terça-feira, 11 de julho de 2017

É um pássaro? É um avião? Não! É o Supertoscano!

Pois é, esse negócio de “supertoscano” parece coisa de história em quadrinhos (ou filme) de super-heróis, né ?

Você talvez já tenha ouvido, aqui e ali, esse termo – os tais vinhos chamados de “supertoscanos” … Que significa isso ?

Bem, o que acontece é que nos anos 60 a Itália decidiu criar classificações formais para seus vinhos – as classificações top foram (e são até hoje) as DOC (Denominazione de Origine Controllata) e as DOCG (Denominazione de Origine Controllata e Garantita). São assim classificados, por exemplo, os Barolo, os Brunello di Montalcino, os Chianti Classico

Pela lei, os vinhos que podem utilizar essas classificações devem utilizar apenas uvas italianas autóctones (originárias da própria Itália), como a sangiovese, a nebbiolo, a trebbiano, etc.

Mas alguns italianos são meio turrões, a gente sabe como é …

Pois foi graças a um ou dois desses italianos turrões que a gente hoje pode falar sobre (e principalmente beber !) os tais supertoscanos. Benditos turrões !!

No final dos anos 60, o Marquês della Rocchetta resolveu produzir um vinho, bem no coração da Toscana, apenas com uvas francesas – ele usou cabernet sauvignon e cabernet franc. Deu ao vinho o nome de Sassicaia.


Outro italiano turrão, o marquês Piero Antinori, decidiu então seguir o exemplo do seu patrício. Ele mudou o Chianti que sua família produzia a séculos, também na Toscana. Ao invés de usar apenas a clássica uva sangiovese, o Antinori começou a mesclar seu vinho com cabernet sauvignon e cabernet franc – e criou o vinho chamado de Tignanello.

Como o Sassicaia e o Tignanello usavam uvas não-italianas, eles não puderam ser classificados no topo da pirâmide, como DOC ou DOCG. Tiveram que se contentar com a classificação mais baixa da lei, na época – a simples vino de tavola (vinho de mesa).

A coisa começou a ficar realmente séria nos anos 90, quando Robert Parker (o mais famoso crítico mundial de vinhos) deu ao Sassicaia, em uma degustação às cegas, a nota máxima atingível : 100 pontos.

E agora ? A Itália passava a ter um vinho considerado de ótima qualidade, cobrava por esse vinho um preço compatível com essa qualidade (ou seja, caríssimo) – e o vinho não era considerado top nas classificações oficiais …

Em outros países do mundo, isso talvez fosse considerado um problemão. Na Itália, não foi assim, é claro … Os dois vinhos deram origem a um sem número de novos rótulos (Guada Al Tasso, Ser Giovetto, Solaia, Ornellaia, e um imenso etc.). Os americanos começaram a chamar esses vinhos de … adivinhe ! Sim, sim, são os supertoscanos !

São vinhos excelentes e caros, e continuam não sendo classificados como DOC nem DOCG. A maioria deles, hoje em dia, é classificada como IGT (Indicazione Geografica Tipica), uma categoria apenas intermediária.

Mas eles nem ligam !!

E nós, humildes bebedores, ligamos menos ainda …

2 comentários:

Carlos Elias disse...

Só vinhos TOP....Sassicaia, Tignanello, Ornellaia....realmente uma evolucao dos vinhos italianos...modernidade a velha Italia...infelizmente preços exorbitantes no Brasil para esse tipo de vinho...aqui no Panama, ainda podemos degustar alguns exemplares sem termos a sensaçao de estarmos sendo roubados.

Nivaldo Sanches disse...

É verdade, Carlos Elias - aqui no Brasil, esses vinhos têm mesmo preços absolutamente proibitivos ... Aproveite para entorná-los aí no Panamá !

Existem alguns outros vinhos, que foram apelidados de "supertoscaninhos", que repetem a mesma fórmula de mesclar as uvas italianas com uvas francesas. São vinhos bons (sem chegar a ser excelentes, como esses que você e eu citamos) e que têm preços mais, digamos, "potáveis" ... Farei em breve um post sobre esses vinhos.

Abraços !