domingo, 11 de março de 2012
quinta-feira, 8 de março de 2012
E viva a Confraria do Ortiz !
Fomos convidados, Tereza e eu, para fazer parte da Confraria do Ortiz, um grupo de amigos (na maioria professores universitários) que, evidentemente, adora beber vinho, rir, falar bobagens ...
A Confraria do Ortiz está apenas na sua segunda reunião, e a festa foi na casa dos meus queridos amigos Janete e Vilalta, que nos receberam muitíssimo bem.
Vilalta bancou o mestre-cuca, e perpetrou duas magníficas lasagnas : uma, bem tradicional, à bolonhesa, e a outra, mais criativa, de bacalhau. Em comum entre elas, o fato de que estavam ambas igualmente deliciosas.
E o vinho ? Bem, para a lasagna à bolonhesa foi fácil - o molho à base de tomates e carne moída praticamente implorava por uma uva sangiovese ... O escolhido foi um Rèmole IGT 2009, de Frescobaldi - um toscano que mescla sangiovese com cabernet sauvignon (é aquele tipo de vinho que meu amigo Mario Trano apelidou de supertoscaninho). A combinação ficou ótima !
Para a lasagna de bacalhau, hesitamos entre um branco e um tinto, e decidimos provar ambos, é claro ! O tinto foi o português Paulo Laureano Premium 2008, um vinho do Alentejo, potente e bem estruturado. Na hora da harmonização, falhou : potência e estrutura demais, que se sobrepunham inapelavelmente ao sabor delicado da lasagna de bacalhau. É a velha história do vinho bom e da comida boa que, no entanto, não combinam entre si ...
O branco se saiu bem melhor - era o também português Defesa 2009, da Herdade do Esporão. Aromas de pêssego e frutas tropicais, e um sabor bem fresco, com boa acidez e uma excelente permanência em boca.
Agora, o que realmente harmonizou muito bem foi a companhia, pra lá de agradável e divertida. Um grupo delicioso, que já tem suas duas próximas reuniões confirmadas para os próximos meses.
| Vilalta exibindo uma rara e caríssima garrafa de sua adega particular |
segunda-feira, 5 de março de 2012
O vinho não foi feito para humilhar ninguém ...
Gosto muito de beber cerveja, mas confesso que não entendo nada de cerveja - apenas sei dizer se gosto ou se não gosto de determinadas marcas.
Você já ouviu alguém dizer uma frase como essa aí de cima ? Confesso que eu nunca ouvi ... Mas, curiosamente, ouço de muita gente frase semelhante referindo-se a vinhos ... Por que será ?
Foi a Tereza que me soprou a necessidade de escrever este post. Parece que o assunto dos vinhos tem esse poder meio intimidatório, meio assustador. Acho que muita gente se sente com a impressão de que o tema dos vinhos intimida, daí a necessidade de sempre afirmar alguma coisa como "eu não entendo nada de vinhos".
Muto bem, aqui vai uma novidade para você, dedicado leitor deste blog : não há nada, rigorosamente nada, para se entender a respeito de vinhos ... Há que se gostar ou não gostar, apreciar ou não apreciar, preferir este ou aquele vinho - mas essa história de entender de vinhos, acreditem-me, é balela da grossa.
Já falei um outro post que o assunto dos vinhos é rigorosamente idêntico a qualquer outro assunto que a gente possa curtir ou se interessar - ciências, futebol, literatura, cinema, artes, sei lá ... Quem se interessa mais, procura conhecer mais - quem se interessa menos, satisfaz-se com conhecer menos. Ponto final.
Uma vez, numa frase clássica, o poeta maranhense Ferreira Gullar disse que "a crase não foi feita para humilhar ninguém". Foi essa frase que parafraseei no título deste blog.
Não vejo nenhuma razão para que o sujeito se sinta inferiorizado diante de alguém que "entende de vinhos" ... Todo mundo tem na boca as mesmas papilas gustativas, todo mundo exerce o mesmo direito de ter seu gosto e seu prazer devidamente respeitados e apreciados pelos outros.
É claro que você, que está lendo este blog, sabe muito bem qual o vinho que lhe agrada mais dentre os que já bebeu. Pode até não lembrar do nome do vinho, ou da nacionalidade, ou de que uvas ele é feito. E daí ? Isso diminui o seu prazer, o seu gosto, a sua experiência gustativa ? É claro que não ! Na hora em que bebeu o vinho, soube de imediato se estava gostando ou não. Se bebê-lo outra vez, vai saber de novo, é óbvio. É só isso que conta - não há nada para se entender a respeito disso !
