terça-feira, 29 de junho de 2010

A Copa dos Copos - Parte 9


Enquanto o Mundial de futebol acaba de ter definidas as partidas das suas quartas-de-final, nossa empolgante Copa dos Copos ainda tem duas partidas das oitavas-de-final em andamento.

A penúltima delas é um jogo que quase nem precisa ser realizado ... Afinal, entre Itália e Dinamarca não dá pra esperar grandes zebras quando se fala de vinhos, não é ?

A pobre Dinamarca entra em campo com alguns pequenos vinhedos nas regiões de Jutland e Lolland, e seu tímido destaque é o espumante produzido em Skaeresogard - os dinamarqueses têm um certo orgulho deste vinho, por conta de umas premiações internacionais meio desconhecidas ...

Já a Itália ... Ah, a Itália ! Quem pode conter seu ataque formado pelas maravilhas do Piemonte - Barolo, Barbaresco e Barbera d'Alba ? Como neutralizar seu meio-de-campo toscano poderosíssimo, que toca a bola com maestria, entre os pés de Brunello di Montalcino, Chianti Classico e Vin Santo ?

Será que dá pra tocar tarantela com as vuvuzelas ? Sim, meus amigos, a Itália passa fácil pela Dinamarca e está garantidíssima nas quartas-de-final da Copa dos Copos !

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Afinal, todos os vinhos são bons ?!?

Relendo meus próprios posts, me dei conta de um fato interessante - na grande maioria deles, eu falo bem dos vinhos que tomei ... Que mistério é esse ? Será possível que todos são bons ?

Claro que não ... Suponho que a memória seletiva que a gente traz embutida me leva a fazer comentários, na maioria das vezes, sobre o que tomei e gostei ... Mas como eu gosto muito de experimentar coisas diferentes, volta-e-meia acabo provando vinhos dos quais não gosto tanto.

Vamos então falar sobre um vinho do qual não gostei.

Sexta-feira fomos jantar no restaurante Ici Bistrô, do chef Benny Novak, aqui em São Paulo, no bairro da Consolação. Decidimos comer carne (um filé a poivre para mim, e uma costela bovina para a Tereza), e experimentar um vinho diferente.

Pedimos um Madiran - trata-se de um vinho francês, produzido no sudoeste da França. O Madiran é produzido à base da uva tannat, que se tansformou, no final do século XX, na uva emblemática do Uruguai.

A tannat produz vinhos muito tânicos, densos, de coloração escura. O nosso Madiran chamava-se Odé d'Aydie, produzido pelo Château d'Aydie. Não negava a raça dos tannat : era escuro e denso, e muito, mas MUITO tânico.

A garrafa que tomamos era de 2004. É possível que, com mais alguns anos de repouso, ele venha a melhorar. Neste momento, o vinho estava realmente difícil de beber. Os taninos pouco amadurecidos têm um efeito desagradável - tornam-se amargos no fundo da língua ... Você engole o vinho, e o sabor que fica na boca é o sabor amargo dos taninos fortes.

Mesmo com as carnes gordurosas e potentes que comemos, o vinho definitivamente não harmonizou.

Fica, então, mais este aprendizado. Para o nosso gosto específico (meu e da Tereza), o Madiran não cai bem.

Evidentemente, isso não quer dizer que ele não cairá bem para você ... Porque não experimenta e me conta depois ?

Vinhos na churrascaria


Alguns leitores do nosso blog têm me perguntado sobre vinhos que combinam com churrasco. O leque de opções é bem grande - há vários tipos de vinhos que combinam com as carnes grelhadas, vai depender muito do gosto, da data, do estilo - e do bolso, claro ! - de cada um.


Ontem, domingão, bons jogos da Copa do Mundo pra ver na TV - dia talhado para churrasco. Só que, além disso, era o aniversário do Ricardo, irmão da Tereza, o que justificava uma churrascaria mais caprichada, e um vinho um pouquinho melhor.

Para nós, churrascaria caprichada em São Paulo tem nome : a campeã é mesmo o velho Fogo de Chão da avenida Santo Amaro. As carnes são ótimas, os complementos são ótimos, o lugar é bonito, o serviço é absolutamente impecável. Ok, Ok, não é barato - nada é perfeito ...

Como se tudo isso não bastasse, a carta de vinhos é fantástica. A variedade é muito grande, há centenas de escolhas possíveis, e você ainda pode, se quiser, visitar a bela adega climatizada que eles têm logo na entrada do restaurante. É só pedir ao garçon. Os preços ? Bem, não são baratinhos, mas também não chegam a ser daqueles lugares em que a gente se sente assaltado em plena luz do dia ...

