sexta-feira, 28 de maio de 2010

A Copa dos Copos - Parte 4


Os times já estão em campo para a segunda partida das oitavas-de-final da nossa Copa dos Copos - e que partida, senhores telespectadores !


Hoje se enfrentam simplesmente Estados Unidos e Austrália - jogão de bola (ou de taças) para entrar para a História !

Os dois representantes do chamado Novo Mundo entram em campo dispostos e confiantes, e é difícil fazer qualquer prognóstico a priori.

A equipe dos Estados Unidos arranca na frente, disposta a fazer valer suas condições. Seu ataque, formado pelo Napa Valley e pela região de Sonoma, ambos no norte da Califórnia, já venceu grandes pelejas internacionais - até mesmo enfrentando os poderosos competidores europeus.

Mas a Austrália se garante, com seu equilibradíssimo meio-de-campo que traz o brilho do Vale do Barossa e do Vale do McLaren, com sua magnífica produção de vinhos da uva syrah ou shiraz, como ela é chamada por aquelas bandas.

O contra-ataque americano não tarda : são os elegantes vinhos tintos das uvas zinfandel e pinot noir produzidos em San Luis Obispo e em Monterey, na costa central da Califórnia.

A Austrália força o confronto, lançando em profundidade os vinhos das uvas sémillon e chardonnay do Vale do Hunter, e busca explorar a frágil defesa americana baseada nos ainda incipientes vinhos dos estados de Washington e Oregon.
Os Estados Unidos se defendem com podem, mas o inseguro estado de Nova York não é páreo para os surpreendentes chardonnay e sauvignon blanc da Tasmânia, no sul da Austrália.

Quando soa o apito final, a vitória por pequena margem é da Austrália, nosso segundo país classificado para as quartas-de-final - mas este jogo é daqueles que causam polêmicas intermináveis.

Por anos a fio, as mesas-redondas de todo o mundo irão discutir se esse resultado foi justo ou não.

Um pouquinho de História, a pedidos

Minha amiga Silvia, leitora do nosso blog, pergunta sobre a origem histórica do vinho. Segundo a Tereza, "só mesmo a Silvia pra fazer uma pergunta dessas". Seria isso um elogio ? Fica aqui a dúvida ...

Mas vamos lá.

Sim, Silvia, os arqueólogos já têm, hoje, uma razoável certeza sobre quando e onde o vinho surgiu. Melhor dizendo : quando e onde ele foi "domesticado" pelo homem. Sendo um produto natural, o vinho deve ter surgido no momento em que um cacho qualquer de uvas caiu ao chão e iniciou o seu processo particular de fermentação. Mas quando o homem teria começado a plantar videiras e produzir vinho intencionalmente ?

As evidências arqueológicas apontam para uma região aos pés do Cáucaso, ao sul do mar Negro - mais ou menos onde hoje ficam a Armênia e a Geórgia. As mais antigas sementes de uvas com claros sinais de terem sido cultivadas são dessa região, e são datadas de 7000 a.C. - há uns 9.000 anos, portanto. É, faz tempo que a gente bebe, né ?

Dessa região, as videiras foram se espalhando pela chamada Ásia Menor. Chegaram à Mesopotâmia - mas ali, o clima e o solo não ajudam muito. A produção foi se espalhando pelo leste do mar Mediterrâneo (onde ficam hoje o Líbano e Israel), Egito, e norte da África. Os fenícios podem ter levado o vinho para sua colônia Massilia (hoje, Marselha, no sul da França).

Daí para a Grécia, que se tornou uma grande produtora de vinhos na época. Os gregos foram os responsáveis por levar o vinho para a região da chamada Magna Grécia - o sul da Itália.

Na Magna Grécia as vinhas se adaptaram tão bem que a região foi chamada de Enotria pelos gregos - nada mais, nada menos do que Terra do Vinho ... Esses gregos sabiam das coisas !

Depois, com a expansão do Império Romano, as videiras foram se espalhando por toda a Europa - e felizmente, chegaram intactas até nós, provendo a bebidinha nossa de cada dia.

E fomos felizes para sempre !