É evidente que alguns de nós (eu !!) gostamos de ter mais informações sobre o vinho - como ele é feito, quais as suas características mais marcantes, quem é o produtor, etc. Para isso, a gente pequisa na Internet, lê blogs como este e muitos outros, lê livros, etc. Se você também é assim, ótimo !
Agora, se você não é assim, isso em absoluto o impede ou o diminui na hora de expressar sua opinião - gostei, não gostei, achei muito bom, achei uma droga.
Não se intimide, em absoluto, diante daqueles caras que entendem de vinho - o único objetivo de beber vinho é o prazer que ele nos proporciona, pode ficar certo disso !
Você já ouviu alguém dizer uma frase como essa aí de cima ? Confesso que eu nunca ouvi ... Mas, curiosamente, ouço de muita gente frase semelhante referindo-se a vinhos ... Por que será ?
Foi a Tereza que me soprou a necessidade de escrever este post. Parece que o assunto dos vinhos tem esse poder meio intimidatório, meio assustador. Acho que muita gente se sente com a impressão de que o tema dos vinhos intimida, daí a necessidade de sempre afirmar alguma coisa como "eu não entendo nada de vinhos".
Muto bem, aqui vai uma novidade para você, dedicado leitor deste blog : não há nada, rigorosamente nada, para se entender a respeito de vinhos ... Há que se gostar ou não gostar, apreciar ou não apreciar, preferir este ou aquele vinho - mas essa história de entender de vinhos, acreditem-me, é balela da grossa.
Já falei um outro post que o assunto dos vinhos é rigorosamente idêntico a qualquer outro assunto que a gente possa curtir ou se interessar - ciências, futebol, literatura, cinema, artes, sei lá ... Quem se interessa mais, procura conhecer mais - quem se interessa menos, satisfaz-se com conhecer menos. Ponto final.
Uma vez, numa frase clássica, o poeta maranhense Ferreira Gullar disse que "a crase não foi feita para humilhar ninguém". Foi essa frase que parafraseei no título deste blog.
Não vejo nenhuma razão para que o sujeito se sinta inferiorizado diante de alguém que "entende de vinhos" ... Todo mundo tem na boca as mesmas papilas gustativas, todo mundo exerce o mesmo direito de ter seu gosto e seu prazer devidamente respeitados e apreciados pelos outros.
É claro que você, que está lendo este blog, sabe muito bem qual o vinho que lhe agrada mais dentre os que já bebeu. Pode até não lembrar do nome do vinho, ou da nacionalidade, ou de que uvas ele é feito. E daí ? Isso diminui o seu prazer, o seu gosto, a sua experiência gustativa ? É claro que não ! Na hora em que bebeu o vinho, soube de imediato se estava gostando ou não. Se bebê-lo outra vez, vai saber de novo, é óbvio. É só isso que conta - não há nada para se entender a respeito disso !
É evidente que alguns de nós (eu !!) gostamos de ter mais informações sobre o vinho - como ele é feito, quais as suas características mais marcantes, quem é o produtor, etc. Para isso, a gente pequisa na Internet, lê blogs como este e muitos outros, lê livros, etc. Se você também é assim, ótimo !
Agora, se você não é assim, isso em absoluto o impede ou o diminui na hora de expressar sua opinião - gostei, não gostei, achei muito bom, achei uma droga.
Não se intimide, em absoluto, diante daqueles caras que entendem de vinho - o único objetivo de beber vinho é o prazer que ele nos proporciona, pode ficar certo disso !
quinta-feira, 1 de março de 2012
Emporium Dinis, comportamento nota dez !
Em janeiro passado, no meu aniversário, Tereza me deu um daqueles presentinhos que eu adoro receber : um legítimo Barolo, o magnífico vinho italiano do Piemonte, chamado muitas vezes de "o rei dos vinhos e o vinho dos reis".
Semana passada, num jantar de sábado, decidimos abrir a preciosidade - e quase choramos de desgosto ... O meu precioso Barolo estava estragadinho ...