Tomamos um belíssimo Chianti Classico Brolio, da vinícola italiana Ricasoli. O vinho estava delicioso, equilibrando bem os aromas de frutas frescas com taninos elegantes que não "amarravam". Na boca, as fatias fininhas de picanha ao ponto quase se derretiam em contato com o vinho.

Foi um vinho muito bom para acompanhar o aniversário do Ricardo - principalmente porque ele não bebe nada de álcool, cabendo a mim e à Tereza a dura tarefa de esvaziar a garrafinha de Chianti ...

Acabada a primeira garrafa, ainda tínhamos sede - mas como bem sabem a Tatiana e o marido dela, não se encontram meias-garrafas com muita facilidade no nosso mercado. Tivemos que trocar de vinho. O escolhido para a meia-garrafinha (dentro das limitadas possibilidades do cardápio) foi um Catena, um malbec argentino. É um bom vinho, que já tomamos outras vezes - mas desta vez, por conta da comparação com o belo Chianti que tínhamos acabado de tomar, ele ficou sem graça e não casou bem com a carne ... que pena !

Assim, que fique registrado - o Chianti Classico pode ser uma bela combinação para o seu churrasco. Há muitas e muitas outras opções - voltarei a falar delas em futuros posts.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Geraldo e a nossa sopinha dos dias de inverno

Sopa, sopa, sopinha ...

Qual o lar brasileiro que não consome sopa ? Em que casa não se tem o hábito de, nas noites frias do inverno paulistano, tomar uma cálida sopa - de cebola, de palmito, de queijo, de abóbora-com-carne-seca, de pacotinho ?

Por alguma misteriosa razão, a sopa, onipresente nas nossas casas desde sempre, não é um prato considerado "bacana" - raros são os restaurantes que as oferecem.

Não importa. Basta chegarem os primeiros dias do inverno - como esses que temos tido em São Paulo nas últimas semanas - e a sopa impera em todos os lares.

Meu grande amigo Geraldo, leitor do nosso blog, sugere um post harmonizando vinhos com as sopas. Ótima idéia, que passo a executar imediatamente.

Tomamos hoje uma sopa de ervilhas. Simplíssima : uma lata de ervilhas de boa qualidade, alho, cebola, e uma parte de um desses pacotinhos de sopa de ervilha que são encontrados em qualquer supermercado. A sopa ficou gostosa, cremosa - e foi enriquecida por croûtons em saquinhos, comprados no mesmo supermercado.

Escolhemos um vinho da uva cabernet franc - um vinho encorpado, mas mais suave e mais leve que a cabernet sauvignon (a partir da qual, aliás, ela é originada). O eleito foi um argentino, Viñas de Narvaez, honesto e barato - infelizmente, não muito fácil de ser encontrado.

Resultado - uma delícia ! A leve aspereza do vinho combina bem com a untuosidade da sopa (isso é o que os especialistas chamam de harmonização por contraste). Umas gotinhas de tabasco adicionadas à sopa davam ao prato um toque extra, muito bem equilibrado pelos sabores de fruta do vinho.

Experimentem, e depois me contem o que acharam.

A Copa dos Copos - Parte 8



Vamos lá, é bola rolando nas oitavas-de-final da nossa Copa dos Copos - e não é a Jabulani ...

A partida de hoje é duríssima - nada mais, nada menos do que Portugal e Chile ! É jogo pra cardíaco, diria o chatíssimo Galvão Bueno.

O Chile começa o jogo se lançando inteiro ao ataque, baseado na juventude e no vigor de seus excelentes vinhos - Caliterra, Los Boldos, Lapostolle, Concha y Toro, Errazúriz, Ventisquero.





O meio-de-campo chileno é excepcional, um dos melhores do mundo, formando com Almaviva, Don Melchor e Caballo Loco.







E no comando do ataque, lidera o francês naturalizado chileno Carmenère - ah, esse francesinho que conseguiu se tornar o símbolo maior dos vinhos do Chile !

Mas o adversário é Portugal - e Portugal sabe como poucos manejar sua enorme experiência de 1.500 anos de produção de vinho.

A defesa é absolutamente soberana, com Dão, Estremadura, Bairrada, Ribatejo (que está mudando de nome para Tejo).

No meio-do-campo, os vinhos verdes têm seus admiradores, e eles abusam das uvas com nomes tradicionais : Touriga Nacional, Tinto Cão, Trajadura, Alvarinho, Alfrocheiro, Maria Gomes, Rabo de Ovelha, Antão Vaz ...





O ataque, arrasador, forma com Alentejo pela direita (ah, os vinhos do Alentejo!), Douro pela esquerda e, para completar, o demolidor, irresistível centro-avante - o Vinho do Porto ...





