tem que estar bom ... Não é o caso deste.

Depois, veio um Achaval Ferrer Quimera 2008 - superior ao outro, em qualidade e em preço. Este já apresentava um bom equilíbrio entre a fruta (característica da malbec) e a acidez, mas ainda sem nos encantar.

De qualquer forma, como o meu querido amigo Sebastian comprou umas garrafinhas desse vinho, firmamos um pacto solene : vamos abri-las em conjunto, assistindo a um jogo do Brasil durante a Copa do Mundo de 2014 - vamos ver se ele melhora, mesmo, conforme anunciado ... (registro aqui esse pacto para evitar que o Sebastian mude de idéia nos próximos três anos e decida bebê-lo sozinho. Vocês são testemunhas !)

A linha seguinte da vinícola é a linha dos chamados single vineyard : são vinhos produzidos com uvas malbec de um único vinhedo. A Achaval Ferrer produz três rótulos assim: o Finca Bella Vista, o Finca Mirador e o Finca Altamira. Provamos o Achaval Ferrer Malbec Finca Bella Vista 2008. De novo - um bom vinho, correto e interessante, que não nos entusiasmou.

E pensar que esses vinhos single vineyard, no Brasil, chegam a custar 400 ou 500 reais !

Fechamos os trabalhos com um curioso e saboroso Achaval Ferrer Dolce 2010, um vinho de sobremesa feito com as uvas malbec colhidas mais tarde, o que acentua seu teor de açúcar.

Resumo da ópera - a visita foi bacana, mas os vinhos não me seduziram totalmente (principalmente quando comparados a outras maravilhas que iríamos beber dentro em breve - não percam !)


Observem como a gente presta atenção no guia ... Viu ? Não se trata só de encher a cara !

quarta-feira, 23 de março de 2011

Crônicas de Mendoza - Parte 5 - Bodegas O. Fournier


Nós tínhamos, a Tereza e eu, uma expectativa muito grande em relação ao almoço nas Bodegas O. Fournier.

Isso por uma simples razão : dois anos atrás, visitamos a vinícola e ficamos absolutamente encantados com tudo : o cenário, a visita em si, os vinhos espetaculares - e o lindo restaurante, com pé-direito duplo, todo envidraçado, com vistas para os vinhedos e para as montanhas ao longe.

Como daquela vez não tínhamos almoçado lá, decidimos - desde o primeiro momento ! - que, nesta viagem, nós o faríamos.

E fizemos.

E foi decepcionante ...

Isto é, a vinícola e o entorno continuam sendo muito bonitos e - o que é melhor - os vinhos continuam muito bons. O problema é que o tal almoço com harmonização simplesmente não existiu ...

O que tivemos foi um almoço - comida razoável - e os vinhos da vinícola sendo depositados diante de nós, sem a menor preocupação em realmente harmonizá-los com os pratos. Muito diferente do que tínhamos provado antes, na Terrazas de Los Andes.

Enfim, nada é perfeito, suponho.

Os vinhos continuam sendo ótimos. A Bodega O. Fournier é de origem espanhola (o nome todo é Ortega y Fournier), e eles ainda produzem vinhos na Espanha (em Ribera del Duero) e também no Chile, além dos que são produzidos aqui em Mendoza.

Demos início aos trabalhos com um Beta Crux Sauvignon Blanc 2009 - estava suave e refrescante, mas não se destacou muito no cenário dos brancos que já provamos por aqui.

A seguir, um Urban Uco 2009, um blend de malbec e tempranillo (a uva mais representativa da Espanha) que foi o mais fraco da visita - um tinto sem personalidade, de pouquíssima permanência na boca.

E aí a coisa começou a ficar muito boa ...

A garrafa seguinte foi um Beta Crux 2007, tinto - também um blend de malbec e tempranillo, com toques de cabernet sauvignon e syrah, mas que diferença ! Um vinho macio, redondo, cheio de nuances e de camadas de aromas e de sabores. A malbec contribui com a fruta e a potência, a tempranillo adiciona uma acidez marcante - e a syrah se encarrega de "temperar" o aroma com especiarias e pimentão.Um grande vinho, um dos melhores que tomamos nesta viagem !




E terminamos com um Alpha Crux 2003, o top de linha da vinícola : outro blend, outro grande vinho ! Este mistura a tempranillo e a malbec com a merlot, gerando aromas e sabores bem diferentes do anterior. Para o meu gosto pessoal, ainda prefiro o outro - mas este é um ótimo vinho, sem dúvida.


Terminamos o almoço, levantamos e fomos embora - ninguém veio nos procurar para fazer a visita que já estava agendada ...

Resumindo : nota dez para os vinhos, nota seis para o almoço, nota dois para o serviço e a recepção aos visitantes.
Adriana, Cláudia, Gui e Tereza - observem a quantidade de copos que as meninas têm diante delas !

segunda-feira, 21 de março de 2011

Crônicas de Mendoza - Parte 4 - Clos de Los Siete


Mais uma etapa de nossa árdua, duríssima trajetória por Mendoza - o pit stop agora era na Clos de Los Siete, mitológica vinícola que conta com o suporte do enólogo Michel Rolland.

