quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Um parque de diversões para quem gosta de vinho


A definição aí do título foi dada pela Tereza, e me pareceu perfeita !

Para comemorar meu aniversário, visitamos um novo bar em São Paulo, chamado Bardega - o slogan deles explica o nome esquisito : é uma adega que virou bar ...

A razão para o nome e para o slogan : o bar dispõe de doze máquinas Enomatic - aquelas maquininhas engenhosas que preservam até 8 garrafas de vinho abertas, e que servem de forma automatizada doses de 30, 60 ou de 120 ml do vinho selecionado. Você insere na máquina um cartãozinho com chip, seleciona o vinho e o tamanho da dose, e o preço é lançado no cartão. No final da noite, paga-se tudo de uma vez.

Além das maquininhas, o Bardega tem também uma boa e bem abastecida adega, mas a brincadeira legal é mesmo servir-se diretamente nas Enomatic. E isso, por duas razões : a primeira é que você pode, numa só noite, provar diversos vinhos, comparar sabores e aromas, avaliar as vantagens e desvantagens deste vinho sobre aquele outro, e assim por diante. A segunda vantagem, evidentemente, é que você pode se dar ao luxo de provar (ao menos provar ...) alguns daqueles vinhos icônicos, que permeiam as fantasias de todos os apreciadores, e que costumam ficar muito longe das possibilidades dos bolsos de gente como nós, pobres mortais comuns, que não somos capazes de desembolsar cifras de 4 dígitos numa garrafinha de vinho ...

Daí a boa sacada da Tereza : o Bardega é precisamente isso - um parque de diversões para gente que gosta de vinhos.

Não seria possível, em outro lugar, provar, numa mesma noite, coisas como :

  • Château Teissier Saint-Emillion Grand Cru 2007, de Bordeaux
  • Crozes Hermitage Allain Graillot 2008, das Côtes du Rhône
  • Château Cesseras Minervois - La Livinière 2006, do Languedoc-Roussillon
  • Château de La Gardine Châteneuf-du-Pape 2008, também Côtes du Rhône
  • Amarone della Valpolicella Speri 2007, do Veneto
  • Brunello di Montalcino Plan delle Vigne 2007, do Antinori, na Toscana
Tudo em pequenas doses (em geral, elegíamos as doses de 60 ml, selecionávamos uma para cada um de nós dois, e ficávamos - é claro ! - bicando na taça do outro).

Para fechar este pantagruélico festival, elegemos a chave de ouro : o Château d'Yquem Lur Saluces 1997, o mitológico vinho produzido em Sauternes, na região de Bordeaux, com as famosas uvas botrytizadas - isto é, uvas atacadas por um fungo, Botrytis Cinerea, que perfura a casca da uva, a faz perder água e, portanto, concentra o seu teor de açúcar.


O preço desse vinho é quase tão mitológico quanto sua qualidade - pagamos 140 reais por uma dose de 60 ml, que repartimos avaramente entre nós dois. 

Dois amigos, também blogueiros, tinham cantado essa bola para nós e falado maravilhas do vinho - a Evelyn Fligeri, do blog Taças e Rolhas, e o Mario Trano, do blog MondoVinho. Recomendo fortemente a leitura dos dois posts, já que eu não tenho nem de longe a mesma competência que eles para descrever as sensações de provar o Château d'Yquem.

Limito-me a dizer que ficamos fascinados - trata-se, definitivamente, de um vinho especialíssimo. A cor é encantadora, dourada, com reflexos laterais de ouro velho. O aroma é de uma complexidade inacreditável : a cada giradinha da taça, você descobre uma nova camada, uma nota diferente, uma coisinha qualquer que não havia percebido antes : mel, flores, amêndoas, canela, manteiga ... Na boca, a mesma complexidade e variedade, acrescidas de uma permanência que eu - confesso ! - jamais havia visto em nenhum outro vinho. Ficávamos minutos a fio sentindo na boca os sabores de cada gole, embevecidos.

Vale o preço de cerca de 1.500 reais a garrafa ? Bem, isso, claro, depende do seu bolso - mas que o vinho é muito superior, lá isso é.

