sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Os vinhos de Portugal - Parte 1

Outro dia, escrevi aqui no blog um post falando dos curiosos nomes da uvas autóctones de Portugal - se quiser ler este post, clique aqui.

Minha amiga Sílvia, leitora sempre atenta deste blog, sugeriu-me que comentasse os bons vinhos de Portugal - é o que passo agora a fazer, blogueiro obediente que sou ...

Portugal é um dos grandes produtores de vinhos da Europa. Do ponto de vista dos vinhos, o país tem 13 regiões demarcadas :

1 - Vinho Verde - Esta região, no extremo norte do país, produz esses famosos vinhos locais - os brancos, sempre admirados, com sua marcante acidez, casam à perfeição com os frutos do mar. Há também vinhos tintos, mas são um tanto ásperos e com taninos marcados demais para o paladar médio do Ocidente. Na região próxima à cidade do Porto, os brancos costumam ser produzidos com as uvas loureiro e trajadura. Próximo à fronteira da Espanha, usa-se mais a uva alvarinho, que na Espanha é chamada de albariño. As explicações para o nome vinho verde são variadas e imprecisas : há quem diga que se deve ao fato de que o vinho, por sua acidez, parece ter sido produzido com frutas ainda verdes (o que, diga-se de passagem, não é verdade ... ). Há também quem diga que o nome se deve à geografia da região, formada por colinas verdejantes ... Qual será a explicação correta ?

2 - Porto - Um pouco mais ao sul, a partir da cidade do Porto e ao longo do rio Douro, fica a região do vinho do Porto - certamente, o mais famoso dos vinhos do país. Como se sabe, esta é a mais antiga região demarcada do mundo, tendo sido registrada pelo Marquês de Pombal em 1756. Os vinhos do Porto têm uma classificação complexa, que vai ter de ficar para outro post. O Porto é um vinho fortificado - o que significa que sua fermentação é interrompida pela adição de uma aguardente vínica. O resultado - todo mundo conhece - é um vinho doce e de alto teor alcoólico, delicioso.

3 - Douro - Geograficamente, esta região ocupa o mesmo espaço daquela dos vinhos do Porto. O que a diferencia é a produção dos vinhos de mesa, sem adição de álcool. Hoje em dia, alguns dos melhores vinhos de Portugal são produzidos no Douro, com as mesmas uvas usadas no vinho do Porto - principalmente touriga nacional e touriga franca. No Douro a vinícola Casa Ferreirinha produz o mitológico vinho Barca Velha, de qualidade e preço estratosféricos. No Brasil, uma garrafa pode chegar a R$ 2.000 , fácil, fácil ...

4 - Dão - Já foi considerada a região dos melhores vinhos de Portugal, mas a produção em enormes quantidades comprometeu a qualidade destes vinhos. Hoje em dia, produz vinhos razoáveis, usando muito a uva touriga nacional. Os vinhos do Dão são muito encontrados por aqui, no mercado brazuca.

5 - Bairrada - Ainda na região norte, mas mais próxima ao litoral, a Bairrada produz bons vinhos - basicamente, produzidos com a uva baga, a rainha da região. Um dos bons produtores da atualidade é o Luís Pato. Também é produzido aqui o famoso Mateus Rosé - vinho bem fraquinho que, sabe-se lá porquê,  teve algum sucesso no mercado brasileiro no passado.

6 - Estremadura -  Já mais pertinho de Lisboa, e também no litoral, a Estremadura produz muito - mas a maioria dos seus vinhos é da categoria vinho de mesa, sem grandes atrativos. Parece que os melhores são aqueles produzidos ao redor da cidade de Alenquer - isso eu não sei, nunca provei ...Melhor dizer : ainda não provei.

7 - Colares - Na costa do Atlântico, ao lado de Lisboa, a região de Colares produz um vinho que tem uma interessante marca histórica : eles usam por aqui a uva ramisco, uma das pouquíssimas que sobreviveram à praga da filoxera, no século XIX. Filoxera ? Que coisa estranha é isso ?!? Leia aqui.

Ainda faltam 6 regiões, mas o post está ficando comprido demais ... Outro dia eu concluo, prometo !

6 comentários:

Silvia disse...

Valeu Nivaldo - esse é pra copiar e guardar. E já que não provarei essas maravilhas in loco tão cedo quanto gostaria, fico aguardando ansiosamente as crônicas lusas...

Anônimo disse...

Cara, a única vez que tomei vinho do Porto, foi com a Thaís. A gente não tomou metade da garrafa e ainda ficamos num porre danado. TAlvez tenha sido um meia-boca (não me lembro qual era), mas creio que deva ser a tendência deste vinho - ele aparenta ser mais denso (me dá a impressão de um líquido mais grosso mesmo), doce e uma porrada alcoólica no cérebro. Confesso que não me faz muito a cabeça não (ainda que a faça doer, rs).

Sandro

Nivaldo Sanches disse...

Silvia, aguarde - as crônicas lusitanas devem começar talvez em duas semanas ...

Beijos

Nivaldo Sanches disse...

Sandro, o vinho do Porto é feito com adição de aguardente vínica - ele é, de fato, muito mais alcoólico que o vinho tranquilo ... Alguns podem chegar a 22 graus de álcool ! Mas acredite em mim - são deliciosos ! Tomar um cálice no final de um jantar valoriza qualquer refeição. É um excelente acompanhamento para chocolates ou doces à base de chocolate. Gosto de bebê-los resfriados - às vezes, coloco o cálice na geladeira por alguns minutos, antes de beber. Prove outras vezes, estou seguro que você vai acabar encontrando o SEU jeito correto de apreciar esta maravilha ... Meu preferido, para o dia-a-dia, é o Sandemans Reserver, mas também gosto muito do Graham's Tawny. Uma hora dessas vou fazer um post específico sobe as (muitas) variedades de Porto.

Abraços !

Clé disse...

Oi Nivaldo, espero pelos vinhos do Alentejo... mais rústicos mas que deixam muitas saudades! Abraços, Clelia

Walther disse...

Nivaldão, gostei muito deste post. Aliás, hoje, dia 30 de outubro, imagino que você possa estar em uma dessas regiões, provando bons vinhos, de modo que possa nos agraciar com seus ótimos comentários. Mas, o assunto é outro: no dia 21 de outubro, eu estava na cidade de York, norte da Inglaterra e vi quando você entrou, com alguém que não era a Teresa, no pub em que eu estava e sentou em uma mesa próxima à porta, provavelmente para uma fuga rápida. Aguarde a foto do flagrante...