No último final de semana, a nossa BIP
(Busca Incansável do Prazer) nos levou, ao lado de amigos queridos, a um belo
cantinho da sempre bela Serra da Mantiqueira – o Restaurante Entre Vilas,
próximo à cidade de São Bento do Sapucaí.
Os arredores são belíssimos – o verde e as
imponentes montanhas da Mantiqueira, emoldurados, como estavam no sábado, por
um céu tão azul que chegava a parecer artificial …
O restaurante é agradável, o pessoal de
serviço é simpático, o proprietário e chef (Rodrigo Veraldi) é simpaticíssimo –
e a comida é ótima, como mencionei lá no título do post. A proposta é mesmo de
slow-food : você passa a tarde toda por lá, comendo diversos pratos, e
espiando, sem pressa, a paisagem ao redor.
Definitivamente, é um lugar que vale a pena
ser visitado, num fim-de-semana, para quem gosta de fugir de Sampa de vez em
quando. Há até quem faça o famoso bate-e-volta, indo até lá só para almoçar e
retornando no fim do dia. Pessoalmente, acho meio cansativo – foi uma delícia
dormir por lá mesmo, numa bela pousada a 3 km de distância, e ainda desfrutar
da manhã de domingo no mato.
Porém – ai, porém, como no samba do grande
Paulinho da Viola …
Minha solene recomendação é que, pra
acompanhar o bom almoço, você vá mesmo de cervejas, refrigerantes, sucos, essas
coisas …
O Entre Vilas funciona também como
vinícola, e serve no seu cardápio os vinhos produzidos por ali mesmo, na
própria Mantiqueira – e, neste pormenor, a experiência não foi nada boa, não
...
Demos início aos trabalhos com um rosé
feito da uva syrah, chamado Vento, safra de 2017. O vinho já tinha uma
coloração um tanto estranha, avermelhada demais, parecendo artificial. Havia
uma certa borra no vinho, também bastante estranha em se tratando de um rosé
novíssimo. Aroma, nenhum. Na boca, nada de acidez, e um sabor residual de …
groselha ! Não a fruta, mas a velha Groselha Vitaminada Milani – acho que todo
mundo lembra do sabor, né ? Não cheguei a beber minha taça toda.
Passamos depois aos tintos – o vinho
seguinte foi um tinto de cabernet franc, chamado Montesa. O visual até que
prometia, com seus reflexos violáceos bem marcantes. No nariz, a mesma ausência
de qualquer fragrância, e na boca, a mesma falta total de acidez. Um vinho
desequilibrado, chatinho, quase sem sabor.
A terceira garrafa foi do chamado
Obsession, um blend de cabernet sauvignon e cabernet franc (em proporção de 80
% e 20 % respectivamente, segundo o proprietário). Este apresentava um aroma um
pouquinho mais pronunciado- mas, mais uma vez, acidez zero e sabores muito,
muito sutis – quase imperceptíveis, diria eu …
Acabou que o melhor vinho do dia foi a
garrafa seguinte, o Vinho da Estância, um blend de cabernet sauvignon, tannat e
tempranillo – que não é produzido lá, e sim em Dom Pedrito, na Campanha Gaúcha, pela Vinícola
Guatambu.
Como se não bastasse, os vinhos são bem
caros – o rosé custava 110 reais, o cabernet franc custava 130 reais, e o blend
150 reais. Definitivamente, pouca qualidade para muito preço …
Resumo da ópera : visite o Entre Vila com
seu grupo de amigos, divirta-se com o passeio em si, aproveite a boa comida e a
simpatia do pessoal – mas deixe o vinho pra lá …