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Harmonização com strogonoff


Ontem, jantamos um delicioso strogonoff - com vinho, é óbvio ...


O tal do strogonoff tem origem russa, e seu nome original era stroganov - mas o prato foi de tal forma incorporado à nossa tradição culinária que a grafia cristalizou-se hoje em dia em strogonoff - da receita, então, nem se fala ... Cada cozinheiro tem a sua própria.


Basicamente, o que todo mundo conhece - carne bovina em tiras ou em cubos, molho agridoce à base de creme de leite, ketchup, molho inglês, champignons. Arroz branco e batata palha são os acompanhamentos clássicos.


A gordura da carne combinada com o creme de leite leva a literatura clássica a sugerir a harmonização com brancos encorpados, ou com tintos leves, com poucos taninos. No caso dos tintos, muita gente boa sugere um Beaujolais - não essa invenção comercial bobinha chamada Beaujolais Nouveau (pega-trouxa), mas os bons Beaujolais.


De nossa parte, a Tereza e eu optamos ontem à noite por um tinto mais encorpado. Bebemos um Luigi Bosca Reserva 2006, da uva malbec. Ficou uma delícia !! O vinho é redondo, com taninos super-equilibrados, sem nenhum amargor. Combinou muito bem com a untuosidade do strogonoff - e o vinho custa cerca de 55 reais no supermercado Mambo.


Experimentem !

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Espanha - bons vinhos, bons preços

Já que falei sobre os rótulos dos vinhos espanhóis, e de como suas informações podem ajudar a escolher um bom vinho naquela imensa prateleira do supermercado, vou seguir uma sugestão do meu amigo Junior, leitor do nosso blog, e apresentar alguns vinhos espanhóis que têm boa relação custo/benefício.

Duas observações meio óbvias, mas vá lá :

1 - os vinhos que vou mencionar são vinhos que EU tomei e gostei - o que não quer dizer, em absoluto, que VOCÊ vá tomar e gostar ...

2 - vinhos europeus, no Brasil, não são baratos. Se forem baratos demais, desconfie !

Esta é minha listinha :

Na faixa de 50 reais

  • Cava Codorniu Brut (espumante)
  • Marques de Cáceres (Rioja branco)
  • Cune Blanco (Rioja branco)
  • Monopole (Rioja branco)
  • Marques de Riscal (Rueda branco)
  • Marques de Arienzo Crianza (Rioja tinto)
  • Riscal Tempranillo (tinto)
  • Viña Alberdi Reserva (Rioja tinto)

Entre 50 e 100 reais

  • Marques de Riscal Reserva (Rioja tinto)
  • Marques de Cáceres Reserva (Rioja tinto)
  • Beronia Crianza (Rioja tinto)
  • La Vendimia (Rioja tinto)
  • Urban Ribera (Ribera del Duero tinto)
  • Conde Valdemar (Rioja tinto)
Os vinhos que estão em destaque, com cor diferente, são alguns dos meus preferidos.

Você conhece outros ? Mande os nomes para mim, por favor !!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Mas são tantos vinhos na prateleira ! Como eu vou escolher UM ?!?


É, meus amigos queridos, não é fácil a vida de um pobre comprador de vinhos ...


A gente estaciona diante da prateleira do supermercado e fica por lá, meio boquiaberto, perplexo diante daquele incrível numero de possibilidades. Como escolher UM rótulo ? UMA garrafinha ? Pelo preço ? Pelo país ? Pela uva ?


Não dá para ter uma resposta objetiva a essas perguntas. Vai depender da ocasião, do gosto pessoal, do bolso de cada um, da experiência anterior ...

Mas dá, sim, para ajudar a escolher. É possível dar algumas dicas para que a gente possa, pelo menos, entender melhor um rótulo, e saber identificar o que é que se esconde por trás daquelas palavrinhas e siglas meio misteriosas.

As informação de um rótulo dependem da legislação de cada país - portanto, para falar de rótulos, vou ter de falar de cada um dos países mais importantes do mundo do vinho. Mas vocês vão ver que a legislação européia é semelhante de um país para o outro, assim como a argentina e a chilena são também semelhantes entre si.

