quarta-feira, 21 de março de 2012

Será que vamos ter que parar de tomar vinhos importados ?

Quando eu tinha meus 25 anos, aí por volta de 1980, era muito difícil encontrar vinhos importados aqui no nosso mercado.

Quando muito, você encontrava coisas que ficavam pouco acima (ou abaixo ?) da mediocridade : um Mateus Rosé, um Liebfraumilch "da garrafa azul". Em algumas cantinas do bairro do Bixiga, aqui em Sampa, você encontrava aquele Chianti da garrafinha bojuda, envolta em palha - e isso era praticamente tudo.

Hoje em dia, a gente "padece" do problema oposto : às vezes, há tanta variedade em oferta nas lojas especializadas, nos supermercados, na Internet - que a gente fica meio sem saber por qual rótulo optar ...

Por incrível que pareça, meus amigos, há gente que vem se esforçando seriamente para voltarmos àquela realidade lá do primeiro parágrafo ...

Segundo notícias publicadas na imprensa nos últimos dias, o governo federal, pressionado pelos produtores brasileiros de vinhos, estaria estudando a adoção de duas medidas : aumentar o imposto de importação de 27 % para 55 %  ou exigir que o produtor estrangeiro envie para cá garrafas com o rótulo impresso em português.

Caso uma das duas propostas seja de fato aprovada e implementada pelo governo, os preços ao consumidor (nós) vão disparar - e até, eventualmente, tornar simplesmente impossível encontrar por aqui um vinho europeu ou americano de qualidade. Ninguém imagina a sério que grandes produtores franceses, italianos, portugueses vão se dedicar a imprimir rótulos em português, para atender nosso mercado ainda incipiente diante do volume do mercado mundial.

Impressionante é que, segundo alguns números oficiais de institutos de estatística (disponíveis na Internet), apenas 17 % do mercado de vinhos no Brasil é formado pelos chamados "vinhos finos", onde há de fato uma concorrência fortíssima dos importados. O restante, os outros 83 % do mercado, é formado pelos chamados "vinhos de mesa" - e aqui, o mercado é ampla e confortavelmente dominado pelo produtor nacional. Ou seja : estão reclamando de quê, exatamente ?

O discurso lembra muito aquela velhíssima , arqueológica discussão da famigerada reserva de mercado da informática, que foi imposta pelo governo militar nos anos 70. É aquela conversinha fiada : se a gente proibir, por apenas alguns anos, a entrada do produto estrangeiro, a indústria nacional vai ganhar fôlego para florescer e finalmente ofertar produtos de ótima qualidade e preço ... Qualquer um que tenha vivido o período da reserva de mercado na informática sabe o que foi que ocorreu : um atraso de várias décadas na indústria brasileira.

Por outro lado, ninguém nega que o vinho brasileiro vem realmente galgando padrões de qualidade cada vez mais altos. Produzimos, hoje, excelentes espumantes, vinhos brancos de boa qualidade, e estamos melhorando nos tintos. E isso aconteceu - surpresa ! - precisamente nos últimos anos, quando mais e mais estivemos expostos ao vinho importado ...

Resulta daí aquilo que é óbvio : o que melhora a qualidade do produto nacional (seja vinho, automóvel, álbum de figurinhas ou sanduíche de mortadela) é exatamente a concorrência com o produto importado, não o retrocesso às práticas que a gente supunha já banidas para a famosa lata de lixo da História ...

Há um abaixo-assinado eletrônico, que será enviado ao governo federal, pedindo para que esse aumento de impostos não seja levado a cabo. Se você deseja assinar, clique aqui.

 

sábado, 17 de março de 2012

Cuscuz e chardonnay

Ontem, o jantar aqui em casa foi fantástico ! Tereza, cada vez mais audaciosa nas suas investidas culinárias, decidiu atacar um prato que a mim, leigo total, sempre pareceu muito difícil de executar : um cuscuz de camarão.

Sempre gostei muito de cuscuz, especialmente daquele que é servido como entrada no magnífico restaurante Amadeus, um paulistano de alta gastronomia focado em peixes e frutos do mar.