Parafraseando Gonçalves Dias : Meninos, eu bebi !

Momento histórico : Tereza dá um gole na Mitologia







sábado, 26 de janeiro de 2013

Crônicas Lusitanas - Parte 7 - Bendita Dona Antonia !


Se você, distinto leitor, aprazível leitora, gosta de vinho do Porto, não se esqueça deste nome : Dona Antonia Adelaide Ferreira.

Dona Antonia, também conhecida como Ferreirinha, viveu na região do Douro durante o século XIX. Ficou viúva quando ainda era muito novinha, aos 33 anos, e dedicou-se de corpo e alma aos seus amados terrenos no Douro, onde produzia  cereais, amêndoas, azeitonas –e, of course, uvas viníferas.

Definitivamente uma mulher à frente do seu tempo, Dona Antonia era uma negociante dura e astuta. Aplicou-se em produzir seus vinhos do Porto dentro das mais perfeitas e acuradas técnicas, tanto no plantio e colheita das uvas como no seu processamento. Para isso foi buscar novas técnicas em outros países da Europa, como a Inglaterra. Lutou contra sucessivos governos que não davam lá muita bola para a produção do vinho – e lutou ferozmente contra a praga da filoxera, que ameaçava devastar toda a produção de uvas da Europa.

Ainda encontrou forças para ajudar vários pequenos produtores da região, durante as sucessivas crises econômicas que varreram o país durante o século.

Quando morreu, em 1896, aos 85 anos, era riquíssima, dona de um império comercial – e respeitada como uma verdadeira Rainha do Porto.

A casa-símbolo da família de Dona Antonia, a conhecidíssima Casa Ferreira, que produz maravilhosos vinhos do Porto, hoje já não faz parte das propriedade dos herdeiros – foi comprada, tempos atrás, pela Sogrape, a grande empresa vinícola portuguesa.

Por outro lado, um ramo da família, descendente direto da famosa matriarca, criou uma vinícola chamada Quinta do Vallado – que visitamos, durante este nosso giro por terras lusitanas

Na Quinta do Vallado, um zeloso trabalhador local seleciona as uvas
A Quinta do Vallado é uma vinícola de porte médio. A visita lá foi OK – nem tão calorosa como nas pequenas Quinta da Seara d’Ordens e Quinta do Marrocos, mas também não tão impessoal como na Sandeman.

A sala das barricas
Um dos atrativos da Vallado é a bela sala de barricas, que foi construída, ela mesma, no formato de uma meia-barrica.

Provamos por lá dois vinhos de mesa, ambos da  D.O.C. Douro, e um vinho do Porto  :

  • Vallado Tinto 2010 – é o vinho de entrada da vinícola, para os tintos. As cepas usadas envolvem uma curiosidade :  20% de touriga franca, 25% de touriga nacional, 20% de tinta roriz, 5% de sousão. Até aí, tudo bem : essas são as uvas clássicas do Douro. Mas ainda faltam 20% ... Estes restantes 20% vêm do que eles chamam de vinhas velhas – são vinhas de mais de 70 anos, e há entre as videiras, diversas cepas misturadas, que são vinificadas em conjunto. Eles chamam isso de blend field – ou seja, a mistura feita no próprio campo. É um bom vinho, redondo, trazendo frutas vermelhas ao nariz e com um sabor persistente.
  • Vallado Branco 2011 – também o vinho de entrada, para os brancos. É produzido com aquelas uvas portuguesas clássicas de nomes impagáveis : rabigato, verdelho, arinto, viosinho. Um vinho de bom frescor, com notas cítricas e um toque levemente mineral.
  • Quinta do Vallado Porto Tawny 10 anos – Este, um Porto delicioso, com uma linda coloração alourada, aromas de frutas secas e caramelos, e um levíssimo defumado. Foi o melhor vinho que provamos lá, disparado !

Ah, bendita Dona Antonia, quanto lhe devemos !!!

Flagramos uma descendente direta da Dona Antonia em momento de relax ...

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Como sempre, abaixo os preconceitos !!!