Vamos começar, então, pelos vinhos espanhóis.

Os vinhos da Espanha são classificados, segundo a lei, em 4 tipos, listados abaixo, do mais sofisticado ao mais simples :


  • Denominación de Origen Calificada (DOCa)

  • Denominación de Origen (DO)

  • Vino de la tierra

  • Vino de mesa

Há ainda mais dois tipos, o Vino de Calidad com Indicación Geografica e o Denominación de Origen de Pago, mas eles praticamente não são encontrados no Brasil. Costumam ter uma produção pequena, local, e quase só são encontrados lá na Espanha, mesmo. Vamos focar nos 4 aí de cima.

Os DOCa são o topo da lista. Só há três DOCa na Espanha : Rioja, Priorat e Cavas (as cavas são os espumantes espanhóis). O rótulo desses vinhos tem que apresentar o nome da DOCa e a expressão Denominación de Origen Calificada.


A seguir, vem os vinhos DO. São um pouco mais de 50 regiões demarcadas, que produzem vinhos de qualidade. Alguns exemplos são Toro, Navarras, Penedès, Yecla, Ribera del Duero, Rias Baixas, Jerez ... Se você quiser ver uma boa apresentação de todas elas, clique aqui.


Tanto as DOCa como as DO são reguladas pelo governo, e muito fiscalizadas. Ao comprar um vinho desse tipo, você pode ter certeza de que está comprando um produto que foi produzido de acordo com regras antigas e bem definidas. Naturalmente, costumam ser os mais caros - mas a probabilidade de você pegar uma garrafinha desse tipo e sair satisfeito depois de bebê-la é alta.


Já os vinos de la tierra e os vinos de mesa são muito menos controlados. Isso que dizer que são necessariamente vinhos ruins ? Não, claro - mas a garantia de qualidade é inferior, e os preços devem ser igualmente inferiores (atenção - isso nem sempre ocorre nos nossos supermercados...)


No caso dos vinhos da Espanha, a uva pode ou não ter sido registrada no rótulo -mas você pode saber qual é a uva, pelo nome da DO ou da DOCa. Um Rioja, por exemplo, sempre será feito à base da uva tempranillo. É a lei - e a lei é seguida e fiscalizada ...


Segundo o envelhecimento, o vinho espanhol pode ser :

  • Crianza - significa que ficou pelo menos 6 meses em barris de carvalho

  • Reserva - pelo menos 12 meses em carvalho

  • Gran Reserva - pelo menos 18 meses em carvalho

Se não tiver nenhuma dessas 3 expressões escritas no rótulo, trata-se de um vino jóven - com nada ou quase nada de maturação em carvalho.


Qual é o melhor deles ? De novo, depende do gosto, do momento, do prato que vai acompanhar. É claro que o Gran Reserva é o mais caro, mas não necessariamente o melhor.

Que mais ? A safra, é claro. O ano impresso no rótulo significa o ano em que as uvas foram colhidas.

Isso é o essencial. Nos próximos dias falarei dos rótulos franceses, argentinos, italianos, chilenos...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

E fondue ? Que vinho harmoniza com fondue ?

A Angela, grande amiga, grande incentivadora deste blog, lembra bem - está chegando a época do frio, está chegando a época de comer fondue ... Que vinho harmoniza com fondue ?

Pra começo de conversa, uma notinha de gramática - a palavra fondue, francesa, é do gênero feminino : "a" fondue. No entanto, o uso diário do termo em português consagrou a versão masculina - todos nós, no inverno, comemos "um" fondue ... Vou ficar, então, com a vox populi - daqui pra frente será "o" fondue.

Os suíços, inventores da comida, são radicais : fondue de queijo, para eles, combina com vinho branco. Afinal (argumentam eles) na receita do fondue vai vinho branco, logo ...

Eu já não sou tão radical, não ... Prefiro um tinto. Talvez pelo fato de que a gente se acostumou a comer fondue no inverno, e culturalmente tendemos a associar o vinho branco com o verão. Enfim, questão de gosto.

Mas não dá pra ser qualquer vinho.

