sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Novos vinhos, novas harmonizações

Ontem à noite, jantamos em um lugar de que sempre gostamos muito - o Ráscal, na filial que fica no Shopping Market Place. Eles sempre ganham o título de Melhor Cozinha Rápida naquela edição anual da Vejinha - pois bem, este ano, ganharam também o título de Melhor Carta de Vinhos. Pessoalmente, achei ótima a premiação : a carta de vinhos do Ráscal é ampla e variada, tem vinhos de qualidades e preços para todo mundo. Ontem à noite, todos os garçons exibiam no peito um selinho dourado comemorando os dois títulos deste ano.

O jantar foi como sempre por lá : uma caprichada mesa de antepastos, uma pizza bem acima da média, serviço cordial e atencioso - e, claro, um bom vinho.

Provamos um Bremerton Selkirk Shiraz 2007 - um australiano produzido na região de Langhorn Creek, em South Australia. Como bom shiraz australiano, o vinho mescla aromas de frutas com aquelas notas de especiarias que já são clássicas nesse vinho, principalmente cravo e pimenta-do-reino. Na boca, o vinho se mostrou bem equilibrado. Ele tem uma graduação alcoólica alta - são 14,5 graus - mas a gente mal percebe. Um vinho redondo, de personalidade, que harmonizou muitíssimo bem com uma pizza de mozzarella com alho, e também com a minha deliciosa calabresa curada.

O vinho não é baratinho, mas dá pra encarar  - cerca de 90 reais.

Já com a pizza de atum da Tereza, a coisa não funcionou bem. Aliás, ficou pra nós a curiosidade - que vinho harmonizaria bem com uma pizza desse tipo ? O atum tem sabor muito marcante, mas a pizza clássica também leva muita cebola e molho de tomate - acho que é mesmo uma combinação complicada. Vamos ter que testar outras possibilidades ... Alguém aí tem alguma sugestão ?

Como sempre, saímos de lá satisfeitos e felizes, com a comida, com o vinho, e com a qualidade do serviço. Destaque para a simpatia e a competência do sommelier Gilberto, que sempre nos atende muito bem.

Somos fregueses, e continuaremos sendo !

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Carne seca com abóbora - harmonização complicada ...

Meu amigo Antonio Matiello Neto, leitor do blog, me manda um e-mail com a seguinte pergunta :
"a patroa aqui em casa caprichou numa carne seca com abóbora e pediu para eu fazer o mesmo no vinho ... E agora?"
Xiii, essa é difícil ... Não tanto, é claro, pela carne seca - mas pela presença docinha da abóbora, que complica bastante a combinação com o vinho. De qualquer forma, esta foi minha resposta a ele :


"Se fosse somente a carne seca, eu não teria dúvida em ir com um tinto mais encorpado - o primeiro que me ocorre seria um tinto italiano do Piemonte, um Barolo ou um Barbaresco, que tem uma excelente acidez e que poderiam combinar com os sabores fortes da carne.

O problema é que a presença adocicada da abóbora certamente vai conflitar com esses tintos mais pesados ...

Nunca tentei, mas acho que eu arriscaria um branco encorpado. Certamente, não um que tivesse muito frescor e cítricos (nada de sauvignon blanc, torrontés) nem minerais marcantes (esqueça os Chablis ...) Que tal tentar com um chardonnay californiano ? O corpo desse vinho, a madeira muito marcante pode combinar com a carne, ao passo que a untuosidade e a fruta, típicos dessa uva, poderiam talvez combinar com a abóbora ... Outra possibilidade que me ocorre seria um Tokaj húngaro - não um Aszu, muito doce para esse prato, mas um furmint, um branco mais seco (e mais barato,também !)

É difícil imaginar um tinto que se saia bem na presença da abóbora - se tivesse que arriscar, acho que iria pensar em um tinto mais frutado, talvez um malbec argentino não reserva, com pouca passagem por carvalho, algum em que a fruta fosse mais dominante.

Enfim, é um belo desafio, desses que a gente gosta de encarar !"