A ideia do preconceito deve ser sempre combatida, é claro ... Por outro lado, negar que os preconceitos existam é, em geral, meio mentiroso ... Afinal, a gente é criado e educado em uma sociedade preconceituosa - e eu tenho que admitir que geralmente desconfio de gente que diz que não tem nenhum preconceito (será que isto é um preconceito meu ?)

O legal, creio eu, não é não ter preconceito - mas sim não permitir que o preconceito interfira no seu julgamento, certo ? Identificar o preconceito quando ele aparece, lá no cantinho da mente, e mandar ele pra escanteio sem maiores cuidados.

O mundo dos vinhos não é diferente do resto do mundo (que surpresa, né ?). Eu também convivo mal e porcamente com meus preconceitos nesta área. Um dele é contra a coitadinha da uva carmenère.

Todo mundo conhece a história da carmenère, de como ela foi re-descoberta no Chile depois de estar praticamente extinta na França - se você não conhece, leia este post onde eu escrevi sobre o assunto, tempos atrás.

Pois eu não vou muito com a cara dela ... Os vinhos que provei sempre me pareceram pouco potentes, suaves demais, macios demais, frutadinhos demais pro meu gosto ... Taí, criei um preconceito próprio : eu não gosto de vinho de carmenère !

Por sorte, ou por experiência de vida, aprendi a não me deixar levar pelos meus próprios preconceitos. Vai daí que ganhei de presente, dia desses,dos meus queridos Patrícia e Ricardo, uma garrafa de Pérez Cruz Carmenère Limited Edition 2010, produzido lá no Valle del Maipo, a uns 60 km de Santiago. A Pérez Cruz é uma vinícola relativamente nova, dos anos 90, que tem uma arquitetura muito bonita, pelo que vi em fotos na Internet.

Sabe duma ? Achamos o vinho excelente ! Ele é feito com base na carmenère (mais de 90%) com apenas um pouquinho de syrah e de petit verdot misturado. Embora preservando as característica básicas da uva (suave aroma de frutas vermelhas com toques vegetais), este era um vinho com muita personalidade, com notas mentoladas e de especiarias, que enchia a boca e escorregava pela garganta com muita elegância - e deixava seu sabor flutuando por um tempão ...

Em suma - gostamos bastante, e já nos sentimos mais do que dispostos a varrer também esse preconceito : que venham os bons carmenère !!


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Crônicas Lusitanas – Parte 6 – Agora uma vinícola grande, de verdade


Na nossa etapa de viagem ali pela deslumbrante região do Douro, o Francisco, da Douro Wonderful Events, montou para a gente uma programação muito interessante, com a possibilidade de visitar vinícolas de vários tamanhos, e comparar os produtos e os serviços das pequenas vinícolas familiares com as gigantes do ramo.

Muito bem, desta vez, era o tempo de visitar uma gigante : a Quinta do Seixo, propriedade da Sandeman, uma das maiores produtoras de vinho do Porto do mundo – que na verdade, pertence a um grupo ainda maior, a famosa Sogrape, que mantém sob seu controle algumas das maiores e mais famosas vinícolas de Portugal.

Os vinhos produzidos pela Sandeman são de muito boa qualidade. Eu mesmo, aqui no Brasil, compro habitualmente o Founders Reserve, um vinho do Porto Ruby do qual gosto muito – e que tem um preço razoável para nós, pobres consumidores brazucas.

E que tal foi a visita à Sandeman ? Bem ...

A verdade é que foi meio decepcionante – embora, por outro ponto de vista, tenha sido impactante. Foi impactante porque a estrutura toda da Sandeman é muito grande e impressionante : nos levaram a uma espécie de terraço, ou mezanino, de onde se tem uma vista panorâmica dos grandes lagares onde é feita a pisa das uvas. Como – infelizmente ! – a época da pisa já havia passado, eles projetaram um lindo filmete sobre o assunto, impecavelmente produzido, muito informativo e bonito. Durante todo esse processo, fomos  conduzidos por uma guia que vestia o uniforme do Dom, o conhecido logotipo da Sandeman, com seu chapéu que remete aos cavaleiros espanhóis e sua capa que lembra os estudantes portugueses.