Se você optar por um branco, deve evitar os vinhos das uvas sauvignon blanc e gewürztraminer. São muito ácidos (os primeiros), e muito perfumados (os segundos), e vão certamente conflitar com o sabor dos queijos. Fique com um Chardonnay potente, amadeirado, como esses ótimos que são produzidos na Argentina - um Catena, um Angelica Zapata vão combinar muito bem. Um pouco mais baratos e ainda muito bons são os Chardonnay Septima ou Nieto Senetiner.

Ainda nos brancos, uma opção certeira seria um Chablis, francês da Borgonha - mas aí o preço pode intimidar um pouco ...

Já na opção pelos tintos, eu recomendo um tinto leve, que não tenha muitos taninos. Fuja dos Cabernet Sauvignon argentinos e chilenos, que, neste caso, vão se sobrepor totalmente ao sabor do queijo. Prefira, por exemplo, um Pinot Noir da Nova Zelandia (tomei um maravilhoso chamado Vicar's Choice - esse vigário sabia escolher bem ...) Pode ser também um argentino, por exemplo, o Septima Noche.

E com o fondue de carne ? Bem, aí, a regra é clara, como diria aquele chato do Arnaldo César Coelho : vamos de vinho tinto, sem dúvida nenhuma. Já pode ser um tinto um pouquinho mais encorpado, como um Rioja espanhol ou um Malbec argentino.

Há muitas marcas a bom preço no supermercado na esquina da sua casa. Vá até lá, escolha um, prove com o seu fondue e depois conte pra gente como foi !

A Copa dos Copos - Parte 3

E começam as oitavas-de-final do nosso campeonato mundial de vinhos !

O primeiro grande confronto será entre França e Grécia.



O time da França está escalado. No gol, o imbatível Sauternes - simplesmente, o melhor vinho de sobremesa do mundo. A defesa é segura : Côtes du Rhône, Vale do Loire, Beaujolais e Provence. O meio-de-campo é fluido e sutil, com Alsácia e Châteneuf du Pape. E o ataque é absolutamente mortal : Borgonha, Bordeaux, Champagne e Chablis.









A pobre Grécia ainda tenta fazer o que pode, com seu elenco modesto onde se destacam os tintos das uvas Agyorgytykos e Mandelaria, e os brancos das uvas Roditis e Assyrtiko. A Grécia ainda conta com um trunfo - Retsina, seu vinho branco característico, geralmente produzido com a uva Savantiano ao qual se mistura uma resina vegetal extraída dos pinheiros.




Mas não existe a menor possibilidade de dar zebra neste confronto - a goleada é certa, e a França é o primeiro país classificado às quartas-de-final da nossa Copa dos Copos !

terça-feira, 18 de maio de 2010

Pasta com molho de tomate - em busca da harmonização perfeita

Estivemos, há dias, jantando no Pomodori, bom restaurante italiano de São Paulo, ali no bairro do Itaim.

Meu prato era bem simples - um penne com molho de tomate e ragu de linguiça calabresa. Estava delicioso - e melhorou ainda mais com o vinho que escolhemos. Para acompanhar um prato desse tipo, tão italiano, nada melhor do que um Chianti, que talvez seja o vinho que melhor representa o espírito do vinho italiano.




Pedimos um Chianti Classico Castellare di Castellina 2005 - só de lembrar, me vêm lágrimas à boca ...




A combinação dos sabores marcantes da uva sangiovese com o também marcante molho de tomates com linguiça calabresa foi perfeita. Quando a harmonização é realmente perfeita, você pode sentir na boca um terceiro sabor, que já não é do vinho nem da comida isolados, mas que resulta da combinação de ambos.

A combinação é ótima, e você pode fazer em casa, com seu macarrãozinho com molho de tomate, uma linguicinha picada e um vinho Chianti que você pode comprar no supermercado. Há o Chianti Classico, que em geral é melhor e mais caro (vem de uma pequena região demarcada ao redor da cidade de Florença, na Toscana) e há o Chianti, só Chianti, mais barato, produzido de forma não tão criteriosa, em uma área bem maior - mas ainda assim vale a pena ser provado.