Esse Michel Rolland faz parte de um grupo que as revistas de vinhos estão chamado de flying winemakers, isto é, enólogos de renome, em geral franceses, que vendem seus serviços a dez ou doze vinícolas espalhadas pelo mundo - Chile, Argentina, África do Sul, Estados Unidos, Nova Zelândia - e, é claro, Europa.

Nossa primeira surpresa foi descobrir que a Clos de Los Siete não é uma vinícola - na verdade, são sete vinícolas juntas. Cada uma produz seus próprios rótulos, com as uvas plantadas em suas próprias vinhas. Só que, uma vez por ano, eles se reúnem, sob a direção do Michel Rolland, escolhem os melhores vinhos de cada vinhedo e produzem um blend que recebe o nome de Clos de Los Siete, que leva a assinatura do mestre francês. Bela jogada de marketing, né ?

A estrutura de recepção de visitantes é meio capenga, talvez por conta exatamente do fato de serem sete vinícolas. Nós só pudemos visitar uma delas, a Monteviejo - era a única da qual nossa guia  tinha a chave ... A guia se atrasou em relação ao horário que havíamos marcado, não conseguiu acender as luzes de algumas partes da vinícola - enfim, esteve longe de ser perfeito.

Notem as janelas feitas com os tampos de enormes barricas antigas
Mas o importante é que pudemos fazer a visita e provar os vinhos.

Começamos com um Malbec Rosé L'Argentin de Malartic 2009. Como diz a Tereza, "rosé não é exatamente vinho" : é mais uma bebidinha refrescante, sem grandes predicados ... Caiu bem, já que o calor estava forte. (Já imagino a ira dos amantes dos rosés me xingando ...)

O Linda Flor Chardonnay 2007 que veio a seguir estava incomparavelmente superior - um chardonnay equilibrado, longe daqueles excessos de madeira que a gente de vez em quando encontra por aí. A madeira está lá, presente, mas não mata a fruta.

No terreno dos tintos, provamos um Clos de Los Siete 2009 e um Monteviejo 2006 : os dois são blend de diversas castas, os dois estavam corretos e bem-feitos, nenhum dos dois nos impressionou grandemente.

Fechamos a degustação com o melhor vinho desta etapa : um belo Linda Flor Malbec 2006, sedoso e estruturado, cheio de personalidade, redondo na boca. Como esses argentinos sabem fazer bons malbecs ! Pra quem ainda liga para esses indicadores, este vinho levou 93 pontos de Robert Parker (amém ! amém !) e 92 pontos da Wine Spectator. Ficaram impressionados ?

E tem mais - em uma escala de um a cinco, este vinho levou 4 pontos na escala NS - ou seja, o humilde escrevinhador deste blog ... É mole ?!?

Cláudia e Chico se preparam para dar início aos estafantes trabalhos do dia

Torrontés, uma rainha dissimulada

Torrontés é o nome da uva que os argentinos vêm utilizando, há algum tempo,  para produzir um ótimo vinho branco que ainda é pouco conhecido por aqui.

Historicamente, a uva torrontés se originou na Espanha, na região da Galícia, onde ela às vezes é chamada também de albillo mayor. Há uma enorme (e meio chata) discussão sobre se a torrontés argentina é mesmo originária da espanhola, ou se se trata de uma uva autóctone.

Para nós, mais interessados em beber o vinho, essa discussão é menos importante, concordam ?

Já o vinho ...

Bem, o vinho é importante ! O vinho que os argentinos estão produzindo com a torrontés, especialmente na região de Salta, no noroeste do país, é um vinho muito, mas muito interessante e ainda pouco explorado por nós, bebuns brazucas.

O aroma dos vinhos brancos da uva torrontés é doce, suave, remete a frutas e flores. Você aproxima o nariz da taça e já antecipa : sabe que vai provar um vinho branco gentil e amigável, desses bem joviais, que se bebe na beira da piscina em uma tarde ensolarada.

E aí você dá o primeiro gole - surpresa ! Sim, a bandida da torrontés é mesmo dissimulada : o vinho é muito mais seco e ácido do que o seu aroma indica. No lugar da esperada suavidade meio neutra, você encontra um sabor complexo, rico, de muita personalidade.

Dá pra beber na beira da piscina ? Claro que dá, mas dá também - e muito bem ! - para acompanhar uma refeição encorpada, peixes, frutos do mar, risotos. Ainda não provei, mas suspeito que deve também ir muito bem com a culinária oriental - sejam sushis e sashimis, sejam as condimentadas experiências gastronômicas tailandesas.

Fechando com chave de ouro : os preços são muito razoáveis ! Só como exemplos, você pode comprar o bom Leonardo Torrontés, de O. Fournier, por cerca de 25 reais no site da Vinci Vinhos, ou então o Andeluna Torrontés por 34 reais, na World Wine.

