sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Jantar chique - 20 anos de casamento !

Esta semana, Tereza e eu completamos inacreditáveis 20 anos de casamento !

Acho que o melhor elogio que eu posso fazer ao meu casamento é este - não tenho, nem de leve, a menor sensação de que já se passaram 20 anos ... Afinal, são 20 anos de cumplicidade, companheirismo, amor, solidariedade e compreensão mútua - enfim, uma delícia !

A comemoração, evidentemente, tinha de ser um jantar especial, com um vinho especial ...

Voltamos ao Bela Sintra, um elegante e caro restaurante português de São Paulo. Já estivemos jantando por lá outras vezes, e a verdade é que a comida nunca chegou a nos empolgar. Em matéria de restaurantes portugueses em Sampa, continuamos fiéis ao maravilhoso Antiquarius.

Bem, os pratos - de maneira quase óbvia - tinham de ser de bacalhau, a especialidade da casa.

E o vinho, claro, não poderia deixar de ser português. Optamos por um vinho do Alentejo, chamado Herdade do Peso Colheita, de 2005. As uvas que entram neste vinho são algumas das mais típicas do Alentejo : aragonés e alfrocheiro. Um vinho de boa acidez, com taninos bastante marcantes, mas finos e elegantes, sem nenhum amargor.

E a combinação com o bacalhau foi ótima ! Os sabores dos pratos eram muito marcantes - muito azeite, alho, cebolas - e o vinho fazia o seu papel, realçando os sabores e enchendo a boca com muito corpo e muita personalidade.

Em suma - boa comida, bom vinho, e excelente harmonização (ainda que continuemos a preferir o Antiquarius ...), com um serviço simpático e cordial.

Pelo preço que pagamos, desconfio que a gente só retorna lá na comemoração dos 40 anos ...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Quanto é um "preço razoável" para um vinho ?

Taí - essa é uma perguntinha realmente difícil de responder ...

Segundo o enólogo americano Robert Parker (que talvez seja o sujeito que mais entende de vinhos no mundo inteiro), não há nenhuma justificativa razoável, do ponto de vista dos custos, para que um vinho custe mais do que 10 dólares a garrafa - seja qual for o vinho !

Por outro lado ...

Semana passada, dia 3 de novembro, em um leilão de vinhos em Hong Kong, foram vendidas três garrafas de um vinho francês chamado Chateau Lafite-Rotschild, produzidas há mais de 150 anos, na região de Bordeaux, na França.

Cada uma das garrafas saiu pelo precinho módico de R$ 400.000. Sim, é isso mesmo - um misterioso investidor (especula-se que tenha sido um chinês) gastou cerca de R$ 1.200.000 para comprar três garrafas de um vinho mitológico, de 150 anos - e existe uma enorme probabilidade de que esse vinho esteja simplesmente estragado lá dentro das tais garrafas.

O que isto significa ?

Simplesmente, o óbvio - um vinho (como qualquer outra mercadoria) vale exatamente aquilo que um comprador está disposto a pagar por ele. Se um maluco endinheirado está disposto a pagar R$ 400.000 por uma garrafa de vinho provavelmente imbebível - então, essa garrafa vale esse preço ...

Moral da história : não há regras na hora de definir o preço de um vinho. Você tanto pode comprar um belo vinho por 30 reais, como está sujeito a comprar uma zurrapa qualquer por 200 reais.

A saída é experimentar, trocar informações com os amigos, ler as publicações especializadas, ler os blogs de vinhos da Internet (como este aqui, é claro !) e ir, aos poucos, formando a sua própria opinião - que é a única que realmente conta !

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

E o que é que os checos bebem ?

Cerveja !!

Sim, para compensar a falta de bons vinhos, os checos bebem ótimas cervejas !

A República Checa será, talvez, o país onde são produzidas algumas das melhores cervejas do mundo.