A uva sangiovese também é a base da produção de outras maravilhas das vinícolas da Toscana, como o famoso Brunello di Montalcino, mas esse assunto fica para outro post.

Experimente e depois conte pra gente qual foi a sensação.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Vinhos em restaurantes - agora, a preços mais sensatos.

Com a explosão do consumo de vinhos em São Paulo, boa parte dos restaurantes paulistas vem tentando (bem à moda brasileira ...) esfolar a pele dos pobres e incautos consumidores, cobrando preços que são verdadeiros assaltos à mão armada.

Felizmente, parece que essa onda maldita começa a reverter. Eu vivi recentemente duas experiências muito boas em restaurantes de alto nível que oferecem belas cartas de vinhos - a preços muito sensatos e convidativos.

O primeiro deles é o Poivre (veja detalhes aqui). Por quase trinta anos, o alagoano Antonio Vasconcelos Pimentel manteve um belo restaurante francês, o Pimentel, na rua Tabapuã. Em fevereiro deste ano, ele fechou seu velho restaurante e abriu este outro, no número 48 da rua Santa Justina. Embora menor, o novo resturante é tão bonito quanto o anterior - e tem preços mais camaradas. A comida continua excelente, o serviço é de primeira e o Pimentel continua recebendo cada cliente de forma gentil e acolhedora. Melhor ainda - a carta de vinhos, embora não muito extensa, tem preços muito razoáveis. É muito, mas muito gostoso você abrir uma carta e descobrir que é possível escolher bons vinhos que custam menos do que três algarismos...

O outro é o Varanda Grill, ali entre a Brigadeiro Luiz Antonio e a São Gabriel. Outro local belíssimo, com um serviço muito gentil. A comida estava maravilhosa - comemos uma fraldinha e uma picanha saborosíssimas e macias. A carta de vinhos é fantástica - um livro enorme, que dá gosto de folhear e que foi premiada recentemente como a melhor de São Paulo. Claro, a carta tem vinhos para todos os gostos e para todos os bolsos. Tomamos um belo Felino, um malbec argentino da Viña Cobos, pelo qual pagamos menos de três dígitos. Você pode tomar lá um Luigi Bosca Reserva por cerca de 75 reais - pouco mais do que o preço no supermercado. Há vinhos de 45 reais, 50 reais. Sim, também há alguns que custam mais de 1.000 reais - mas esses, infelizmente, não cheguei a provar.

Parece que o bom senso começa a retornar. Isso é ótimo, pois coloca o vinho em um patamar muito mais acessível. Imagine um casal que sai para jantar fora. Se tomarem duas caipirinhas e quatro cervejinhas long neck, vão gastar o quê ? - 40, 45 reais ? Se houver na carta um bom vinho por esse mesmo preço, a bebida já começa a se tornar uma opção real ... Logo, vai sair mais ... Logo, o restaurante vai continuar a ganhar seu dinheirinho de forma mais honesta, e oferecendo mais possibilidades a seus clientes.

Que o exemplo do Poivre e do Varanda Grill sejam rapidamente seguidos !

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A Copa dos Copos - Parte 2

Segue em frente a Primeira Fase da nossa Copa dos Copos - aliás, a sugestão de criar esta Copa foi do Fabio Vagner, amigo e leitor do blog, que tem me incentivado muito (tanto a blogar como a beber vinho ...). Vejam o blog do Fabio clicando aqui.

Faltam ainda quatro grupos para definir os países que passarão às oitavas de final.

O grupo E é um grupo dificílimo : Camarões, Dinamarca, Holanda e Japão. Difícil e, evidentemente, nivelado por baixo ... O resultado aqui é por exclusão - não se produz vinho nem no Japão nem em Camarões, logo ... O primeiro lugar fica com a Holanda, que pelo menos tem alguns produtores registrados, e o segundo com a Dinamarca - frio demais, mas que ainda assim produz algumas garrafinhas.