Por fim, o Antonio e a esposa encararam mesmo o delicioso desafio. Este foi o comentário final dele :


"Caro Nivaldo,
para escorar minha carne seca com abóbora, acabei indo de Montes Alpha Chardonnay. Embora amadeirado, ele tem muito de mantega, que acabou se saindo bem com a carne, um tanto salgada ainda. Mas como você disse, com a abóbora tudo era uma incógnita. Minha mulher gostou. Eu também, mas demorei mais para tanto. A viscosidade da uva como que "empacotou" o doce da abóbora, numa simbiose estranha, onde o corpo pronunciado da Chardonnay e o doce da abóbora foram na mesma direção, anulando-se e levando com eles o sal acentuado da carne. Mas ainda assim, foi mais interessante que estranho.
Abs!

Matiello "
Parece que o resultado final foi positivo - mas eu, pessoalmente, fiquei bastante curioso ... Vou fazer a prova, eu mesmo, um dia desses. Depois eu conto por aqui minhas impressões.

Alguém por aí tem alguma sugestão ?

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Ainda a moqueca - experimentando harmonizações

Neste final de semana, Tereza fez outra vez uma bela moqueca de cação - moqueca baiana, daquelas com coentro, azeite de dendê, leite de coco.

Nosso queridos amigos de Campinas, a Cláudia e o Walther, estiveram com a gente - e vieram nos apoiar em uma duríssima tarefa : tentar combinar três tipos diferentes de vinhos brancos com a tal da moqueca, para testar qual deles se sairia melhor.

Da última vez que encaramos a moqueca, confirmamos por nossa própria experiência aquilo que a literatura recomenda : a combinação com um bom chardonnay. Se você não leu o relato dessa nossa primeira harmonização com moqueca, leia aqui.

Mas a gente padece de uma curiosidade infinita, fazer o quê ? ... O jeito é chamar os amigos e beber umas coisinhas diferentes, sempre tentando descobrir que vinho combina com qual comida. Tereza e eu chamamos esse nosso processo de BIP - a Busca Incansável do Prazer ...

E lá fomos nós, em mais uma etapa da BIP !

Começamos com um Terrazas de Los Andes Torrontés Reserva 2008. A torrontés é uma uvinha caprichosa, como já escrevi antes aqui no blog. No nariz, a gente sente aromas intensos de frutas e de flores. O sujeito pode jurar que vai bebericar um vinho adocicado - e na boca, ela em geral surpreende com sabores muito mais minerais e secos do que o aroma parecia indicar. Apesar disso, a combinação com a moqueca não foi boa - chegamos à conclusão que ficou apenas satisfatória. Se não chegou a existir conflito entre os sabores, também não houve aquele casamento perfeito que caracteriza a harmonização que deu certo.

O segundo vinho, já de maior responsabilidade, era da Alsácia : um Alsace Gewüztraminer Dopff & Fils 2009. Vinho delicioso : o aroma da gewürztraminer recendia a lichia e cítricos, mas também a especiarias. No entanto, a combinação com a moqueca, desta vez, definitivamente não aconteceu. Ao contrário : os sabores brigavam na boca, e o resultado foi ruim - pena, porque o vinho era realmente bom !



Para o final, como garantia de que chegaríamos a bons resultados, nós guardamos o que já tínhamos provado antes : um Altos del Plata Chardonnay 2009, também da Terrazas de Los Andes - e aqui a mágica aconteceu ... Combinação perfeita : a untuosidade do chardonnay casando com o molho rico da moqueca, e destacando os sabores delicados do peixe. As notas de frutas tropicais realçavam, por contraste, os sabores marcantes dos temperos exóticos - e todos ficamos felizes  satisfeitos ...

Fica aqui registrada, portanto, nossa opinião - para uma moqueca baiana, vá de chardonnay - não aqueles americanos, carregadíssimos na madeira, mas um argentino mais leve, mais delicado.

Ainda planejo, um dia, provar a moqueca com outros brancos - talvez um riesling, talvez um vinho verde português.

Afinal, a BIP não pode parar !

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Champanhe, espumante, prosecco ...

Vou falar dos diversos tipos de vinhos espumantes - que a gente aqui no Brasil tem a mania de chamar, indiferentemente, de champanhe.

