quarta-feira, 7 de junho de 2017

Excelente lugar, ótima comida ... e alguns vinhos

No último final de semana, a nossa BIP (Busca Incansável do Prazer) nos levou, ao lado de amigos queridos, a um belo cantinho da sempre bela Serra da Mantiqueira – o Restaurante Entre Vilas, próximo à cidade de São Bento do Sapucaí.

Os arredores são belíssimos – o verde e as imponentes montanhas da Mantiqueira, emoldurados, como estavam no sábado, por um céu tão azul que chegava a parecer artificial …

O restaurante é agradável, o pessoal de serviço é simpático, o proprietário e chef (Rodrigo Veraldi) é simpaticíssimo – e a comida é ótima, como mencionei lá no título do post. A proposta é mesmo de slow-food : você passa a tarde toda por lá, comendo diversos pratos, e espiando, sem pressa, a paisagem ao redor.

Definitivamente, é um lugar que vale a pena ser visitado, num fim-de-semana, para quem gosta de fugir de Sampa de vez em quando. Há até quem faça o famoso bate-e-volta, indo até lá só para almoçar e retornando no fim do dia. Pessoalmente, acho meio cansativo – foi uma delícia dormir por lá mesmo, numa bela pousada a 3 km de distância, e ainda desfrutar da manhã de domingo no mato.

Porém – ai, porém, como no samba do grande Paulinho da Viola …

Minha solene recomendação é que, pra acompanhar o bom almoço, você vá mesmo de cervejas, refrigerantes, sucos, essas coisas …

O Entre Vilas funciona também como vinícola, e serve no seu cardápio os vinhos produzidos por ali mesmo, na própria Mantiqueira – e, neste pormenor, a experiência não foi nada boa, não ...

Demos início aos trabalhos com um rosé feito da uva syrah, chamado Vento, safra de 2017. O vinho já tinha uma coloração um tanto estranha, avermelhada demais, parecendo artificial. Havia uma certa borra no vinho, também bastante estranha em se tratando de um rosé novíssimo. Aroma, nenhum. Na boca, nada de acidez, e um sabor residual de … groselha ! Não a fruta, mas a velha Groselha Vitaminada Milani – acho que todo mundo lembra do sabor, né ? Não cheguei a beber minha taça toda.



Passamos depois aos tintos – o vinho seguinte foi um tinto de cabernet franc, chamado Montesa. O visual até que prometia, com seus reflexos violáceos bem marcantes. No nariz, a mesma ausência de qualquer fragrância, e na boca, a mesma falta total de acidez. Um vinho desequilibrado, chatinho, quase sem sabor.


A terceira garrafa foi do chamado Obsession, um blend de cabernet sauvignon e cabernet franc (em proporção de 80 % e 20 % respectivamente, segundo o proprietário). Este apresentava um aroma um pouquinho mais pronunciado- mas, mais uma vez, acidez zero e sabores muito, muito sutis – quase imperceptíveis, diria eu …

Acabou que o melhor vinho do dia foi a garrafa seguinte, o Vinho da Estância, um blend de cabernet sauvignon, tannat e tempranillo – que não é produzido lá, e sim em Dom Pedrito, na Campanha Gaúcha, pela Vinícola Guatambu.

Como se não bastasse, os vinhos são bem caros – o rosé custava 110 reais, o cabernet franc custava 130 reais, e o blend 150 reais. Definitivamente, pouca qualidade para muito preço …


Resumo da ópera : visite o Entre Vila com seu grupo de amigos, divirta-se com o passeio em si, aproveite a boa comida e a simpatia do pessoal – mas deixe o vinho pra lá …


6 comentários:

Quilis disse...

Nivaldo voce teve que pagar R$ 390,00 dos vinhos??? Era tão gritante a má qualidade dos vinhos?
Chato né?

Nivaldo Sanches disse...

Pois é, Quilis, tivemos, sim que pagar o preço cobrado, claro. Estávamos em um grupo de amigos, seis pessoas, e dividimos a despesa.

E sim - a qualidade era mesmo muito baixa .... que pena ! Mas, enfim, são os riscos envolvidos na BIP .... que se há de fazer ?!?

Abraços

Anônimo disse...

Fala Nivaldo, tudo beleza? Poxa, nos teus últimos posts você vem dizendo quais vinhos não beber e onde não tomar vinho. kkkkkk. Tem que dar uma calibrada no BIP.

Brincadeiras à parte, este lugar parece ser muito interessante mesmo, principalmente para descansar desta loucura que é São Paulo. Continue escrevend. Curto muito ler e aprender aqui no teu blog.

Abraço,

Sandro Delgado

Nivaldo Sanches disse...

Pois, é, Sandro, a BIP nos leva, uma vez ou outra, a certos descaminhos ... Mas o risco faz parte do negócio, é claro !

Obrigado pelos elogios, prometo continuar escrevendo para o deleite dos raros leitores ....

Grande abraço !

Anônimo disse...

Poxa Nivaldo... Tudo bem que os vinhos são uma parte importantíssima do BIP mas se todo o restante (local, comida e amigos) foi maravilhoso, acredito que mais uma vez a missão teve êxito, né? :)
Saudade de vcs!
Ester

Nivaldo Sanches disse...

Sem dúvida, Ester !!! O local vale, e muito, o passeio !! Eu sempre digo que o mais importante do vinho não está DENTRO da garrafa, mas AO REDOR dela ... *risos ... Aliás, quem diz isso é meu amigo Mário Trano, também blogueiro de vinhos.

Também morremos de saudades !!!!

Beijos