Não que as brasileiras fiquem muito atrás - nossas Brahmas, Antarcticas, Originais e Serramaltes são facilmente comparáveis às deles, e entram fácil, fácil na lista das melhores do mundo - pelo menos, na minha modesta opinião, eu que não sou um grande bebedor de cervejas.

Mas as deles são muito boas !

Para começo de conversa, eles produzem lá a Pilsner Urquell, considerada por muita gente boa como a melhor cerveja do mundo.




Estivemos visitando a fábrica da Pilsner Urquell, na cidadezinha de Plsen. É uma fábrica linda, com uma tremenda estrutura para receber turistas como nós. O bacana é que eles têm uma planta de produção industrial, moderníssima, ao lado da bem preservada estrutura mais antiga, com os tanques de cobre. A gente pode ver direitinho como era e como é, hoje, o processo de produção da cerveja. Só ficamos meio decepcionados com a degustação : esperávamos beber cerveja até cair no chão, mas eles se limitaram a um copinho por pessoa ... Enfim, nada é perfeito !











Em Praga, visitamos também o Monastério Strahov - local que abriga duas belíssimas bibliotecas medievais, e que abriga também uma cervejaria, a St. Norbert - é, esses monges sempre entederam bem das coisas boas da vida ...




Estivemos também em um local maravilhoso - a cervejaria U Fleku, também em Praga. É uma cervejaria fundada em 1499. Sim, é isso mesmo : um ano antes de Cabral aportar por estas bandas, os checos já estavam lá, sentados nas longas mesas coletivas da U Fleku, bebendo a cerveja local.




E que cerveja ! Preta, forte, encorpada - deliciosa ! Ao longo desses 500 anos, eles resistiram a todas as propostas inovadoras de distribuição : continuam produzindo e vendendo sua cerveja apenas lá mesmo, na própria cervejaria. Os garçons passam carregando enormes bandejas com aqueles canecões de meio litro e repondo a cerveja na frente dos clientes sedentos.


Além disso, eles vendem por lá umas comidinhas toscas - por exemplo, um pescoço de porco, seja lá o que for isso, que sai da cozinha como uma enorme bola de carne com uma faca espetada no topo. A gente se sente um verdadeiro Obelix, sentado em uma bodega medieval.

E o que isso tem a ver com vinhos ?

Bem, a rigor, nada. Mas, já que os vinhos por lá eram medíocres, nós nos acabamos mesmo com aquelas belas e saudosas cervejas ....

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Há vinhos na República Checa ?

Na nossa recente viagem ao Leste da Europa, Tereza e eu nos defrontamos com essa angustiante pergunta - há vinhos na República Checa ?

Bem, a resposta é : sim e não.

Sim, pois de fato alguns vinhos são produzidos por lá. A produção não é gigantesca, mas os checos possuem uma longa tradição : os primeiros vinhedos foram plantados na região da Boêmia por volta do século IX.

Hoje, 95 % do que eles produzem vem da região da Morávia. São principalmente vinhos brancos, produzidos com as uvas müller-thurgau, riesling, pinot blanc, mas também há muitos vinhos tintos, produzidos com uvas locais, como a frankovká, a zweigeltrebe e a portugieser. Em praticamente todos os restaurantes checos você vai encontrar os vinhos da Morávia na carta.

E não, pois os vinhos checos são pra lá de medíocres ... Qualquer vinho argentino de segunda categoria, comprado no super-mercado da esquina, é superior a esses vinhos da Morávia.

E eles ainda têm o hábito, bem europeu, de tomar o vinho à temperatura ambiente. Como nós fomos pra lá em Agosto e pegamos tempos bem agradáveis e temperaturas quentes, bebemos vinhos medíocres e quentes ... argh !!

Em suma, deixa pra lá. Por sorte esses vinhos checos não costumam chegar às nossas prateleiras locais !

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Vinho Verde com Paella - salve, Guillermina !