Já deu pra desconfiar assim que abrimos a garrafa - a rolha estava completamente infiltrada, ou seja, manchada de líquido até dois terços do seu comprimento. Isso pode ser sinal de problemas : se o vinho entrou pela rolha, é muito possível que o ar tenha entrado pelo caminho oposto, acelerando a oxidação do vinho. E não deu outra : o vinho estava descolorido, sem aroma nenhum, e com gosto de isopor ... Nada mais distante de um Barolo !
Na segunda-feira seguinte, levei tristemente a garrafinha à sua loja de origem - o Emporium Dinis, loja bacana de vinhos localizada dentro do Shopping Morumbi, aqui em Sampa. Eu estava meio ressabiado, ainda mais que tínhamos perdido a Nota Fiscal do bendito vinho.
Pois, meus amigos, o tratamento que me foi dispensado não poderia ter sido mais perfeito ! Eu expliquei o problema para um dos atendentes, que me pediu que esperasse enquanto ele chamava o gerente da loja. Este já veio lá de dentro me dizendo que não havia nenhum problema e que o vinho seria trocado imediatamente, como eu preferisse - por outra garrafa do mesmo vinho, ou por outro vinho que eu escolhesse. E ainda me pediu desculpas pelo acontecido !
OK, OK : sei muito bem que não fizeram mais do que a obrigação deles, e sei também que a garrafa defeituosa será provavelmente devolvida à importadora, sem maiores custos para a loja. O negócio é que a gente está tão habituado (infelizmente !) a ser maltratado na posição de consumidor que eu confesso que fui até a loja achando que eu teria que discutir, criar caso, brigar.
O fato de ter sido recebido de maneira gentil e compreensiva, o fato de terem acreditado em mim como cliente, o fato de terem tornado tudo tão admiravelmente simples - isso tudo representou, para mim, uma conquista e tanto.
Ficam aqui os meus parabéns e os meus agradecimentos ao Emporium Dinis (vejam o site deles aqui) - e fica também a promessa de que voltarei a comprar por lá sempre que possível.
Semana passada, num jantar de sábado, decidimos abrir a preciosidade - e quase choramos de desgosto ... O meu precioso Barolo estava estragadinho ...
Já deu pra desconfiar assim que abrimos a garrafa - a rolha estava completamente infiltrada, ou seja, manchada de líquido até dois terços do seu comprimento. Isso pode ser sinal de problemas : se o vinho entrou pela rolha, é muito possível que o ar tenha entrado pelo caminho oposto, acelerando a oxidação do vinho. E não deu outra : o vinho estava descolorido, sem aroma nenhum, e com gosto de isopor ... Nada mais distante de um Barolo !
Na segunda-feira seguinte, levei tristemente a garrafinha à sua loja de origem - o Emporium Dinis, loja bacana de vinhos localizada dentro do Shopping Morumbi, aqui em Sampa. Eu estava meio ressabiado, ainda mais que tínhamos perdido a Nota Fiscal do bendito vinho.
Pois, meus amigos, o tratamento que me foi dispensado não poderia ter sido mais perfeito ! Eu expliquei o problema para um dos atendentes, que me pediu que esperasse enquanto ele chamava o gerente da loja. Este já veio lá de dentro me dizendo que não havia nenhum problema e que o vinho seria trocado imediatamente, como eu preferisse - por outra garrafa do mesmo vinho, ou por outro vinho que eu escolhesse. E ainda me pediu desculpas pelo acontecido !
OK, OK : sei muito bem que não fizeram mais do que a obrigação deles, e sei também que a garrafa defeituosa será provavelmente devolvida à importadora, sem maiores custos para a loja. O negócio é que a gente está tão habituado (infelizmente !) a ser maltratado na posição de consumidor que eu confesso que fui até a loja achando que eu teria que discutir, criar caso, brigar.
O fato de ter sido recebido de maneira gentil e compreensiva, o fato de terem acreditado em mim como cliente, o fato de terem tornado tudo tão admiravelmente simples - isso tudo representou, para mim, uma conquista e tanto.
Ficam aqui os meus parabéns e os meus agradecimentos ao Emporium Dinis (vejam o site deles aqui) - e fica também a promessa de que voltarei a comprar por lá sempre que possível.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Um corte argentino de respeito !
Feriadão de carnaval, não viajamos, nos dedicamos ao cinema (temporada de Oscar !) e aos vinhos, é claro ...
Tereza arriscou uma receita pra lá de audaciosa, tirada do site do chef - nada mais, nada menos - Claude Troigros. É mole ?