Todo mundo sabe que o vinho é produzido pela fermentação das uvas, em um processo que transforma o açúcar da fruta em álcool. Na verdade, para ser mais preciso, a fermentação consome o açúcar e produz o álcool - e, além disso, produz também gás carbônico. Na maior parte dos vinhos (os vinhos que são chamados de tranquilos, isto é, os não-espumantes), a fermentação se dá a céu aberto, e o tal do gás carbônico produzido se perde na atmosfera.

Para a produção dos vinhos espumantes, a fermentação ocorre dentro de recipientes fechados, e o gás carbônico produzido fica preservado dentro do líquido - são, é claro, as famosas bolinhas, ou a perlage do espumante (perlage, a palavra francesa que encantou minha amiga Vania, lá de Goiás ...)

Os vinhos espumantes são produzidos em muitos países do mundo, em diferentes regiões, com diferentes uvas e diferentes processos - mas esse jeitão básico descrito aí em cima é o mesmo para todos eles.

Os espumantes fabricados no norte da França, em uma pequena e fria região chamada Champagne - esses (e apenas esses) podem utilizar o nome champagne para sua classificação. O champagne francês é produzido em geral com um blend de três uvas : pinot noir e pinot meunier (tintas) e chardonnay (branca). Ele deve ser produzido pelo método chamado de champenoise, ou método tradicional - neste método, a fermentação do líquido é interrompida em um determinado momento, o líquido é engarrafado e permite-se que ocorra uma segunda fermentação dentro da garrafa - o que vai garantir a formação perfeita da tal da perlage. Trata-se de um método bastante artesanal e caro - daí que o produto final também costuma ser caro ...

Há um outro método de produção de espumantes, que é o método charmat. Neste método, batizado em homenagem ao engenheiro francês Eugéne Charmat, a segunda fermentação ocorre dentro de grandes tanques de inox. É um processo mais simples e mais barato - mas, se bem conduzido, pode produzir bons vinhos espumantes a custo menor do que o método tradicional.

Na própria França, em outras regiões, são produzidos bons espumantes, pelos dois métodos, que jamais são chamados de champanhe : são os Crémant e os Musseaux.

Na Alemanha se produz o chamado sekt, espumante local que não costuma ser muito comum no nosso mercado - confesso que eu nunca tomei um destes ...

Na Espanha, bem pertinho de Barcelona, são produzidos excelentes espumantes, que por lá recebem o nome de cavas. Há, na mesma cidadezinha, dois enormes fabricantes que exportam para o mundo inteiro (Freixenet e Codorníu) e mais algumas dezenas de pequenos fabricantes espalhados pela cidade. Estes vinhos utilizam uvas locais, características da região da Catalunha, como a macabeo, a xarel-lo e a parellada. Seus preços no Brasil são bem convidativos : as cavas podem representar uma ótima alternativa para quem está buscando um bom espumante.

No norte da Itália são produzidos os Asti, com uva moscato, que são vinhos mais doces e de baixo teor alcoólico. Ao redor da cidade de Veneza, produz-se os famosos Prosecco, feitos com a uva do mesmo nome. A maior parte destes vinhos que chega ao mercado brasileiro são vinhos comuns, sem grandes atrativos - vale muito mais a pena comprar um bom espumante brasileiro do que a maioria dos proseccos que se vende hoje por aqui.

Ah, então aqui no Brasil se fabrica bons espumantes ? Sim, senhor ! Apesar do hábito meio chatinho de ficar chamando o vinho de champanhe, a verdade é que nossos espumantes, produzidos no Rio Grande do Sul, são de excelente qualidade. Eles são geralmente produzidos pelo método charmat, com diversas uvas, e por uma boa lista de fabricantes : Aurora, Marco Luigi, Chandon, Dal Pizzol, Georges Aubert, Miolo ...

Escolha um deles, abra - e comece a festa !


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Comprou vinho barato ? Seus problemas acabaram !

Tempos atrás, escrevi aqui no blog um texto sobre o uso do decanter. Meu amigo Hélder, seguidor do blog desde o início, comentou que o decanter tinha ainda uma outra utilidade : servia para disfarçar o vinho vagabundo que você eventualmente tivesse comprado, já que ninguém estaria vendo o rótulo e a garrafa do tal vinho ...