Aqui entre nós, nunca fui muito fã dos famosos vinhos verdes de Portugal. Para mim, eles sempre tiveram um sabor rascante demais, ácido demais - nunca me encantaram.

Acontece que meus queridos amigos Adalberto e Guillermina estiveram a passeio em Portugal, junto com a Adriana e o Sebastian.

Pois a Guillermina voltou de lá encantada com os tais vinhos verdes ... Eles são produzidos na região do Minho, bem ao norte do país, e ninguém sabe explicar com muita precisão porque é que eles têm esse nome de vinho verde. Uma teoria diz que é por conta da região do Minho, extremamente verde - explicação fraquinha , né ? Outra teoria diz que eles são sempre feitos de uvas ainda verdes - o que simplesmente não é verdade. Uma terceira teoria diz que como eles são vinhos feitos para serem bebidos bem jovens, jamais devem envelhecer, ou amadurecer - daí serem sempre verdes ...

A verdade é que eles devem mesmo ser bebidos muito jovens. Tanto que os vinhos verdes do Minho nem sequer costumam trazer a safra estampada no rótulo - subentende-se que eles são, naturalmente, da colheita do ano anterior. Para nós, aqui no longínquo Brasil, isso pode significar algum risco, é claro : quem garante que o vinho que estamos comprando na prateleira da loja seja realmente do ano anterior ? Só bebendo, e observando o aspecto visual do vinho : ele deve ser bem clarinho, límpido, com pálidos reflexos esverdeados. Se estiver amarelado, melhor deixar pra lá.

Enfim, no último feriado, fomos para a casa da Guillermina e do Adalberto, em Itu, comer uma daquelas maravilhosas paellas que ela perpetra. E - óbvio ! - aproveitamos para saber se a tal paixão da Gui pelos vinhos verdes fazia sentido.

Fazia, sim !

Provamos dois rótulos diferentes.

O primeiro deles foi o Muralhas de Monção, de cor brilhante e acentuado aroma de pêssego. Um vinho macio e fácil de beber, mas bem seco e com muita acidez (olha aí o meu preconceito contra o vinho verde aflorando de novo ...)

O segundo foi um Alvarinho Deu-La-Deu (adoro os nomes dos vinhos portugueses !), também brilhante e límpido, e com muito menos acidez do que o primeiro.

Para o meu gosto pessoal, o segundo harmonizou maravilhosamente com a paella. A mineralidade dos frutos do mar combinou bem com acidez do vinho, e os sabores extravagantes do açafrão casaram com os seus toques frutados.

Enfim, continuo não sendo um grande apreciador, mas tenho que admitir - com os frutos do mar, em uma tarde quente de verão, eles vão muito bem, sim, senhor ...

Ah, sim - outra vantagem dos vinhos verdes é que eles são relativamente baratos, para vinhos europeus. O Muralhas de Monção saiu por cerca de 40 reais a garrafa, e o Deu-La-Deu, um pouco mais conceituado, saiu na faixa de 65 reais.

Os dois foram comprados na Cia. do Whisky, na loja do Brooklin, aqui em Sampa.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Degustação : cores, aromas, sabores - Parte 4

Ainda sobre os aromas presentes nos vinhos - de onde vêm esses aromas ? O que, exatamente, provoca a presença de determinados aromas em um vinho ?

Bem, os aromas presentes em um vinho podem ter, basicamente, três origens : eles podem vir da própria uva (ou do terreno onde ela foi plantada), podem vir do processo de vinificação (isto é, o processo de produção do vinho) ou podem, ainda, vir do processo de amadurecimento do vinho depois de pronto.

Os aromas provenientes da uva são chamados de aromas primários. Eles estão relacionados, é claro, com o terreno onde as vinhas foram plantadas. Estão nesta categoria os aromas florais (violeta, rosa, jasmim, alecrim), os aromas de frutas (cereja, pêssego, abacaxi, ameixa, maracujá), os aromas vegetais (ervas, folhas secas, menta, pimentão) e os aromas minerais (quartzo, petróleo, iodo).