Tratava-se de um filé mignon assado envolto em folhas de acelga, que ficou muito bonitinho - vejam na foto a carne pronta para ir ao forno :
O filé foi escoltado por um molho chimichurri feito em casa, artesanalmente, passo a passo, e por um delicioso purê de batatas assadas com creme de leite.
Querem dar uma olhadinha no prato pronto ? Tá aqui, ó :
Bacana, né ? Bom de ver, melhor ainda de comer, acreditem !
E o vinho ? Bem, optamos por um Numina 2007, que estava na adega há alguns dias esperando um boa oportunidade. Este vinho é o top de linha da casa Salentein, de Mendoza, Argentina. É um corte interessante, formado por 85 % de malbec com 15 % de merlot. A combinação dessas uvas ficou ótima - a merlot entra com a estrutura, o corpo, uma certa agressividade tânica. E a malbec com sua inconfundível carga de fruta tão típica dos vinhos produzidos lá pelo nuestros hermanitos.
Li em algum lugar que o enólogo responsável pela Numina (Laureano Gómez) afirma que a merlot é o equivalente ao "esqueleto" do vinho, ao passo que a malbec comporia os músculos ...
O fato é que se trata de um grande vinho : coloração escura e profunda, aromas intensos de frutas vermelhas e de violetas mesclados com toques de tabaco e couro, taninos elegantes arredondados pelos 16 meses de barricas e uma permanência em boca bastante superior à média.
Combinou muito bem com a carne assada e o purê, e ficou um pouco prejudicado pelo chimichurri, de sabor muito acentuado.
De qualquer forma, um excelente vinho, que nós ainda não conhecíamos - e somos mais felizes hoje, que o conhecemos ...
Está sendo trazido pela Zahil, e custa alguma coisa ao redor de 100 reais.
Cheers !
Tereza arriscou uma receita pra lá de audaciosa, tirada do site do chef - nada mais, nada menos - Claude Troigros. É mole ?
Tratava-se de um filé mignon assado envolto em folhas de acelga, que ficou muito bonitinho - vejam na foto a carne pronta para ir ao forno :
O filé foi escoltado por um molho chimichurri feito em casa, artesanalmente, passo a passo, e por um delicioso purê de batatas assadas com creme de leite.
Querem dar uma olhadinha no prato pronto ? Tá aqui, ó :
Bacana, né ? Bom de ver, melhor ainda de comer, acreditem !
E o vinho ? Bem, optamos por um Numina 2007, que estava na adega há alguns dias esperando um boa oportunidade. Este vinho é o top de linha da casa Salentein, de Mendoza, Argentina. É um corte interessante, formado por 85 % de malbec com 15 % de merlot. A combinação dessas uvas ficou ótima - a merlot entra com a estrutura, o corpo, uma certa agressividade tânica. E a malbec com sua inconfundível carga de fruta tão típica dos vinhos produzidos lá pelo nuestros hermanitos.
Li em algum lugar que o enólogo responsável pela Numina (Laureano Gómez) afirma que a merlot é o equivalente ao "esqueleto" do vinho, ao passo que a malbec comporia os músculos ...
O fato é que se trata de um grande vinho : coloração escura e profunda, aromas intensos de frutas vermelhas e de violetas mesclados com toques de tabaco e couro, taninos elegantes arredondados pelos 16 meses de barricas e uma permanência em boca bastante superior à média.
Combinou muito bem com a carne assada e o purê, e ficou um pouco prejudicado pelo chimichurri, de sabor muito acentuado.
De qualquer forma, um excelente vinho, que nós ainda não conhecíamos - e somos mais felizes hoje, que o conhecemos ...
Está sendo trazido pela Zahil, e custa alguma coisa ao redor de 100 reais.
Cheers !
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
A mais importante região vinícola do mundo
O poeta Carlos Drummond um dia escreveu : "É preciso fazer um poema sobre a Bahia ... Mas eu nunca fui lá."
Na minha opinião, Drummond é um dos três maiores poetas da língua portuguesa - mas isso não me impede, cara-de-pau que sou, de parafraseá-lo : "É preciso fazer um post sobre Bordeaux ... Mas eu nunca fui lá."
De fato nunca fui a Bordeaux (Tereza insiste para que eu escreva "ainda nunca fui a Bordeaux", o que é ótimo !), mas fiz algumas pesquisas sobre o tema e decidi escrever este post.