No grupo F a história é muito diferente : Eslováquia, Itália, Nova Zelândia e Paraguai. Bem, o último colocado está na cara - o Paraguai é famoso pela produção de whisky, não de vinhos ... No topo da tabela também não há dúvida - os maravilhosos vinhos da Toscana e do Piemonte já garantem a liderança fácil, fácil para a Itália. E o segundo lugar ? Bem, a Eslováquia produz bons vinhos brancos há mais de 3.000 anos - mas não é páreo, hoje em dia, para os grandes Pinot Noir e Sauvignon Blanc da Nova Zelândia.

Grupo G : Brasil, Coréia do Norte, Costa do Marfim e Portugal. Aqui também a classificação salta aos olhos - Coréia do Norte e Costa do Marfim caem fora, Portugal entra em primeiro sem nenhum questionamento, e o Brasil pega um esforçado segundo lugar. No futebol vai ser bem diferente, a gente espera ...

Finalmente, o grupo H reúne Chile, Espanha, Honduras e Suiça. Honduras fica pra rabeira, é claro, e a Suiça também fica de fora (apesar de alguns amigos suíços, que sempre se esforçaram para tentar me convencer de que os vinhos de lá são ótimos ...). Espanha leva o primeiro lugar (ah, os Rioja que tomamos por lá !) e o Chile fica colado logo atrás, com um poderoso segundo lugar.

Já temos, portanto, a tabela das nossas oitavas de final :
  • França X Grécia
  • Estados Unidos X Austrália
  • Argentina X África do Sul
  • Alemanha X Eslovênia
  • Holanda X Nova Zelândia
  • Portugal X Chile
  • Itália X Dinamarca
  • Espanha X Brasil

Bola pra frente !!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A Copa dos Copos - Parte 1









Começou a Copa do Mundo 2010 - a Copa dos Copos ! Abrem-se as garrafas e começa o espetáculo !

Em ano de Copa do Mundo, quando o assunto toma conta de qualquer conversa de bar, que tal fazermos por aqui a nossa Copa do Mundo particular, a Copa dos Copos, a Copa dos Vinhos ?

A idéia é seguir a tabela oficial da Copa do Mundo, mas analisar cada jogo não pelas virtudes futebolísticas, mas pelas possibilidades de grandes vinhos em cada um dos contendores ....

Vejamos :

O grupo A é formado por África do Sul, França, México e Uruguai. Bem, é óbvio que o quarto lugar será do México (será que produzem vinhos no México ?), e também é meio óbvio que será impossível tirar o primeiro lugar do grupo da França, que atacará irresistivelmente com seus Bordeaux, Borgonhas, Sauternes, Chatenêuf-du-Pape, Champagnes, Beaujolais ... O problema neste grupo é a segunda colocação. A África do Sul é fortíssima candidata, com seus Pinotage e Chenin Blanc, mas o Uruguai é um duro adversário, com seu agressivo centroavante Tannat... É uma pena deixar o Uruguai de fora logo de cara, mas não tem jeito - aqui entram mesmo França e África do Sul.

O grupo B reúne Argentina, Coréia do Sul, Grécia e Nigéria - barbada, é claro ... Argentina lidera com folga. O segundo lugar fica com a Grécia - menos por sua exótica produção das uvas Agyorgytyko e Krasato, e muito mais pela completa ineficiência de Nigéria e Coréia do Sul neste terreno.

O grupo C é o grupo onde estão Argélia, Eslovênia, Estados Unidos e Inglaterra. As coisas começam a ficar mais complicadas ... Ok, Ok, a Argélia é a última do grupo, combinado. Acho que também não há dúvida de que os Estados Unidos lideram, com sua magnífica produção na Califórnia, no Napa Valley e no Sonoma Valley. E a segunda posição do grupo ? Fica com quem ? Inglaterra ou Eslovênia ? Bem, nenhum dos dois países tem uma produção notável - mas a balança pende ligeiramente para o lado da Eslovênia, que produz alguns brancos e tintos nas regiões de Primorje e Posavje. Nada de grande destaque, mas, enfim ...

O grupo D é facílimo. Os países são Alemanha, Austrália, Gana e Sérvia. Gana cai fora logo de saída, é claro. A Sérvia até que produz alguns vinhos, com base nas suas cepas nativas Smeredevka (brancos) e Prokupac (tintos) -mas não dá pra comparar. Os maravilhoso brancos do Reno e da Alsácia garantem o primeiro lugar para a Alemanha, e os belíssimos tintos e brancos da Austrália garantem a segunda posição do grupo.