Acho que a torrontés tem tudo para ser a rainha - dissimulada ! - dos brancos da Argentina, como a malbec é para os tintos.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Crônicas de Mendoza - Parte 3 - Terrazas de Los Andes


Sigo comentando as vinícolas que visitamos durante nossa visita a Mendoza.

Dia de almoço com harmonização na Terrazas de Los Andes. São vinhos bem conhecidos e populares no mercado brasileiro, e tínhamos recebido a informação de que a vinícola era muito bonita e a visita muito agradável - e  foi mesmo, podem acreditar !

O local é realmente lindo, tanto na área externa - toda gramada e cheia de redes, espreguiçadeiras e cadeiras confortáveis - como na área interna, onde fizemos nosso almoço. A harmonização acontece de verdade : para cada prato provado, o maître informa na mesa as características do vinho que está sendo servido, e a razão pela qual ele harmoniza com aquele prato específico. Um serviço de alta qualidade, muito simpático e gentil.


Começamos com um espumante rosé que, se não estava fantástico, pelo menos estava refrescante - e bonito, como se vê na foto aí abaixo.



Depois, um belo Terrazas de Los Andes Torrontés Reserva 2010 - aliás, esta uva branca que los hermanitos vem explorando com bastante sucesso merece um post à parte, que eu vou fazer mais tarde. O Terrazas Reserva é um vinho aromático, perfumado. Seu aroma induz a gente a acreditar que vamos tomar um vinho doce - e na boca, ele é surprendentemente ácido, seco, e muito saboroso.

Em seguida, um grande vinho : o tinto Cheval des Andes 2006. Este vinho é produto de um trabalho conjunto da Terrazas com a Cheval Blanc, a grande vinícola francesa de Bordeaux. Aliás, o vinho é feito na tradição bordalesa, com um blend de uvas cabernet sauvignon, malbec e petit verdot.


Finalizamos esparramados pela bela área verde ao redor do salão, bebericando um Afincado Tardio 2004, feito da rara uva petit manseng, originária do sudoeste da França. Um vinho de sobremesa untuoso, que enche a boca e o nariz, com aromas de frutas tropicais e de mel.




Sebastian e Guillermina curtindo o Afincado Tardio

Enfim, meus amiguinhos : um programa pra lá de recomendável, para quem estiver passeando por aquelas bandas.

Saúde !

quinta-feira, 17 de março de 2011

Crônicas de Mendoza - Parte 2 - Bodega Atamisque


Um pouco antes de partir para Mendoza, troquei algumas mensagens com o Mario Trano, autor do delicioso blog MondoVinho. Eu dizia a ele que gostava de visitar vinícolas pouco conhecidas, cujos vinhos são mais difíceis de encontrar por aqui - mesclando essas visitas naturalmente, com aquelas que eu já sei que são ótimas ...

Pois esse é exatamente o caso da Bodega Atamisque, na região de Tupungato.

No primeiro contato visual, assustamos - ao longe, o edifício parece rústico demais, quase um galpão. Só ao nos aproximarmos é que vimos que, na verdade, ele é construído desse jeito de propósito, para harmonizar visualmente com o cenário ao redor - uma boa sacada de arquitetos competentes.

A área onde se faz a degustação é muito bonita, e tem uma parede envidraçada que dá para o depósito onde estão as barricas de carvalho, onde o vinho descansa e ganha sabores e aromas.


Começamos a degustação com um espumante, Cave Extrême, produzido pelo método champenoise e com a clássica formulação de chardonnay e pinot noir - geladinho, refrescante.

Depois provamos a linha de varietais chamada Catalpa, nas versões malbec, merlot e pinot noir - este último me pareceu o melhor, um pinot noir sedoso, de aroma delicado e sabor marcante.

Concluímos com um dos tops de linha, o Atamisque Assemblage, mescla de malbec, cabernet sauvignon e merlot.

Conclusão final ? Nada de especialmente marcante. Bons vinhos, a preços honestos, em um local bonito e bem planejado.

Como a vinícola é relativamente nova - sua primeira colheita foi apenas em 2007 - pode ainda evoluir. Ao que consta, os vinhos da Atamisque chegam ao Brasil através da importadora World Wine - confesso que eu nunca os havia encontrado por aqui antes ...

Enfim, foi um bom começo !

Crônicas de Mendoza - Parte 1

Nivaldo, Tereza, Sebastian, Adriana, Chico, Cláudia, Guillermina e Adalberto

Semana de Carnaval, samba, suor e cerveja para os aficcionados - para nós, um excelente momento de revisitar a bela região de Mendoza, na Argentina, e suas vinícolas cada vez mais esmeradas nos serviços voltados para os turistas que gostam de bons vinhos.

Lá fomos nós, num agradabilíssimo grupo de 8 pessoas.

Bebemos, comemos, rimos, falamos bobagens de todo tipo - em uma palavra, nos divertimos muitíssimo !

Vou começar a comentar aqui no blog, a partir de hoje, as vinícolas que visitamos, os vinhos que bebemos, os aspectos positivos - e os nem tão positivos - dessa grande viagem.

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