E porque é que "é preciso" escrevê-lo ? Por dois motivos.
O primeiro é que Bordeaux é simplesmente a mais conhecida e mais importante região vinícola do mundo, sem dúvida nenhuma.
O segundo é que dois casais de amigos meus, leitores habituais deste blog, vão visitar a região dentro de pouco tempo - a Michelle e o Ricardo, primeiro, e a Adriana e o Sebastian, mais tarde. Quem sabe este post pode ajudá-los na duríssima tarefa de decidir o que visitar por lá ?
A região de Bordeaux fica no sudoeste da França, e é cortada por dois rios famosos, o Garonne e o Dordogne, que se juntam no estuário da Gironde e desaguam no Atlântico. Os rios dividem Bordeaux em três regiões bem marcadas. A "margem esquerda" (a oeste do rio Garonne), a "margem direita" (a leste do rio Dordogne) e o triângulo entre os dois rios, chamada de Entre-Deux-Mers (que quer dizer "entre dois mares", embora não haja mar por lá e sim rios).
Tudo indica que o vinho começou a ser produzido por lá na época dos romanos, mas só há registros históricos a partir do século XII, quando Bordeaux esteve sob domínio inglês. Hoje, a região está dividida em 57 AOCs (Appellation d'Origine Contrôlée), e conta com mais de 10.000 produtores ... É, não vai dar pra conhecer todos eles, numa viagem, eu acho ...
O forte da região, como é óbvio, são os vinhos tintos, produzidos basicamente com 5 uvas : cabernet sauvignon, merlot, cabernet franc, petit verdot e malbec (que eles às vezes chamam de cot). Também são produzidos alguns brancos secos, com uvas sémillon e sauvignon blanc. Ah, sim : produz-se por aqui ainda o mais espetacular vinho branco doce do mundo, o Sauternes.
A margem esquerda é o terroir por excelência da cabernet sauvignon, e ficam deste lado do Garonne algumas AOCs magníficas : Médoc, Haut-Médoc, St. Estèphe, Pauillac, Margaux, Pessac-Lèognan, Sauternes.
Grandes produtores por aqui são, apenas como exemplo, o Château Cos d'Estournel (St. Estèphe), os incomparáveis Château Lafite-Rothschild e Château Latour (Pauillac), o Château Margaux (Margaux) e o mitológico Château d'Yquem, que produz o Sauternes mais famoso (e mais caro !) do mundo.
A margem direita é o "império da merlot", com as AOCs St-Émilion, Pomerol, Lalande-de-Pomerol, entre outras. Grandes nomes desta região : Château Cheval Blanc (lembram do filme Sideways ? É aquele vinho que o Paul Giamatti bebe na lanchonete ...), Château Figeac, Château Lafleur, Château Pétrus.
A região de Entre-Deux-Mers é um pouco menos "atraente", do ponto de vista da qualidade dos vinhos - mas é a região que produz o maior volume em Bordeaux. A região é mais conhecida pela produção dos brancos secos.
Enfim, meus amigos que estão de partida para lá - vocês vão se divertir ...
Michelle e Ricardo, vocês que vão primeiro para Bordeaux - que tal descreverem pra gente, aqui no blog, o que viram / beberam / sentiram / curtiram por lá ? Fica aqui a sugestão ...
Na minha opinião, Drummond é um dos três maiores poetas da língua portuguesa - mas isso não me impede, cara-de-pau que sou, de parafraseá-lo : "É preciso fazer um post sobre Bordeaux ... Mas eu nunca fui lá."
De fato nunca fui a Bordeaux (Tereza insiste para que eu escreva "ainda nunca fui a Bordeaux", o que é ótimo !), mas fiz algumas pesquisas sobre o tema e decidi escrever este post.
E porque é que "é preciso" escrevê-lo ? Por dois motivos.
O primeiro é que Bordeaux é simplesmente a mais conhecida e mais importante região vinícola do mundo, sem dúvida nenhuma.
O segundo é que dois casais de amigos meus, leitores habituais deste blog, vão visitar a região dentro de pouco tempo - a Michelle e o Ricardo, primeiro, e a Adriana e o Sebastian, mais tarde. Quem sabe este post pode ajudá-los na duríssima tarefa de decidir o que visitar por lá ?
