sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Crônicas Lusitanas - Parte 2 - Os vinhos do Porto

Na Casa Ferreira, ao lado de um "balseiro" de 50.000 litros de precioso vinho do Porto


Ah, os vinhos do Porto ...

Sempre gostei de vinho do Porto, mas não há nada que se compare a bebê-los em Portugal – mais especificamente, bebê-los lá, nas próprias vinícolas da deslumbrante região do vale do rio Douro, onde eles são produzidos.

Acho que só agora, depois de visitar um grande número de vinícolas e de provar algumas dezenas de vinhos do Porto diferentes, começo – repito, começo – a ter uma ideia mais clara sobre as variedades e as imensas possibilidades desse vinho delicioso.

Vou falar um pouco, neste post, exatamente sobre as principais variedades de vinhos do Porto produzidas em Portugal.

Pra começo de conversa, é bom lembrar que o Porto é aquilo que os especialistas chamam de vinho fortificado – isto é, um vinho ao qual se adiciona uma determinada quantidade de aguardente vínica – uma espécie de conhaque, com alta graduação alcoólica. Essa aguardente vínica interrompe a fermentação natural do vinho. Portanto, o novo vinho é mais doce, por conta de algum açúcar residual que não chegou a ser transformado em álcool, já que a fermentação foi interrompida. Por outro lado, ele é também mais alcoólico, por conta da aguardente. O vinho do Porto costuma ter ao redor de 20o , enquanto o vinho de mesa em geral tem alguma coisa ao redor de 13o a 15o

Falando dos vinhos do Porto tintos, as principais categorias são as seguintes :

  • Ruby – Este é o vinho do Porto – digamos – mais básico : é um vinho jovem e frutado, um corte de diversas safras e de diversas cepas, que amadureceram pouco tempo em barricas de carvalho. Costuma ser um vinho brilhante e de cor vermelho-vivo. Há também os chamados Ruby Reserva, que ficam um pouco mais de tempo amadurecendo.
  • Tawny – Este já é um vinho um tantinho superior : também é um corte de cepas e de safras, mas, por ter ficado mais tempo em carvalho, ele é mais clarinho que o Ruby, e já começa a herdar do carvalho alguns dos seus aromas e sabores. Existem ainda os tawnies envelhecidos : são aqueles que trazem no rótulo a informação 10 anos, 20 anos, 30 anos. Isso não quer dizer que aquele vinho, especificamente, tenha essa idade, mas sim que ele foi produzido com um blend de vinhos que, na média, têm essa idade. Alguns destes vinhos são simplesmente espetaculares ...
  • Vintage – Este é o top dos vinhos do Porto. Ele é safrado, ou seja, é produzido com uvas de uma determinada safra - e o ano dessa safra deve estar expresso no rótulo. O Vintage é produzido apenas em anos excepcionais, quando o produtor julga que obteve um vinho realmente superior. Depois de deixá-lo envelhecendo por dois anos em carvalho, ele precisa ser analisado pelo Instituto do Vinho do Porto – que vai aprová-lo ou não como vintage. São vinhos maravilhosos – e caríssimos, é claro ! Embora engarrafados depois de 2 anos em carvalho (em geral), o vintage deverá envelhecer muito mais tempo na garrafa. A recomendação é de que um vintage só seja aberto 10 ou 15 anos – no mínimo – depois da data do rótulo. Comprei um Vintage 1999 – e espero abri-lo em 2015, quando completaremos 25 anos de casados ... 
  • LBV – A sigla significa Late Bottled Vintage – Vintage engarrafado tardiamente. Isto quer dizer que o produtor selecionou aquela safra pensando em fazer um vintage. Ao provar o vinho, dois anos depois, ele decidiu (ou o Instituto do Vinho do porto decidiu por ele ...) que o vinho deveria permanecer mais tempo em carvalho. Assim, o vinho é deixado por mais 5 anos, e depois é engarrafado. O LBV deve ser safrado, como o vintage, mas não demanda envelhecimento na garrafa, podendo ser bebido imediatamente.