Pois pasmem vocês, distintos leitores deste blog, como eu também pasmei : o cuscuz da Tereza ficou soberbo, digno de fazer inveja ao do Amadeus ! E nem foi tão difícil de fazer : o que dá mais trabalho, na verdade, é o preparo dos ingredientes, que tem que ser bem picadinhos (claro que esse trabalho braçal, que não demanda rigorosamente nenhum talento, ficou quase todo nas mãos deste humilde blogueiro ...)

Bacana é que o tal do cuscuz, além de delicioso, ficou muito bonito - você sabe como a coisa funciona (como nos ensinam os mestres japoneses) : a gente começa a apreciar a boa comida pelos olhos, pela aparência, pelo jeitão da coisa. Vejam vocês mesmos :


Deu água na boca, não deu ? Sejam sinceros ...

E a harmonização também ficou muito boa, e com um vinho simples e barato : um chileno Cousiño Macul Don Luis Chardonnay 2011, um vinho honesto e bem feito. Aromas fragrantes de maçã verde e cítricos, com um toque de mel. Na boca, um vinho cremoso e frutado, que passa ligeiramente por madeira. O sabor marcante dos camarões do cuscuz combinaram bem, por contraste, com a cremosidade da chardonnay. E estamos falando de um vinho que não custa mais do que 30 reais.

Enfim, foi um belo jantar !

segunda-feira, 12 de março de 2012

Bordeaux - o relato de quem esteve lá



Meus amigos Michelle e Ricardo cumpriram, semanas atrás, um duro sacrifício : visitaram a região de Bordeaux, no sudoeste francês, e passaram alguns dias por lá, visitando vinícolas e – evidentemente ! – bebericando uns vinhozinhos ...

Michelle, que é uma leitora e uma incentivadora deste blog desde o princípio, enviou-me algumas informações, dicas e impressões sobre a viagem – que eu passo a compartilhar com vocês :

Chegamos a Bordeaux sexta à noite (por volta das 10 horas) e, como em toda cidade pequena da Europa, os restaurantes já estavam fechados ! (Já fica aqui a primeira dica: vá jantar por volta das 8:30, no máximo às 9 se quiser encontrar alguma cozinha aberta). Ficamos num hotel nos arredores de Saint Émilion (a 30 minutos de Bordeaux, de carro) por recomendação de amigos. O lugar é realmente lindo, mas hoje eu escolheria ficar num hotel no centro de Bordeaux, uma cidade maior, com mais opções de restaurantes e com gente andando na rua ...

A primeira visita foi ao Château Smith Haut Lafitte, na região de Martillac. O lugar é bonito, e o complexo inclui o vinhedo, um hotel e dois restaurantes (um deles tem uma estrela no conceituadíssimo Guia Michelin). Você pode almoçar no restaurante, mas eles não oferecem o serviço de harmonização dos vinhos - apenas recomendam um que possa combinar mais com o pedido. A visita foi em grupo e durou cerca de 20 minutos, sem muita emoção. O guia nos levou pelas adegas, dando uma explicação muito geral do processo. Passamos pelas adegas dos barris de primeiro e segundo anos e logo fomos tomar uma tacinha do branco e do tinto produzidos por eles, da safra de 2008. Como já conhecíamos o vinho não foi nada novo, e o guia também não deu nenhuma explicação sobre as características do vinho. Na verdade foi mais como um prêmio, ao final da visita,  do que como uma real degustação. No final da visita passamos pela adega subterrânea, com a coleção de garrafas desde 1800 e bolinha e na saída passamos pela lojinha para comprar algumas garrafas! As safras consideradas melhores são 2006, 2007 e 2009 e tem um bom custo beneficio (40-45 euros a garrafa).