Pois bem, acaba de surgir uma nova solução para esse problema ! Uma dupla de designers criativos, o Gustavo Piqueira e a Samia Jacintho, criaram uma coleção de supostos rótulos de vinhos bacanas para você colar sobre o rótulo daquele vinhozinho de 5 reais que você comprou no super-mercado ali da esquina. Não é o máximo ?


Descobri esses rótulos em um blog muito divertido, chamado Bem Legaus ! O autor do blog, o André Montejorge, publica as coisas mais bizarras e engraçadas que eu tenho visto na Internet ultimamente. Vale a pena dar uma passeadinha por lá !


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Com que taça... eu vou... ao vinho que você me convidou ?



Começar um post sobre vinho parodiando Noel Rosa é o máximo, fala a verdade ...

Meus amigos Vânia e Gerson, lá de Goiânia, me perguntam sobre as taças apropriadas para beber vinho - será que faz diferença ? Isto é, o modelo da taça pode interferir no sabor do vinho ? Estranho, né ?

Estranho - mas, em um certo nível, real. Há duas vertentes principais que explicam esse troço que parece tão estranho, à primeira vista.

A primeira delas (mais subjetiva) é que a experiência sensorial que a gente vive ao beber um bom vinho passa pelo conjunto dos nossos sentidos. Evidentemente, a gente cheira e saboreia o vinho - mas o primeiro impacto é o visual. E a apreciação visual já começa a impressionar - positiva ou negativamente - os nossos sentidos, de forma a "ajudar" a formar a opinião. É como na história da gastronomia, aquele segredinho que os japoneses conhecem tão bem : a gente começa a comer com os olhos ...

A outra razão é muito mais objetiva : com os avanços científicos e tecnológicos, hoje em dia já é possível fabricar taças que "exploram" da melhor forma possível as características de cada vinho - vinhos mais tânicos ou mais suaves, vinhos mais ou menos encorpados - pra não falar das coisas mais óbvias : brancos, tintos, rosados, fortificados, doces ...

Se a gente fuçar um pouco na Internet, descobre que há taças especialmente desenhadas para cada um desses tipos de vinho. Li em algum lugar que o famoso fabricante Riedel, da Áustria, tem mais de 400 modelos de taças - um para cada tipo de vinho ou de uva do mundo ...

Então a gente tem que ter dúzias e mais dúzias de diferentes taças, para os diferentes vinhos ? Não, claro que isso não é necessário, a não ser que você tenha muita grana para torrar ... Eu, pessoalmente, prefiro reservar a grana para os vinhos ...

Então, o fundamental é ter dois tipos de taças - exatamente com a Vania já está pensando em fazer.



Uma delas é reservada para os espumantes. Esses, realmente, merecem uma taça específica, a famosa flûte , que significa flauta, em francês. É aquela tacinha comprida e fina, com haste, cujo principal papel é fazer com que a perlage do espumante fique mais concentrada e dure mais tempo. Perlage, você sabe, são as famosas bolhinhas que fazem do espumante um vinho absolutamente diferenciado ...






O outro tipo pode ser uma taça muito conhecida como taça ISO, ou taça de degustação. Elas podem ser encontradas tanto em vidro como em cristal, e são produzidas hoje em dia por praticamente qualquer fabricante de taças. Estas taças são taças coringa, que podem tranquilamente ser usadas para qualquer tipo de vinho.

Há também variantes da taça ISO que mantém o formato básico, mas são maiores, mais bonitas, talvez mais elegantes - suprem perfeitamente esse mesmo papel.



Condições mínimas para as taças - tanto as flûte quanto as ISO :

  • devem ser de cristal ou de vidro fino - nada daquelas bordas grossas e pesadas que se chocam contra os lábios. Esqueça os copos de requeijão, por favor ...
  • devem ter o corpo afunilado, arredondado em baixo e com a boca mais estreita, para melhor canalizar os aromas do vinho em direção ao rosto do cachace.... digo, do degustador.
  • devem ter haste, o famoso pezinho, para que o calor da mão não interfira na temperatura da bebida.
  • devem ser transparentes, sem cores, sem desenhos nem gravações que afetem a visão do precioso líquido no seu interior ...
  • devem ser lavadas com muita água corrente e um mínimo de detergente líquido, para que não fiquem resquícios.
Depois, quando a grana estiver sobrando, você começa a sofisticar e vai comprando uma taça específica para cada vinho que gosta de beber - uma para os Bordeaux, outra para os Borgonha, uma terceira para os Sauternes ...

