sexta-feira, 25 de março de 2011

Crônicas de Mendoza - Parte 6 - Achaval Ferrer


Next stop : Achaval Ferrer, a conceituada vinícola que produz vinhos feitos excusivamente de malbec - são bem conhecidos no mercado brasileiro, e bem caros por aqui ...

A visita à vinícola foi ótima - especialmente porque tivemos a chance, meio rara, de ver o pessoal trabalhando. Eles estavam selecionando as uvas manualmente - um processo que é complementar ao desengace ou desengaço, processo mecânico feito por grandes máquinas que separam os bagos das uvas dos engaços - ou seja, os ramos e talos dos cachos.


A degustação ficou um pouco abaixo da nossa expectativa : os vinhos em geral estavam bons e corretos, mas sem o brilho que se espera de garrafas que custam tão caro para os nossos pobres bolsos brazucas.

Começamos a brincadeira com um Achaval Ferrer 2009, o vinho mais básico da vinícola. Visivelmente, o vinho não estava ainda pronto : taninos agressivos lhe davam um excesso de adstringência que amarrava a boca. Aliás, de forma geral, não gosto dessa idéia de comprar um vinho que deve ainda permanecer na garrafa por alguns anos antes de ser bebido. Claro que há alguns vinhos chamados de guarda que devem passar por esse processo para serem enriquecidos, melhorados - mas, se eu cismar de comprar um desses e abri-lo imediatamente, o vinho tem que estar bom ... Não é o caso deste.

Depois, veio um Achaval Ferrer Quimera 2008 - superior ao outro, em qualidade e em preço. Este já apresentava um bom equilíbrio entre a fruta (característica da malbec) e a acidez, mas ainda sem nos encantar.

De qualquer forma, como o meu querido amigo Sebastian comprou umas garrafinhas desse vinho, firmamos um pacto solene : vamos abri-las em conjunto, assistindo a um jogo do Brasil durante a Copa do Mundo de 2014 - vamos ver se ele melhora, mesmo, conforme anunciado ... (registro aqui esse pacto para evitar que o Sebastian mude de idéia nos próximos três anos e decida bebê-lo sozinho. Vocês são testemunhas !)

A linha seguinte da vinícola é a linha dos chamados single vineyard : são vinhos produzidos com uvas malbec de um único vinhedo. A Achaval Ferrer produz três rótulos assim: o Finca Bella Vista, o Finca Mirador e o Finca Altamira. Provamos o Achaval Ferrer Malbec Finca Bella Vista 2008. De novo - um bom vinho, correto e interessante, que não nos entusiasmou.

E pensar que esses vinhos single vineyard, no Brasil, chegam a custar 400 ou 500 reais !

Fechamos os trabalhos com um curioso e saboroso Achaval Ferrer Dolce 2010, um vinho de sobremesa feito com as uvas malbec colhidas mais tarde, o que acentua seu teor de açúcar.

Resumo da ópera - a visita foi bacana, mas os vinhos não me seduziram totalmente (principalmente quando comparados a outras maravilhas que iríamos beber dentro em breve - não percam !)


Observem como a gente presta atenção no guia ... Viu ? Não se trata só de encher a cara !

9 comentários:

Tereza disse...

Gostei do registro formal, quase pacto de sangue, de bebermos juntos o Achaval Ferrer em 2014.

Tião disse...

Fala Nivaldo...

O pacto esta selado, mas para não termos que esperar tanto, estou levando um Quimera 2006 para degustarmos neste final de semana e ver se 2 anos fazem diferença.

Parabens pelas Crônicas de Mendoza... Esta sendo um prazer relembrar a viagem.

[]'s

Sebastian

Nivaldo Sanches disse...

Olha só, Tereza, o Sebastian confirm publicamente o pacto ! Acho que não vai ser necessário registrar em cartório, como a gente chegou a considerar ...

Pois é, Sebastian, para mim está sendo uma enorme diversão "reviver" os passos da nossa viagem na hora de escrever estes posts ...

Grande abraço !

Mario Trano disse...

Nivaldo, muito interessante....vc está praticamente revirando umas certezas básicas que qualquer um esperaria: atendimento na O. Fournier e agora acabando com uns vinhos entre os mais pontuados da Argentina. Os singles vineyard da Achaval Ferrer tem notas entre 96 e 98 pontos pela Wine Advocate. Eu nunca os provei, e talvez, como vc disse estariam ainda jovem, mas pelo outro lado, somente pelo fato que o Jay Miller gostou isso não quer dizer que seja um vinho fantástico. É isso ai, meu amigo, os vinhos não tem que ser avaliados pela boca de outros e se você achou algo errado neles, então evidentemente tinha algo errado neles.
Parabéns e um grande abraçp!

Mario Trano disse...

Ah, desculpa a questão "indiscreta": posso perguntar quanto custavam estes 3 single vineyard diretamente na vinícola? Obrigado!

Nivaldo Sanches disse...

Meu amigo Mario

Não tem nada de indiscreto na pergunta, fique sempre a vontade , por favor !

Como eu nao me lembrava dos precos, liguei para meu amigo Sebastian, que comprou algumas garrafinhas, e eele me informou : o preco normal era de 540 pesos, cerca de 200 reais, mas para compra de caixa com 6 garrafas, eles fizeram por 360 pesos, cerca de 140 reais.

Bom preco, ne?

Mario Trano disse...

Obrigado Nivaldo!

Perguntei, pois nos EUA vi estes vinhos custando U$ 70 (que vai dar cerca de R$120) e não os comprei, pois achava que na Argentina deveriam ser mais baratos. Mas evidentemente estava enganado, pois até diretamente na vinícola custam mais que isso.

Isso tem a ver com os impostos obviamente (os EUA tem um dos menores impostos do mundo sobre vinho importado), mas também com a competitividade do mercado: ali quem ia comprar um vinho argentinho de 200 dólares? Mesma coisa acontece aqui com os vinhos brasileiros: o que aqui está custando R$60 lá fora estão vendendo por U$5 pois pela qualidade não teria chance de competir com vinhos de 20-30U$.

Quem perde nisso tudo somos sempre nos, consumidores do Brasil!

Valeu, meu amigo!
Grande abraço!
http://mondovinho.blogspot.com

Nivaldo Sanches disse...

Mário, vou te contar : a gente tem vontade de comprar todo os vinhos que vê pela frente por lá, tamanha a diferença de preços com o que a gente está acostumado por aqui ...

Mas evidentemente não dá : só são permitidas 12 garrafas, num máximo de 500 dólares. E aidna há o problema de despachar as garrafas no avião, já que não é permitido trazê-las na bagagem de mão.

Nós compramos umas poucas garrafinhas, e despachamos na mala, "acolchoadas" entre camisetas e cuecas - mas e o medo de uma delas se quebrar ? Também usamos umas embalagens especiais, com plástico-bolha, mas a verdade é que só respiramos aliviados quando recebemos a mala, aqui no aeroporto ...

Mas, se não dá pra trazer na bagagem, trazemos - e para sempre ! - na memória afetiva, olfativa e gustativa ...

Walther Nogueira SF disse...

Quando vc abre um vinho de guarda antes da época adequada e não gosta é porque o vinho é que não gostou de você por abri-lo no tempo errado.