E por que é que foi decepcionante ? Basicamente, porque a guia se limitava a “discursar” uma mensagem padrão que parecia pré-gravada em uma fita cassete (alguém aí lembra o que era uma fita cassete ?), sem nenhuma interação com os visitantes (nós), visivelmente entediada e desinteressada daquilo tudo. A degustação também foi extremamente mecânica : quando chegamos à linda sala de degustação, já estavam colocados na mesa três tacinhas com três diferentes vinhos : um branco, um ruby e um tawny. Mais uma fita cassete, mais uma semi-decorada mensagem sobre o que estávamos degustando – e isso foi tudo.

Bons vinhos ? Sem dúvida, ótimos – mas uma experiência total que nem de longe pode ser comparada à que vivemos, por exemplo, na Quinta Seara d’Ordens, que descrevi neste post.

Os vinhos foram :

  • Aptiv Branco – um bom e refrescante vinho branco, com toques florais.
  • Founders Reserve – um ruby bastante potente, de bela coloração, com aromas de frutas.
  • Imperial Reserve – um tawny típico, já com coloração mais pálida, com aromas de frutas secas e um final bem longo – este foi o nosso preferido.

Mas saímos de lá com um certo gostinho de decepção, essa é que é a verdade ...

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Crônicas Lusitanas - Parte 5 - Uma "pequena" grande vinícola

Sigo contando coisas que vi / bebi durante minha viagem a Portugal, em Outubro e Novembro do ano passado.

Um dos meus pontos "de base" foi a cidadezinha de Peso da Régua, no Baixo-Corgo, no coração do vale do rio Douro, onde são produzidos aqueles belos vinhos de mesa da DOC Douro, e aqueles maravilhosos vinhos do Porto.

Uma sugestão : se você decidir visitar a região (visite ! visite !), procure uma agência local que possa organizar os passeios e as visitas às vinícolas para você. Embora os caminhos sejam curtos e as vinícolas próximas à cidade, você vai ficar muito mais à vontade e ganhar tempo com uma agenda pré-programada - sem falar que vai poder beber nas visitas, o que não seria recomendável se você mesmo estiver dirigindo seu carro ...

Pessoalmente, usei os serviços de uma agência chamada Douro Wonderful Events - fomos muito bem tratados e pudemos montar juntos nossa agenda de visitas, trocando ideias e palpites de lado a lado. Se quiser mais informações, ente no site deles, clicando aqui. Procure o Francisco, dono da agência, e ele certamente vai ajudar muito !

O Francisco nos levou a visitar uma vinícola chamada Quinta Seara d'Ordens, uma vinícola familiar : ela foi fundada no final do século XVIII, e hoje é administrada por três irmãos descendentes da família original dos fundadores.

Tecnicamente, uma vinícola pequena, embora bastante premiada ao longo da sua história. Do nosso ponto de vista emocional, uma GRANDE vinícola - daí o título deste post.

Fomos recebidos muito gentilmente por um dos proprietários, que se encarregou de nos contar a história da vinícola e nos mostrar os vinhedos, a produção, os depósitos.

Na sala de degustação, muito bonita e agradável, a conversa rolou solta e leve, e toda a linha de vinhos de mesa e de vinhos do Porto nos foi apresentada.

A degustação em si foi excelente - não só porque os vinhos eram realmente de alta qualidade, como também por conta da imensa simpatia e disposição do nosso guia na vinícola (cujo nome, infelizmente, não registrei). Ele nos descreveu minuciosamente as diferenças entre os diversos vinhos, suas características mais marcantes, os processos de produção, as cepas, e assim por diante.
Os vinhos de mesa da D.O.C. Douro

Entre os vinhos de mesa, nossa preferência recaiu sobre o excelente Talentvs 2008, um legítimo Douro, feito com as uvas touriga nacional, touriga franca e tinta roriz - as uvas básicas da região. Com doze meses de barrica e mais doze meses em garrafa, este vinho estava redondo e macio, com aromas florais com toques de tabaco, e uma ótima persistência em boca.