A segunda visita foi ao Château Margaux, na região de Margaux. O tratamento foi bem diferente - a visita foi somente para nós, com uma guia super-simpática (Emily) nos explicando vários detalhes do processo e respondendo às mil perguntas que fazíamos. Visitamos o vinhedo e as adegas, já que a parte do Château (a casa em si) é propriedade privada da dona da marca.  Aprendemos que eles produzem parte dos barris que usam, e pudemos ver em ação o senhor que está lá há 40 anos fazendo os barris. Ele aprendeu a técnica com o pai e vai se aposentar este ano, mas, infelizmente, não tem na família ninguém para herdar o cargo - então já está treinando outra pessoa. Os tanques usados para a fermentação do vinho são todos de madeira, mas a guia nos informou que estão fazendo testes para começar a usar novos tanques, de aço inox. Perguntamos se não afetava o sabor do vinho e ela explicou que, como os tanques de madeira são usados em média por 30-60 anos, no final eles já não contribuem mais com nenhum gosto nem aroma ao vinho... Além disso, com os tanques de aço inox o controle de temperatura fica mais fácil. No final da visita fizemos uma “degustação” horizontal : provamos um Margaux e um Pavillon Rouge (segunda linha do Château) da safra de 2008. Também não tivemos explicação sobre características do vinho e para o meu paladar o Pavillon Rouge era mais gostoso (e muito mais acessível $$) do que o Margaux ! O Pavillon Rouge até que tem um custo razoável (150-180 euros, dependendo da safra) – em se tratando de um vinho do Château Margaux, é claro ... Eles não vendem vinho, nem têm restaurante na vinícola.

Observação deste blogueiro : ah, nada como desfrutar dos grandes vinhos : a Michelle já está desprezando, de saída, nada mais nada menos do que um Château Margaux !

A terceira visita foi ao Château Lafite Rotschild, na região de Pauillac. Esta foi a minha preferida! Tivemos um guia super-simpático (Nicholas) que trabalha no Château como relações públicas, degustador e até como supervisor de adega, na época da colheita. Como todo produtor de Bordeaux, este Château também tem duas adegas (para os barris do primeiro e segundo ano) - mas eles foram os primeiros a projetarem a segunda adega em formato circular. No meio da adega há uma área - como se fosse um palco -, onde são feitos os trabalhos necessários no barril. Com a disposição em círculo, o trabalhador tem todos os barris na mesma distância do “palco” e fica mais fácil controlar quais barris já foram trabalhados. Demos sorte, porque pegamos os trabalhadores fazendo o processo de racking nos barris – abrindo um por um da adega de segundo ano para ver como estava o nível de sedimento. Esse processo de racking leva um mês para ser concluído, e tem que ser repetido a cada três meses. Além disso, também estavam colocando três claras de ovo em cada barril para ajudar a retirar os sedimentos. Perguntamos o que eles faziam com a gema dos ovos : eles guardam e produzem um doce típico local ! O Nicholas nos comentou que por volta de maio/junho, quando já venderam a safra, e a adega de segundo ano fica vazia, eles fazem concertos na adega redonda (que tem uma acústica muito boa) seguida de degustação! Se alguém estiver por lá nessa época do ano, é uma dica legal. Diferente dos outros Châteaux, aqui eles produzem 100% dos barris utilizados. No final, o Nicholas trouxe uma garrafa de Lafite-Rotschild da safra de 1995 e encheu (encheu mesmo!) 3 taças -  e ficamos batendo papo, provando o vinho e observando o pessoal na adega. Mas mesmo depois disso, a minha parte preferida da visita foi quando passamos pela adega privada do Baron de Rotschild (aqui também tem o Château/casa privado dele) com 35.000 garrafas de todas as safras deles e dos outros Châteaux amigos ! Tudo o que eu queria era uma mala bem grande e meia horinha lá dentro .... Miseravelmente, aqui no Château Lafite Rotschild os preços - tanto da primeira como da segunda linhas - são muito altos, inflacionados pela alta demanda dos chineses. (Segunda linha : 500 euros a garrafa !).

Observação deste blogueiro – esse trecho sobre as três taças de Lafite Rotschild 1995 bem cheias são de matar de inveja qualquer mortal, né ??

No último dia, passeamos pela região de Saint Émilion e passamos pelos Châteaux Figeac, Canon e Angelus. Não conseguimos visitar nenhum deles (todos exigem  reserva com muita antecedência), mas tiramos fotos lindas do lugar! 


Michelle, feliz da vida, com seu Pontet-Canet

A Michelle ainda comenta que, na hora de comprar vinhos, é importante pesquisar, pois há enormes diferenças de preços de um local para o outro. Eles compraram umas boas garrafinhas na Comptoir des Vignobles. Vinhos que eles andaram bebendo por lá, além daqueles que foram degustados nas vinícolas : Château du Tertre 2005 (gostaram), Château Marzelle (não gostaram muito) e um Les Haut de Pontet-Canet, que levou algum tempo para abrir -e aí ficou delicioso.