Já temos os primeiro quatro grupos definidos - bola pra frente ...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

As meias-garrafas e o marido da Tatiana

A Tatiana, leitora do nosso blog, perguntava outro dia sobre as meias-garrafas de vinho. Como o marido dela não gosta de vinho (como assim, não gosta de vinho ?!?) ela bebe um pouco da garrafa e guarda o restante na geladeira. Mas ela diz - e está corretíssima - que o vinho na geladeira dura no máximo um ou dois dias. Depois disso, fica imbebível. Que fazer ?

Bem, esse é um problema que eu não costumo enfrentar aqui em casa. O normal é Tereza e eu disputarmos avidamente os últimos goles da garrafa. Vale tudo, aqui. Já tivemos registro de trocas sub-reptícias de taça cheia por taça vazia, goles roubados, infindáveis argumentações tentando demonstrar quem bebeu mais do que quem, e assim por diante. Em restaurantes, a tentativa de suborno do garçon é considerada uma opção válida.

Mas, como o problema da Tatiana é diferente, vamos lá - a saída óbvia é a meia-garrafa. Por alguma razão, a gente não tem, no Brasil, o hábito da meia-garrafa. Fiz uma visita aos pontos de venda mais próximos de casa e confirmei que a oferta é muito pequena. No supermercado, só encontrei coisas como Periquita e Corvo - vinhos apenas medianos, para não dizer medíocres.

Já uma pesquisa na Internet foi um pouco mais promissora. Parece que as importadoras grandes estão se preocupando um pouco mais com pessoas como a Tatiana. Encontrei ofertas interessantes de meias-garrafas no site da Mistral, e também no site da Vinci.

Meu amigo Quilis sugere as bombas de vácuo, que também podem ser compradas pela Internet. A marca padrão é Vacuvin (veja o jeitão da peça aqui), e os textos dos blogs que pesquisei indicam, como já havia feito o Quilis, que os resultados são bons. Pessoalmente nunca testei, mas fica aí a sugestão. O preço fica ao redor de 50 reais.

Tatiana, conte pra gente, depois, como foram suas experiências comprando meias-garrafas, ou, se for o caso, com o tal do Vacuvin. Melhor ainda, conte pra gente quando conseguir convencer o maridão a tomar um golinho de vinho no jantar ...

sábado, 8 de maio de 2010

Em quais países do mundo é possível produzir vinhos bons ?

Quero falar do conceito de isotermas - conceitualmente, as isotermas são linhas retas que ligam pontos que tem temperaturas semelhantes.

Quando a gente olha para o globo terrestre, pode-se imaginar que ele é dividido em "faixas" horizontais paralelas, e que cada uma dessas faixas identifica, mais ou menos, zonas de temperatura e de condições climáticas semelhantes.


Duas dessas faixas reunem as condições ideais (em termos de clima) para a produção do vinho. Veja no mapa aí ao lado quais são essas faixas.


Você vai notar que a isoterma norte abrange praticamente toda a Europa e os Estados Unidos (onde se produz bons vinhos). Já a isoterma sul tem grandes extensões de oceano, mas estão dentro de sua área a Argentina, o Chile, a África do Sul, a Austrália, a Nova Zelândia - países onde também se produz bons vinhos.

Dá para produzir vinho de qualidade fora das isotermas ? Dá, sim - mas essa produção vai envolver muito mais tecnologia para atenuar as oscilações climáticas. Em outras palavras, a produção fora das isotermas é mais difícil, mais arriscada e custa mais caro ...

Veja que o Brasil está quase totalmente fora da isoterma, com a possível exceção do sul do Rio Grande. Sintomático, não acham ?

Outra curiosidade interessante - a China está totalmente dentro da isoterma norte ... será que uma hora os chineses vão se dar conta disso e começar a produzir bons Cabernets e Merlots ? O tempo dirá ...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Decanter ? Isso é frescura !


Será mesmo ?