Depois vêm os aromas secundários, que são gerados no processo de vinificação, ou de elaboração do vinho. São aromas como manteiga, leite, iogurte, bolacha, brioches.

Finalmente, os aromas terciários são aqueles gerados no amadurecimento do vinho. Podem ser aromas de frutas (frutas secas, frutas em compotas ou geléias, nozes, amêndoas), aromas de madeira (carvalho, eucalipto, tabaco), aromas animais (couro, carne de caça), aromas de especiarias (pimenta do reino, cravo, noz-moscada) ou ainda os chamados aromas empireumáticos (defumado, queimado, chocolate, café).

Como os aromas terciários vêm do processo de envelhecimento do vinho, naturalmente eles só estarão presentes em vinhos envelhecidos, aqueles vinhos que passam algum tempo em barris de carvalho ou envelhecendo na própria garrafa. Esses aromas terciários têm também um nomezinho mais empolado, daqueles que os enochatos adoram : eles às vezes são chamados de bouquet. Um vinho jovem pode ter aromas sofisticados, mas não terá bouquet.

Parece coisa de gente maluca, descobrir tanta variedade de aromas em uma inocente tacinha de vinho, né ?

Mas eles existem, podem acreditar ! Estão lá - uns mais marcantes, outros mais sutis. É tudo uma questão de exercitar o nariz e - principalmente ! - a tal da memória olfativa.

Puxe pela memória, ao aspirar o aroma de uma taça de vinho, e veja o que você pode encontrar.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A Copa dos Copos - Parte 16 - Semifinais


Vamos nos aproximando da grande final da nossa Copa dos Copos. Um dos finalistas já está definido : é a França, que deixou fora da Copa a fortíssima equipe de Portugal.

A outra equipe sairá do confronto de hoje, entre Argentina e Itália - duas equipes poderosas.

A Argentina é a única representante da América do Sul nestas partidas da semi-final - o outro representate sul-americano de respeito, o Chile, caiu fora nas quartas-de-final, eliminado por Portugal.

Disposta a defender a honra do continente, a Argentina vem com sua escalação completa, baseada em seus grandes produtores de Mendoza e da Patagonia.

No gol, o sempre seguro e confiável Luigi Bosca.

A defesa é sóbria, séria, pouco dada a firulas : Séptima, Norton, Zuccardi e Salentein.

O meio-de-campo, no vinho, como no futebol, é criativo e elegante : Achaval Ferrer e O.Fournier.

E o ataque é insinuante e sutil, inesperado, às vezes brihante : Clos de Los Siete, Rutini, Pulenta e Catena Zapata.

No banco, uma infinidade de craques prontos a entrar em campo e desempenhar um grande papel : Kaiken, Escorihuela, Trapiche, Trivento, Terrazas de Los Andes ...

Do outro lado, a gloriosa Itália, de tantas e tantas partidas inesquecíveis, de tantos e tantos vinhos de sonho.

O goleiro é do Veneto, o portentoso Amarone.

A defesa formou-se inteira com base nos grandes vinhos do Piemonte : Barolo, Barbaresco, Barbera d'Alba e Asti.

O meio-de-campo, esguio, sedoso, aveludado - mas ainda assim, capaz de mostrar a velha garra italiana - vem da Toscana : Chianti, Brunello di Montalcino e Sassicaia.

O ataque alterna a doce suavidade do Vin Santo e do Passito de Panteleria com a agressividade letal do centro-avante sulista Primitivo de Manduria.

O jogo é equilibrado e avança lentamente, jogada a jogada, taça a taça.

A vitória só pode vir depois de uma prolongada prorrogação - nos pênaltis, a Itália finalmente manda de volta pra casa los hermanitos argentinos.

E nossa finalíssima anuncia-se brilhante e embriagante : França e Itália !

Não percam.
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