Dica final – e preciosa ! – da Michelle : tente descobrir as segundas e terceiras linhas do maiores produtores – os vinhedos são os mesmos e o processo de produção quase sempre é igual. Somente muda a uva, ou a % de cada tipo de uva usada, mas com certeza são muito bons também!  

Michelle e Ricardo, nós, humildes admiradores, agradecemos profundamente o texto e as dicas !

Ricardo, visivelmente com sede ...

domingo, 11 de março de 2012

quinta-feira, 8 de março de 2012

E viva a Confraria do Ortiz !


Fomos convidados, Tereza e eu, para fazer parte da Confraria do Ortiz, um grupo de amigos (na maioria professores universitários) que, evidentemente, adora beber vinho, rir, falar bobagens ...

A Confraria do Ortiz está apenas na sua segunda reunião, e a festa foi na casa dos meus queridos amigos Janete e Vilalta, que nos receberam muitíssimo bem.



Vilalta bancou o mestre-cuca, e perpetrou duas magníficas lasagnas : uma, bem tradicional, à bolonhesa, e a outra, mais criativa, de bacalhau. Em comum entre elas, o fato de que estavam ambas igualmente deliciosas.



E o vinho ? Bem, para a lasagna à bolonhesa foi fácil - o molho à base de tomates e carne moída praticamente implorava por uma uva sangiovese ... O escolhido foi um Rèmole IGT 2009, de Frescobaldi - um toscano que mescla sangiovese com cabernet sauvignon (é aquele tipo de vinho que meu amigo Mario Trano apelidou de supertoscaninho). A combinação ficou ótima !

Para a lasagna de bacalhau, hesitamos entre um branco e um tinto, e decidimos provar ambos, é claro ! O tinto foi o português Paulo Laureano Premium 2008, um vinho do Alentejo, potente e bem estruturado. Na hora da harmonização, falhou : potência e estrutura demais, que se sobrepunham inapelavelmente ao sabor delicado da lasagna de bacalhau. É a velha história do vinho bom e da comida boa que, no entanto, não combinam entre si ...

O branco se saiu bem melhor - era o também português Defesa 2009, da Herdade do Esporão. Aromas de pêssego e frutas tropicais, e um sabor bem fresco, com boa acidez e uma excelente permanência em boca.

Agora, o que realmente harmonizou muito bem foi a companhia, pra lá de agradável e divertida. Um grupo delicioso, que já tem suas duas próximas reuniões confirmadas para os próximos meses.

Vilalta exibindo uma rara e caríssima garrafa de sua adega particular

segunda-feira, 5 de março de 2012

O vinho não foi feito para humilhar ninguém ...

Gosto muito de beber cerveja, mas confesso que não entendo nada de cerveja - apenas sei dizer se gosto ou se não gosto de determinadas marcas.

Você já ouviu alguém dizer uma frase como essa aí de cima ? Confesso que eu nunca ouvi ... Mas, curiosamente, ouço de muita gente frase semelhante referindo-se a vinhos ... Por que será ?

Foi a Tereza que me soprou a necessidade de escrever este post. Parece que o assunto dos vinhos tem esse poder meio intimidatório, meio assustador. Acho que muita gente se sente com a impressão de que o tema dos vinhos intimida, daí a necessidade de sempre afirmar alguma coisa como "eu não entendo nada de vinhos".

Muto bem, aqui vai uma novidade para você, dedicado leitor deste blog : não há nada, rigorosamente nada,  para se entender a respeito de vinhos ... Há que se gostar ou não gostar, apreciar ou não apreciar, preferir este ou aquele vinho - mas essa história de entender de vinhos, acreditem-me, é balela da grossa.

Já falei um outro post que o assunto dos vinhos é rigorosamente idêntico a qualquer outro assunto que a gente possa curtir ou se interessar - ciências, futebol, literatura, cinema, artes, sei lá ... Quem se interessa mais, procura conhecer mais - quem se interessa menos, satisfaz-se com conhecer menos. Ponto final.