A região de Bordeaux fica no sudoeste da França, e é cortada por dois rios famosos, o Garonne e o Dordogne, que se juntam no estuário da Gironde e desaguam no Atlântico. Os rios dividem Bordeaux em três regiões bem marcadas. A "margem esquerda" (a oeste do rio Garonne), a "margem direita" (a leste do rio Dordogne) e o triângulo entre os dois rios, chamada de Entre-Deux-Mers (que quer dizer "entre dois mares", embora não haja mar por lá e sim rios).
Tudo indica que o vinho começou a ser produzido por lá na época dos romanos, mas só há registros históricos a partir do século XII, quando Bordeaux esteve sob domínio inglês. Hoje, a região está dividida em 57 AOCs (Appellation d'Origine Contrôlée), e conta com mais de 10.000 produtores ... É, não vai dar pra conhecer todos eles, numa viagem, eu acho ...
O forte da região, como é óbvio, são os vinhos tintos, produzidos basicamente com 5 uvas : cabernet sauvignon, merlot, cabernet franc, petit verdot e malbec (que eles às vezes chamam de cot). Também são produzidos alguns brancos secos, com uvas sémillon e sauvignon blanc. Ah, sim : produz-se por aqui ainda o mais espetacular vinho branco doce do mundo, o Sauternes.
A margem esquerda é o terroir por excelência da cabernet sauvignon, e ficam deste lado do Garonne algumas AOCs magníficas : Médoc, Haut-Médoc, St. Estèphe, Pauillac, Margaux, Pessac-Lèognan, Sauternes.
Grandes produtores por aqui são, apenas como exemplo, o Château Cos d'Estournel (St. Estèphe), os incomparáveis Château Lafite-Rothschild e Château Latour (Pauillac), o Château Margaux (Margaux) e o mitológico Château d'Yquem, que produz o Sauternes mais famoso (e mais caro !) do mundo.
A margem direita é o "império da merlot", com as AOCs St-Émilion, Pomerol, Lalande-de-Pomerol, entre outras. Grandes nomes desta região : Château Cheval Blanc (lembram do filme Sideways ? É aquele vinho que o Paul Giamatti bebe na lanchonete ...), Château Figeac, Château Lafleur, Château Pétrus.
A região de Entre-Deux-Mers é um pouco menos "atraente", do ponto de vista da qualidade dos vinhos - mas é a região que produz o maior volume em Bordeaux. A região é mais conhecida pela produção dos brancos secos.
Enfim, meus amigos que estão de partida para lá - vocês vão se divertir ...
Michelle e Ricardo, vocês que vão primeiro para Bordeaux - que tal descreverem pra gente, aqui no blog, o que viram / beberam / sentiram / curtiram por lá ? Fica aqui a sugestão ...
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Chardonnay, chardonnay e chardonnay
Sábado tivemos um daqueles deliciosos jantares com nossos queridos amigos campineiros, a Cláudia e o Walther, nos quais a gente se dedica a provar novos vinhos ou a se deliciar de novo com "velhos amigos", vinhos que a gente já bebeu e fica com saudades ...
O jantar foi o famoso peixe com bananas da Tereza, que já entrou para o nosso cardápio definitivo - mas desta vez inovamos nas bebidas.
Isto é, inovamos em parte - decidimos que um bom vinho branco geladinho, de uvas chardonnay seria, sem dúvida, o melhor acompanhamento para o jantar, tanto por conta do casamento perfeito da untuosidade cremosa e ácida do chardonnay com o peixe e com as bananas, como por conta do calorão que tem assolado Sampa nas últimas semanas.
A inovação ficou por conta da experimentação com os vinhos - uma brincadeira que se mostrou deliciosa e extremamente didática.
Optamos por três tipos de chardonnay, que já sabíamos (pela literatura e por nossa própria experiência) bem diferentes entre si.
O primeiro foi um Fetzer Chardonnay 2009, um californiano que, surpreendentemente, não passa por madeira, ou passa apenas rapidamente, de forma que não se notam os aromas característicos do carvalho. É um vinho de bela coloração amarelo brilhante, com aromas de maçã e abacaxi, um toque amanteigado (virá de uma fermentação malolática ou da própria uva ? Confesso que não descobri ...). Na boca, pareceu um tantinho adocicado, mas preservava um bom frescor e acidez. Em suma, qualidades razoáveis para um vinho desse preço (cerca de 25 reais). Curioso é que a vinícola Fetzer, californiana, foi recentemente comprada pela chileníssima Concha y Toro.