E há ainda os vinhos do Porto brancos, que costumam ser inferiores aos tintos. No entanto, cheguei a provar, por lá, alguns brancos excelentes. Todos eles são doces, ainda que alguns tragam escrito no rótulo coisas como “meio-seco”. Geladinhos, são deliciosos como aperitivo ou para acompanhar frutas secas.

Vejam a maravilhosa diversidade de cores numa degustação de Porto

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Crônicas Lusitanas - Parte 1


Aqui estou eu, de volta das terras lusitanas, e disposto a contar, neste espaço, algumas das coisas que aprendi e bebi por lá ...

Rodamos três semanas por Portugal - foram mais de 2.000 km percorridos, passando por praticamente todo o país. Acho que só não estivemos no Algarve, bem no sul.

E começo estas crônicas falando logo de uma das coisas que mais me impressionou por lá, no terreno dos vinhos - os maravilhosos vinhos do Porto ... Por mais que já os conhecesse e fosse fã desde muitos e muitos anos, não há nada que se compare a provar os tais vinhos em Portugal, seja pela qualidade, seja pela imensa variedade disponível, seja ainda - não menos importante ! - por conta do preço que se paga por lá, muitíssimo mais barato do que a gente está acostumado ...

Pois dou partida a esta primeira crônica lusitana informando que, como todo bom turista, estive em Belém, na foz do rio Tejo, visitando os obrigatórios monumentos históricos de lá : a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerônimos (esplêndido!), o Monumento aos Descobridores ...

Ah, os pastéis de Belém !
Ainda cumprindo o papel de turista clássico, demos uma paradinha para provar os famosos pastéis de Belém, aquele doce tão português, crocante por fora e cremoso por dentro, feito à base de gemas de ovos e creme de leite.

Mas não somos apenas turistas clássicos - somos turistas ávidos por vivenciar novas experiências em matéria de vinhos, é claro ...

Vai daí que decidimos provar os pastéis com vinho do Porto. E ai surge a Primeira Grande Dúvida - qual vinho do Porto ? São tantos tipos, marcas, variedades, praticamente todas disponíveis em taças nos cardápios dos bares, cafés e restaurantes ... Ah, que angústia !

Como estávamos em três (Ester, Tereza e eu) optamos por pedir três tacinhas de três vinhos do Porto diferentes entre si, com dois objetivos em mente : 1 - entender melhor as diferenças ente os diversos Porto e 2 - descobrir qual deles harmonizaria melhor com o doce delicioso à nossa frente.

Pedimos então um Dona Antonia Reserva, um Quinta do Porto 10 Anos e um Duque de Bragança 20 anos - todos produzidos pela tradicional Casa Ferreira. Queríamos provar e comparar, in loco, as diferenças entre os vinhos da mesma casa.

Por ora, basta dizer que nenhum dos três era ruim, mas havia uma enorme diferença do Reserva para o 10 Anos (em termos de cor, aromas e sabores), e uma diferença bem mais sutil do 10 Anos para o 20 Anos.

O Reserva traz ao nariz aromas ainda bastante frutados, lembrando frutas bem maduras, cerejas ou amoras, mas também frutas secas. Sua coloração é de vinho tinto, límpido e brilhante, com marcados reflexos violeta.

O 10 Anos e o 20 Anos, que passam boa parte desses anos em carvalho, já não trazem tanta fruta madura - predominam aqui os aromas de frutas secas e um toque de especiarias. Sua cor é bem mais clara, transparente, e tende para o caramelo.

Estes últimos combinaram maravilhosamente com os pasteizinhos, de tal forma que fomos obrigados a pedir mais uma rodada ...







A propósito, ainda dentro destas Crônicas Lusitanas, mas num outro dia, escreverei um pouco sobre os diferentes tipos de vinho de Porto - coisas que aprendi por lá ... Não percam !