sexta-feira, 6 de maio de 2011

Vinhos a preços exorbitantes

Tenho falado muito aqui, neste espaço, sobre a boa iniciativa de vários restaurantes de São Paulo, que parecem ter encontrado o caminho da sensatez (e dos bons negócios !) maneirando nos preços dos seus vinhos.

Infelizmente, hoje vou falar do oposto - um belo restaurante que insiste em manter sua carta de vinhos em alturas onde nem o telescópio Hubble consegue enxerger com clareza ...

Tereza e eu jantamos em um simpático restaurante italiano no Brooklin, o APriori. Lugar bonito e elegante, com um delicioso pianinho tocando uma seleção de bossa-nova, MPB e standards americanos.

Boa comida italiana - Tereza comeu um curioso canelone de berinjela recheado de ricota e mussarela de búfala em molho de tomate, e eu comi um bom spaghetti com lulas e molho de tomate apimentado. O serviço era um pouco atrapalhado, mas nada que chegasse a prejudicar a noite.

Mas aí chegou a hora de escolher o vinho ...

A carta de vinhos era francamente indecente. Pra você ter uma idéia, dou dois exemplos :
  • O bom Felino Malbec, argentino da vinícola Cobos, custava mais de 150 reais. É um vinho que custa 70 reais na importadora Gran Cru. Claro que o restaurante tem que cobrar mais caro - há o serviço, os garçons, o sommelier, as taças, etc. Mas, pedir mais do que 100 % de acréscimo ?
  • O segundo exemplo é ainda mais dramático. O excelente Bramare Marchiori Malbec, também da Viña Cobos, custa, na importadora, algo ao redor de 150 reais. Pois lá, na carta de vinhos do APriori, esse vinho saía por módicos 620 reais ! Sim, meu perplexo leitor, eles querem cobrar 4 vezes mais do que pagam pelo vinho ...
Acabamos tomando o que cabia no bolso - um vinho italiano, Rispollo Talenti 2009, um IGT da Toscana. Um vinho comum, sem maiores atrativos. Precinho camarada do APriori : 108 reais ... Uma pesquisa na Internet mostrou, mais tarde, que o vinho custa 39 na importadora.

Pra fechar com chave de ouro : mandei um mail a eles, relatando esta mesma história. Pensava em publicar aqui no blog a minha queixa e a resposta deles - mas não houve resposta nenhuma, pelo menos até agora ...

Chato, né ?

6 comentários:

Márcia disse...

Olá a todos!! Também vou incluir na lista de decepção, os reaturantes de hotéis,não tenho encontrado garrafas pequenas e quando encontro não tem muita alternativa e o preço é quase que uma ofensa!! Quarta (04/05) estava no Hotel Ouro Minas em BH e o mesmo possuia apenas uma única alternativa de R$39,00, não de pra arriscar.. Fica aqui meu protesto, pois na europa encontramos vinho até em garrafinhas tipo "caçulinha", lembram disso? encontrávamos esse tipo de garrafa na cantina da escola, velhos tempos!!! Abs.

Nivaldo Sanches disse...

É verdade, Márcia, já comentei aqui no blog, em posts antigos, o fato de que a gente quase não encontra no Brasil as meias-garrafas e as garrafinhas de um quarto que são comuns na Europa. A Tatiana, leitora do blog, uma vez comentou da dificuldade dela - o marido não bebe vinho, e ela quase nunca encontra meias-garrafas pra comprar ..
Ainda temos um longo caminho a percorrer, né ?

Em tempo - adorei o "caçulinha" .. apesar de entregar a idade, né ? .. risos ..

Beijos, apareça mais vezes por aqui !

Mario Trano disse...

Meu amigo Nivaldo,
Isto sem contar que os restaurantes compram nas importadoras com 25% de desconto. Ou seja: se eles colocassem por exemplo o Felino para o mesmo valor vendido na Grand Cru eles já estariam ganhando cerca de R$20. Acho que até uns R$100 seria honesto, mais que isso é robo.
Grande abraço!
http://mondovinho.blogspot.com

Nivaldo Sanches disse...

Pois é, Mário, é roubo - e o pior é que é um roubo estúpido, na minha opinião.
Quantas pessoas comprar o Bramare por 620 paus lá no restaurante ? Será que jpá venderam algum, alguma vez ?
E se custasse 200 reais, que me parece um preço justo, não venderia mais ?!?

Como costuma dizer meu amigo Nuno, leitro do blog - "e eué que sou o português!" ... risos

Abraços !

Evelyn disse...

Eu ainda fico perplexa! Meu Deus, quanta exploração!

Como foi dito, temos um longo caminho a percorrer... E acredito que atitudes como a sua, Nivaldo (de mandar e-mail e publicar no blog, é um caminho concreto para virarmos a mesa... É árduo, mas chegaremos lá!
Abraço
Evelyn Fligeri

Nivaldo Sanches disse...

É isso aí, Evelyn, a gente tem que reclamar, né ? Como você disse, o caminho é longo e árduo, mas é a única forma de começarmos ...

Beijos, apareça mais vezes por aqui !