Os vinhos do Porto
Entre os Portos - todos muito bons ! - dois se destacaram.





O primeiro deles foi o Quinta Seara d'Ordens Special Reserve Tawny, com dez anos de envelhecimento em média. Aromas de frutas secas (amêndoas, castanhas) e especiarias, um sabor aveludado e complexo, em várias camadas.





O segundo - para nossa surpresa e para, mais uma vez, provar que preconceito é besteira da grossa - foi o Quinta Seara d'Ordens Fine White Port. Sim, senhor, um Porto branco doce, que gerou uma interessante conversa na hora da degustação. Tereza, de olho comprido nas diversas garrafas de Porto que estavam sobre a mesa, e munida dos nossos habituais preconceitos contra vinhos brancos doces, disse que não iria provar daquela garrafa. Pois nosso guia, gentilmente, desafiou-nos a provar, dizendo que o seu branco doce era diferente ...

Pois era mesmo ! Coloração branco-palha com leves reflexos dourados, aromas de frutas secas, especiarias e mel, fresquíssimo na boca, com sabores ricos e complexos - adoramos !

Tanto que compramos uma garrafinha para trazer na mala, e ainda não abrimos ...

Enfim,meu caríssimo e estimado leitor, se for ao Douro, inclua no seu passeio a Quinta Seara d'Ordens, tenho certeza que vai gostar !

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Uma crônica quase lusitana ...

Faço aqui uma breve interrupção em minhas "crônicas lusitanas" - onde estou comentando o que vi / comi / bebi durante minhas andanças por Portugal - para fazer este post "quase" lusitano.

Sim, quase lusitano, pois, embora o fato que vou descrever tenha ocorrido aqui em São Paulo, na minha casa, sábado à noite, ele envolveu bacalhau e vinho verde - ou seja, mantenho ainda um pé firme nas terras portuguesas !

Fato este : Tereza decidiu fazer um bacalhau diferentão, inspirada nada mais nada menos do que no site de receitas do grande chef Claude Troisgros (pois é, ela está ficando ousada ...)

Tratava-se de um bacalhau servido com um molho de lentilhas e legumes, e aggiornato com uma farofinha de frutas secas. Se você quer ver a receita completa do chef Troisgros, clique aqui.

Bacalhau com lentilhas e farofa de frutas secas
Acontece que o prato executado pela Tereza ficou simplesmente sensacional ! O bacalhau, suave e tenríssimo, se desmanchava ao toque do garfo e se misturava, gentilmente, com as lentilhas, cenouras, aipos e cebolas do molho delicioso. A farofa de frutas secas (com castanhas, damascos e figos) acrescentava ao prato uma crocância e um toque muito levemente adocicado - em suma, maravilhoso !

A farofinha de frutas secas, em preparo
E o que beber com tal preciosidade ? Bem arriscamos duas garrafinhas. A primeira opção, mais simples, foi um honesto Cousiño Macul Don Luis Sauvignon Blanc 2011, um vinho do qual gosto bastante para o dia-a-dia (especialmente nestes quentíssimos dia-a-dias do verão paulistano). A combinação não foi lá essas coisas : talvez o excesso de acidez da sauvignon blanc (que combina tão bem com frutos do mar) tenha conflitado um pouco com o toque agridoce do prato.

Depois, partimos para uma opção um pouquinho mais sofisticada (mas nem por isso mais cara ) : o já mencionado vinho verde português, um Muralhas de Monção. O Muralhas é feito lá no norte de Portugal, com as uvas alvarinho (predominante) e trajadura (em menor quantidade). É um vinho que se equilibra bem entre o ácido (e o "rascante" característico do vinho verde) e o macio, dado pela alvarinho. A combinação ficou melhor - mas acho que ainda não encontramos aquela harmonização que irá nos encantar, na mesma medida em que o prato nos encantou.

Há que fazer novas experiências ...

No seu site, o Claude Troisgros sugere um puro alvarinho ... Pode ser, pode ser ... Pensei em tentar, da próxima vez, um chardonnay que não seja muito amadeirado, ou - quem sabe ? - um torrontés, porque não ?

Que vocês acham ?