Estas são as medidas oficiais da taça ISO, para quem se interessa por regulamentos


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Blogueiros mal-humorados

Tenho o hábito de percorrer alguns blogs sobre vinhos, para aprender e para me divertir - evidentemente, gosto do tema, como se nota ... Os blogs que acho mais legais estão destacados aí na lateral. Vale a pena visitá-los : você vai aprender mais sobe vinhos, vai se divertir, vai dar boas risadas.

Mas tenho notado que há um certo mau humor pintando, aqui e ali, na tal da blogosfera - que palavrinha horrorosa, não ?

A coisa consiste basicamente no seguinte : o sujeito emite sua opinião sobre algum vinho. Se você concorda com ele, ótimo. Se você não concorda, você automaticamente se encaixa numa das três situações abaixo :

  • Você é uma besta quadrada que não sabe diferenciar um malbec argentino de um cabernet sauvignon californiano.
  • Você é um enochato, um bebedor de rótulos, que está tentando impor seu ponto de vista medíocre e elitista e acabar com o prazer de quem simplesmente quer beber vinho.
  • Você é um vendido que está fazendo propaganda disfarçada de alguma loja ou importadora.
Bem, e eu o que sou ? Em qual das três categorias me encaixo mais confortavelmente ?

Vendido eu sei que não sou - se falo bem aqui de um vinho ou de uma loja, é simplesmente porque bebi o tal vinho e gostei, ou comprei vinhos na tal loja e fui bem atendido.

Uma besta quadrada ? Bem ... Já me atrapalhei tentando diferenciar um vinho branco de um vinho tinto, provados naquelas famosas taças negras, em que o cristal negro impede a gente de ver o conteúdo. Já tentaram fazer isso ? Ao contrário do que parece, não é mole, não ...

Serei então um enochato ?

Eu realmente acho que o prazer de beber um vinho não se esgota exclusivamente em verter o líquido goela adentro. Por uma disposição de espírito natural, gosto de saber mais sobre o que estou consumindo. Que tipo de vinho é, de que uvas foi feito, onde foi produzido, por quem, sob qual processo o vinho foi obtido. Qual a história - se é que há alguma - envolvida na concepção ou na produção daquele vinho específico - e por aí afora.

Aliás, essa minha predisposição vale também para outras coisas que consumo. Se leio um livro que me encanta, quero saber quem é o autor, qual sua nacionalidade, em que época viveu, que outras coisas publicou. Se vejo um filme, quero saber quem são os atores, o diretor. Não raro, vou atrás de sites especializados para saber onde foram feitas as locações, quem compôs as canções, e assim por diante.

Isso faz de mim um chato ? Provavelmente a resposta é sim, para um determinado número de pessoas que acham que tudo isso é irrelevante e que o prazer consiste apenas na fruição descompromissada do vinho, do livro, do filme, o que seja. Mas ouso supor que há por aí um monte de gente que pensa como eu que gosta e que se interessa por informações mais amplas - uma espécie de ampliação do simples prazer sensorial instantâneo.

Os bebedores do primeiro tipo certamente não vão nem chegar perto de um blog como o meu. Que eles continuem a beber seus vinhos alegremente e curtam seu prazer (como se eles precisassem da minha autorização para fazer isso !)

Para os bebedores do segundo tipo, eu os convido a continuar lendo e dando palpites em blogs como este e como os que eu venho destacando aí na coluninha lateral. Tenho certeza de que vão continuar a se divertir, trocando experiências e informações sobre os vinhos que beberam ontem ou os que pretendem beber amanhã.

Além do mais, vamos e venhamos, pra que tanto mau-humor ? Estamos falando de vinhos !! Imaginem como seria a postura desse pessoal se estivéssemos falando aqui de coisas realmente sérias - a crise econômica, a primavera árabe,  a poluição desenfreada, a campanha do Palmeiras na Brasileirão ...

Tenho dito !
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