quinta-feira, 6 de abril de 2017

A uva dos castelos dos contos de fada

Castelo de Chambord
No oeste da França fica a bela região cortada pelo rio Loire. Ao longo do seu vale – e ao longo dos séculos – foram sendo erguidos na área alguns dos mais famosos e mais lindos castelos do mundo. Entre os séculos X e XVI, a nobreza francesa construiu por aqui os castelos de Amboise, Chambord, Chennonceau … Pra repetir o chavão de sempre, parecem todos saídos dos contos de fadas que a gente lia na infância.

Castelo de Chennonceau

Pois é nessa terra encantada que reina uma uva muito especial – a chenin blanc. Segundo os estudiosos do assunto, a chenin blanc parece ter surgido em algum ponto do território francês por volta do século IX. No Vale do Loire ela encontrou, nos solos de argila e calcário da região,  à sombra dos belíssimos castelos, o terroir perfeito para desenvolver sua marcante acidez e sua complexidade.

O escritor francês François Rabelais, lá pelo início do século XVI, já mencionava a chenin como integrante dos banquetes e festivais dos camponeses de Anjou – uma sub-região do Loire.

Essa nossa uvinha é também muito versátil (a manjada expert Jancis Robinson afirmou certa vez que a chenin é provavelmente a uva mais versátil do mundo) : os franceses elaboram com ela vinhos varietais secos, mas também vinhos de sobremesa, vinhos fortificados e até um bom espumante, o Crémant de Loire. Ela também entra em alguns blends com outras uvas brancas, como sauvignon blanc ou chardonnay, contribuindo com sua característica acidez.

Partindo do Loire, a chenin blanc espalhou-se pelo chamado Novo Mundo. Nova Zelândia, Estados Unidos, Austrália e – principalmente – a África do Sul produzem hoje ótimos vinhos dessa cepa. A propósito, na África do Sul ela é hoje a uva mais plantada, ocupando cerca de 18 % dos vinhedos.
Os vinhos do Loire tendem a apresentar aromas de minerais e toques de mel, com a acidez da fruta se destacando. Já os do Novo Mundo costumam exibir aromas mais, digamos, tropicais : são aromas de frutas como goiaba e banana, abacaxi e pera.

Tenho bebido bastante, nos últimos tempos, um ótimo chenin blanc sul-africano, chamado Neethlingshof . OK, OK, o nome é difícil de pronunciar, mas acreditem – o vinho é muito bom !

Quando possível, beberiquem um vinho de chenin blanc – e sonhem com os encantadores castelos das fotinhos aí do alto …




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