A seguir, mudamos de latitudes e provamos um argentino, o Finca La Linda Chardonnay 2010, um típico mendoncino (produzido pela Luigi Bosca) que nos pareceu superior ao primeiro. Muito menos doce e com maior acidez, com aromas marcados de maçãs e pêras, e um leve toque de mel.
Terminamos com nova mudança de continente, e fomos agora ao rei dos chardonnay : um Chablis Louis Latour 2010, fresco e vibrante. O aroma do Chablis é um clássico entre os enófilos, já que reúne as características da fruta com a mineralidade do solo da região, que fica ao norte da Borgonha. O solo (que já foi o fundo de um mar) é formado por microscópicos fragmentos de conchas, que conferem ao Chablis um aroma único.
Conclusão - o Chablis foi o melhor vinho da noite, disparado - mas a melhor combinação com a comida talvez tenha sido dada pelo argentino.
Conclusão 2 (e mais significativa para nós) - não se pode, absolutamente, atribuir todas as características de um vinho apenas à uva com a qual ele foi produzido ... Eram três chardonnay, mas eram três vinhos completamente diferentes entre si. Nada, absolutamente nada, nos levaria a pensar que se tratava da mesma uva nos três vinhos, se a gente tivesse feito uma degustação às cegas ... Iríamos cair do cavalo ...
Fica, pois reafirmado o princípio dos três Gs que "compõem" o vinho - grape (a uva), ground (o terreno) e guy (a influência e a tecnologia adicionadas pelo homem).
O jantar foi o famoso peixe com bananas da Tereza, que já entrou para o nosso cardápio definitivo - mas desta vez inovamos nas bebidas.
Isto é, inovamos em parte - decidimos que um bom vinho branco geladinho, de uvas chardonnay seria, sem dúvida, o melhor acompanhamento para o jantar, tanto por conta do casamento perfeito da untuosidade cremosa e ácida do chardonnay com o peixe e com as bananas, como por conta do calorão que tem assolado Sampa nas últimas semanas.
A inovação ficou por conta da experimentação com os vinhos - uma brincadeira que se mostrou deliciosa e extremamente didática.
Optamos por três tipos de chardonnay, que já sabíamos (pela literatura e por nossa própria experiência) bem diferentes entre si.
O primeiro foi um Fetzer Chardonnay 2009, um californiano que, surpreendentemente, não passa por madeira, ou passa apenas rapidamente, de forma que não se notam os aromas característicos do carvalho. É um vinho de bela coloração amarelo brilhante, com aromas de maçã e abacaxi, um toque amanteigado (virá de uma fermentação malolática ou da própria uva ? Confesso que não descobri ...). Na boca, pareceu um tantinho adocicado, mas preservava um bom frescor e acidez. Em suma, qualidades razoáveis para um vinho desse preço (cerca de 25 reais). Curioso é que a vinícola Fetzer, californiana, foi recentemente comprada pela chileníssima Concha y Toro.
A seguir, mudamos de latitudes e provamos um argentino, o Finca La Linda Chardonnay 2010, um típico mendoncino (produzido pela Luigi Bosca) que nos pareceu superior ao primeiro. Muito menos doce e com maior acidez, com aromas marcados de maçãs e pêras, e um leve toque de mel.
Terminamos com nova mudança de continente, e fomos agora ao rei dos chardonnay : um Chablis Louis Latour 2010, fresco e vibrante. O aroma do Chablis é um clássico entre os enófilos, já que reúne as características da fruta com a mineralidade do solo da região, que fica ao norte da Borgonha. O solo (que já foi o fundo de um mar) é formado por microscópicos fragmentos de conchas, que conferem ao Chablis um aroma único.
Conclusão - o Chablis foi o melhor vinho da noite, disparado - mas a melhor combinação com a comida talvez tenha sido dada pelo argentino.
Conclusão 2 (e mais significativa para nós) - não se pode, absolutamente, atribuir todas as características de um vinho apenas à uva com a qual ele foi produzido ... Eram três chardonnay, mas eram três vinhos completamente diferentes entre si. Nada, absolutamente nada, nos levaria a pensar que se tratava da mesma uva nos três vinhos, se a gente tivesse feito uma degustação às cegas ... Iríamos cair do cavalo ...
Fica, pois reafirmado o princípio dos três Gs que "compõem" o vinho - grape (a uva), ground (o terreno) e guy (a influência e a tecnologia adicionadas pelo homem).
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