É quase para chorar, é para silenciar as vuvuzelas alucinadas, mas não tem jeito - o Chile é derrotado e cai fora da Copa dos Copos .. Merecia ir mais longe, mas o grande vencedor de hoje é mesmo Portugal.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Itália - bons vinhos, bons preços

Como fiz alguns dias atrás com os vinhos espanhóis, vou mencionar hoje alguns vinhos italianos que podem ser encontrados em supermercados ou em lojas em São Paulo, a preços razoáveis.

Antes de mais nada, vou repetir duas observações :

1 - a lista é dos vinhos que EU tomei e gostei, o que não quer dizer que VOCÊ vá tomar e gostar. E são apenas sugestões, certamente haverá dezenas de outras marcas e tipos de vinhos nas prateleiras e no seu conhecimento pessoal.

2 - desconfie sempre de vinhos europeus com preços MUITO baixos ...

Vamos lá. Vinhos até 50 reais :

  • Orvieto Masseria Trajone - branco
  • Frascati Superior Masseria Trajone - branco
  • Pinot Grigio Villa Jolanda - branco
  • Barbera d'Asti Villa Jolanda - tinto
  • Nero d'Avola Baglio del Sole - tinto
  • Valpolicella Bolla - tinto
  • Barbera d'Asti Le Orme - tinto

Vinhos entre 50 e 100 reais :

  • Soave Classico Guerrieri Rizzardi - branco
  • Greco di Tufo Benito Ferrara - branco
  • Bardolino Guerrieri Rizzardi - tinto
  • Valpolicella Guerrieri Rizzardi - tinto
  • Dolcetto d'Alba La Chiesa - tinto
  • Rosso di Montalcino Piccini - tinto
  • Chianti Colli Senesi Tosca - tinto
  • Chianti Classico Castelo Dalbola - tinto

Em cores diferentes, estão os meus preferidos nessas faixas de preço.

No caso dos vinhos italianos, além de ficar de olho no tipo de vinho que está sendo comprado (Chianti, Soave, Barbera d'Asti, etc.) é muito importante ficar atento também ao produtor. Os vinhos do Veneto, por exemplo (Bardolino, Valpolicella) são bastante populares e baratos. Claro que não são maravilhosos, mas podem representar uma boa combinação de custo e benefício - se forem escolhidos bons produtores, como Bolla e Guerrieri Rizzardi.

Há alguns produtores de Bardolino e Valpolicella que são muito comuns nos nossos supermercados, e são beeeeeeem baratinhos ... fuja deles, por favor ! Refiro-me a nomes como Valdorella, Falconi, Montresor, Zonin.

Contribuições à minha lista serão pra lá de bem vindas, garanto !!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Fondue & vinho especial - é o Dia dos Namorados !


Há anos, Tereza e eu decidimos ficar em casa no Dia dos Namorados. Nessa data, os restaurantes em São Paulo ficam insuportáveis - todo mundo resolve sair pra comemorar ...


Como tínhamos em casa nossos amigos Angela e Fábio na data precisa do Dia dos Namorados, adiamos nossa "comemoração" particular para uma data mais propícia - ela aconteceu ontem, quinta-feira, dia 17 de junho.

Fizemos um fondue de queijo, com batatinhas e cebolinhas, que ficou uma delícia. Como a data era especial, tomamos a liberdade de fugir ao espírito original deste blog (vinhos acessíveis) e decidimos experimentar um vinho especial, trazido do free shop - um Caballo Loco, mitológico vinho chileno considerado vinho de autor.

E o que vem a ser um vinho de autor ? É um pouco garantia de qualidade, um pouco golpe de marketing. O Caballo Loco, por exemplo, não identifica as uvas de que é feito (dá pra sentir que a base é cabernet sauvignon, e a literatura informa que há também cabernet franc, merlot e carmenère) e nem a safra, já que o produtor mistura um pouco da safra anterior na produção do vinho. Ele é identificado por uma numeração sequencial, ano a ano. Este que bebemos, por exemplo, é o Caballo Loco Número 11 - o que indica que a safra deve ser de 2006, com mescla de vinhos da safra de 2005. O produtor é a Valdivieso, do Chile, cujo proprietário, Jorge Coderch, tinha exatamente o apelido de Caballo Loco.

Os resultados ? Excelentes ...

O vinho é aveludado, complexo, rico em aromas diferentes, com bastante álcool (são 14,5 graus) e sabores marcantes. O casamento com os sabores também marcantes do queijo e das cebolinhas ficou muito gostoso ...

Enfim, uma bela celebração de Dia dos Namorados - na foto, dá pra ver a satisfação da Tereza empunhando a nossa garrafinha, pela qual pagamos algo ao redor de USD 100 no free shop.
Ok, Ok, concordo - não é mesmo um vinho pra todo dia ...

Mas de vez em quando, a gente merece, ou não merece ?!?
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