Uma vez, numa frase clássica, o poeta maranhense Ferreira Gullar disse que "a crase não foi feita para humilhar ninguém". Foi essa frase que parafraseei no título deste blog.

Não vejo nenhuma razão para que o sujeito se sinta inferiorizado diante de alguém que "entende de vinhos" ...  Todo mundo tem na boca as mesmas papilas gustativas, todo mundo exerce o mesmo direito de ter seu gosto e seu prazer devidamente respeitados e apreciados pelos outros.

É claro que você, que está lendo este blog, sabe muito bem qual o vinho que lhe agrada mais dentre os que já bebeu. Pode até não lembrar do nome do vinho, ou da nacionalidade, ou de que uvas ele é feito. E daí ? Isso diminui o seu prazer, o seu gosto, a sua experiência gustativa ? É claro que não ! Na hora em que bebeu o vinho, soube de imediato se estava gostando ou não. Se bebê-lo outra vez, vai saber de novo, é óbvio. É só isso que conta - não há nada para se entender a respeito disso !

É evidente que alguns de nós (eu !!) gostamos de ter mais informações sobre o vinho - como ele é feito, quais as suas características mais marcantes, quem é o produtor, etc. Para isso, a gente pequisa na Internet, lê blogs como este e muitos outros, lê livros, etc. Se você também é assim, ótimo !

Agora, se você não é assim, isso em absoluto o impede ou o diminui na hora de expressar sua opinião - gostei, não gostei, achei muito bom, achei uma droga.

Não se intimide, em absoluto, diante daqueles caras que entendem de vinho - o único objetivo de beber vinho é o prazer que ele nos proporciona, pode ficar certo disso !

quinta-feira, 1 de março de 2012

Emporium Dinis, comportamento nota dez !

Em janeiro passado, no meu aniversário, Tereza me deu um daqueles presentinhos que eu adoro receber : um legítimo Barolo, o magnífico vinho italiano do Piemonte, chamado muitas vezes de "o rei dos vinhos e o vinho dos reis".

Semana passada, num jantar de sábado, decidimos abrir a preciosidade - e quase choramos de desgosto ... O meu precioso Barolo estava estragadinho ...

Já deu pra desconfiar assim que abrimos a garrafa - a rolha estava completamente infiltrada, ou seja, manchada de líquido até dois terços do seu comprimento. Isso pode ser sinal de problemas : se o vinho entrou pela rolha, é muito possível que o ar tenha entrado pelo caminho oposto, acelerando a oxidação do vinho. E não deu outra : o vinho estava descolorido, sem aroma nenhum, e com gosto de isopor ... Nada mais distante de um Barolo !

Na segunda-feira seguinte, levei tristemente a garrafinha à sua loja de origem - o Emporium Dinis, loja bacana de vinhos localizada dentro do Shopping Morumbi, aqui em Sampa. Eu estava meio ressabiado, ainda mais que tínhamos perdido a Nota Fiscal do bendito vinho.

Pois, meus amigos, o tratamento que me foi dispensado não poderia ter sido mais perfeito ! Eu expliquei o problema para um dos atendentes, que me pediu que esperasse enquanto ele chamava o gerente da loja. Este já veio lá de dentro me dizendo que não havia nenhum problema e que o vinho seria trocado imediatamente, como eu preferisse - por outra garrafa do mesmo vinho, ou por outro vinho que eu escolhesse. E ainda me pediu desculpas pelo acontecido !

OK, OK : sei muito bem que não fizeram mais do que a obrigação deles, e sei também que a garrafa defeituosa será provavelmente devolvida à importadora, sem maiores custos para a loja. O negócio é que a gente está tão habituado (infelizmente !) a ser maltratado na posição de consumidor que eu confesso que fui até a loja achando que eu teria que discutir, criar caso, brigar.

O fato de ter sido recebido de maneira gentil e compreensiva, o fato de terem acreditado em mim como cliente, o fato de terem tornado tudo tão admiravelmente simples - isso tudo representou, para mim, uma conquista e tanto.

Ficam aqui os meus parabéns e os meus agradecimentos ao Emporium Dinis (vejam o site deles aqui) - e fica também a promessa de que voltarei a comprar por lá sempre que possível.