Bem, vejamos ...

O decanter é aquela grande garrafa - que hoje em dia é encontrada nas lojas com os formatos mais diversos - onde em tese a gente deve colocar o vinho antes de servi-lo nas taças.

O decanter serve basicamente para duas funções.

A primeira delas - adivinhem ! - é decantar o vinho ... Quer dizer, deixar o vinho "descansar" algum tempo, para que os sedimentos sólidos (a "borra") se depositem no fundo largo e não caiam nas taças. Só que esse tipo de sedimento só surge, quase sempre, em vinhos especiais, envelhecidos em adegas, de boas safras ... Vamos encarar - quantas vezes a gente tem oportunidade real de provar um vinho desse tipo ? Olhando por este ângulo, pode ser que o decanter seja mesmo uma frescura ...

Mas o decanter tem uma segunda função. Ele é ótimo para fazer o vinho "respirar", entrar em contato com o oxigênio. Assim que a garrafa é aberta, o vinho começa a reagir quimicamente com o oxigênio do ar - e isso muda o sabor do vinho. O oxigênio atenua os taninos mais agressivos do vinho, e tende a deixá-lo mais "redondo", mais suave. O decanter faz com que uma área maior do vinho entre em contato rapidamente com o oxigênio, e acelera esse processo.

Faça a experiência e comprove. Quando abrir uma garrafa de um vinho mais encorpado, mais intenso, entorne-o lentamente no decanter. Deixe o líquido fluir devagar, espalhando-se pela parede do decanter. Tome um gole assim que abrir a garrafa, e volte a prová-lo meia hora mais tarde. Você verá que o resultado não tem nada de frescura - um vinho que de saída parece agressivo (às vezes até de final meio amargo) pode, em 30 minutos, virar uma bebida suave e acetinada.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Como harmonizar vinhos com a sobremesa

Acho que você se lembra dos velhos vinhos licorosos de São Roque, que a gente bebia em casa quando adolescente ...

Bem, eles existem ainda hoje - e são bons !

Claro, não estou falando exatamente daquelas zurrapas meladas que a gente bebia antigamente, mas dos bons vinhos de sobremesa, que são produzidos quase no mundo todo - e que combinam (às vezes, espetacularmente !) com nossos doces pós-refeição.

Existem alguns tipos de vinhos de sobremesa, mas os mais comuns são produzidos basicamente de três formas :


1. Vinhos de colheita tardia - as uvas são deixadas no pé por mais tempo do que seria o normal. Com isso, elas concentram o teor de açúcar, e o vinho produzido a partir delas é igualmente doce. Bons exemplos são os vinhos identificados como Late Harvest, que significa precisamente colheita tardia. Há bons vinhos assim sendo produzidos na Argentina, no Chile, nos Estados Unidos. Até no Brasil eles já são produzidos, na região inacreditavelmente quente do Vale do rio São Francisco ...





2. Vinhos botritizados - são produzidos a partir das uvas atacadas pela botrytis cinerea, um fungo que faz pequenas perfurações na casca da uva. Com isso, a fruta perde umidade, resseca, fica com aparência de uva passa, e concentra o teor de açúcar. Os mais famosos são os franceses, produzidos em Bordeaux, na sub-região de Sauternes. Há também os Tokay, produzidos na Hungria. Costumam ser vinhos maravilhosos - infelizmente, costumam também ser caríssimos !





3. Vinhos feitos com uvas secas - as uvas, depois de colhidas, são secas por um processo industrial ou deixadas ao sol, nos casos mais tradicionais. O grande exemplo desta categoria são os vinhos italianos : o Vin Santo, produzido na Toscana, e os Passitos, produzidos no sul da Itália.




Escolha um dia a sobremesa de sua preferência (tortas de frutas, morangos, pêssegos, soufflés doces), e prove uma tacinha de um deles - aquele que caiba no seu bolso, é óbvio. Garanto que vai ser uma experiência e tanto.

Só não vale escolher sobremesas feitas com chocolate. Estas sobremesas não combinam tão bem com estes vinhos. Para os chocolates, há outras combinações - ficam para um próximo post.